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CONTRA LEILÃO DO ARROZ

“Eu não devo, por isso fiquei chateado com o ministro quando da forma como saí do governo”

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Neri Geller, ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, pediu demissão na terça-feira, 11, após denúncia de fraude no leilão de arroz realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O ministro Carlos Fávaro confirmou o desligamento após sair de reunião no Palácio do Planalto.

A Foco Corretora de Grãos, principal corretora do leilão de arroz feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e que foi anulado, é do empresário Robson Almeida de França. Ele foi assessor parlamentar de Neri Geller na Câmara Federal, e é sócio de Marcello Geller, filho do ex-secretário, em outras empresas.

De acordo com o ministro da Agricultura, Pecuária, Abastecimento (MAPA), Carlos Fávaro, contudo, Neri Geller ponderou que, quando seu filho estabeleceu a sociedade com a corretora, ele não era secretário e, portanto, não tinha conflito ali.

Não há nenhum fato que gere qualquer tipo de suspeita. Mas que de fato gerou um transtorno e por isso ele colocou hoje de manhã o cargo à disposição, disse o ministro.

Ele pediu demissão e eu aceitei“.

Leilão foi “um equívoco” e que ele foi “voto vencido”

Exonerado em meio à crise em torno do leilão para importação de arroz, o ex-secretário de Polícias Agrícolas do Ministério da Agricultura, Neri Geller deixou claro, nesta terça-feira, 18, sua contrariedade com o titular da pasta, o ministro da Agricultura, Pecuária, Abastecimento (MAPA), Carlos Fávaro, no processo que resultou em seu afastamento.

Eu não devo, por isso fiquei chateado com ministro da Agricultura quando da forma como saí do governo”, disse.

O ex-secretário disse, no entanto, que é legítimo o governo ter decidido pelo seu afastamento para que ele explicasse os questionamentos feitos em relação ao leilão. O certame para o primeiro lote, de 300 mil toneladas, foi cancelado na semana passada em meio a suspeitas de fraude e favorecimento pessoal após tornarem públicas informações de que as empresas vencedoras do certame não tinham expertise na área e a corretora responsável pelo leilão pertence a um ex-assessor de Geller.

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Neri Geller participou como convidado da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, que realizou sessão nesta terça-feira, 18, para discutir a necessidade de importação de um milhão de toneladas de arroz, como quer o governo. O ministro Carlos Fávaro será ouvido nesta quarta-feira, 19.

Ao fazer sua explanação, o ex-secretário voltou a negar qualquer irregularidade no leilão. Afirmou que o empresário Robson Luiz de Almeida França, dono de duas empresas que intermediaram o leilão de 44% do arroz importado, não era seu assessor desde 2020 e já tinha participado de certames antes mesmo de ele assumir a secretaria.

Geller disse também que não houve má-fé na decisão do governo de importar arroz, mas, segundo ele, houve um “equívoco político”, e procurou se distanciar da decisão pela importação que, segundo ele, deve ser creditada à Casa Civil.

Ele relatou que assumiu a secretaria em dezembro passado e, em janeiro, foi chamado para discutir o preço do arroz que, naquele momento, já estava “fora da curva” e era um dos elementos que contribuíam para a alta da inflação. Geller afirmou que, naquele momento, descreveu um quadro em que 78% da produção se encontrava no Rio Grande do Sul e que a região Centro-Oeste tinha projeção de crescimento de 30% da produção.

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Após as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul, no entanto, houve a preocupação em relação às condições do arroz colhido e armazenado no Estado, e sua infraestrutura para escoar a produção. Além disso, segundo ele, houve um “ataque especulativo” de outros países que contribuíram para o aumento do preço do produto.

Geller relatou que propôs ao governo a suspensão da cobrança da Taxa Externa Comum, de importação, para estimular a entrada de arroz se a logística gaúcha não fosse recuperada e, em caso de necessidade, promover um leilão para importação de 100 mil toneladas.Fomos voto vencido, disse. Segundo ele, a decisão foi de fazer um edital para compra de 300 mil toneladas de arroz.

A partir daí participamos muito pouco e fui cuidar do Plano Safra”, disse.

Embora aponte equívoco político, Geller defende a decisão do governo de importar arroz. Segundo ele, é legítimo o governo se preocupar com o aumento da inflação, ainda mais uma gestão preocupada em garantir alimentos da cesta básica a preços acessíveis.

A inflação era um calo e era puxada principalmente por arroz”, disse.

Mas ressaltou que, nas reuniões, sempre deu total segurança que que não haveria desabastecimento. E fez um gesto para a bancada ruralista.

Era hora de aproveitar janela de oportunidade para alavancar a produção nacional”, disse.

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Política

Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”

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A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.

O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.

A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.

As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.

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Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.

O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.

O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.

A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.

Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.

As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.

E aí está a ironia do roteiro.

Wellington Fagundes, o Lanterna Verde, o Homem da Camisa Verde, também identificado por setores da direita como Senador Melancia, Verde por fora e vermelho por dentro, terá que administrar um palanque no qual o VERMELHO já não parece estar escondido debaixo do palanque.

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As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.

Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.

O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.

A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.

Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.

O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.

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