O ESCOLHIDO NAS PESQUISAS
Dois postulantes querem vaga ao Senado na chapa de Mauro Mendes
Nas eleições para o Executivo Estadual, as atenções estão naturalmente voltadas para os candidatos titulares das chapas concorrentes. Afinal, são essas pessoas que assumirão o cargo de prefeito, governador ou presidente caso sejam eleitas.
Mas o que muitos esquecem é que ao lado de cada um desses candidatos encontramos uma figura ilustre: o candidato a vice (seja a vice-prefeito, vice-governador ou a vice-presidente). Sem muitas funções oficiais para além de substituir o titular do cargo, a existência dessa figura é muitas vezes ignorada, o que é problemático.
Problemático também está sendo a escolha de quem será o nome para ser o candidato ao Senado da República em 2022 entre os partidos PL e PP que dão apoio de sustentação do Governador de Mato Grosso, Mauro Mendes Ferreira, do Partido Democrático (DEM).
Faltando exatamente pouco mais de 1 ano para as Eleições de 2022, muitos grupos políticos já estão se mobilizando para o pleito do ano que vem. Nesta época, as alianças começam a ser formadas e os candidatos definidos. A partir deste momento é que os partidos políticos começam a verificar qual é o potencial dos candidatos neste período em que as eleições ainda nem começaram.

Pesquisas ideal de candidato
Este tipo de pesquisa eleitoral apura quais são os aspectos que os eleitores procuram nos líderes políticos. Em se tratando de um país tão heterogêneo como o Brasil, as necessidades da população em relação aos políticos variam de cidade para cidade. Neste tipo de pesquisa, várias qualidades (ou aspectos) são citadas para a população escolher quais são os mais importantes na hora da escolha do voto.
A partir destes dados os grupos políticos podem saber em quais os candidatos se encaixam.
Geller X Fagundes
“Só com pesquisas é que podemos ter uma definição. É muito cedo analisar, mas é claro que a filiação do presidente Jair Bolsonaro no PL alavancou e muito o nome do Senador Wellington Fagundes na disputa. E os dois são experientes e podem chegar em um consenso e permanecerem no mesmo palanque“.
Explicou o deputado estadual do Partido Democratas (DEM), José Eduardo Botelho, afirmando que só as pesquisas eleitorais de intenção de voto é que irá decidir quem será o candidato ao Senado na chapa de uma eventual reeleição do governador Mauro Mendes (DEM) em 2022.
O deputado estadual Democratas (DEM), explicou que não descarta ter os dois no mesmo palanque, mas que a disputa eleitoral ficou mesmo entre o deputado federal do Partido Progressista (PP), Neri Geller, e o Senador do Partido Liberal (PL), Wellington Antônio Fagundes, o parlamentar estadual Democratas (DEM), diz que apenas a partir de abril é que o tema será colocado na mesa do governador Mauro Mendes.
“Nós temos que esperar, o governador Mauro Mendes disse que somente depois do mês de abril é que ele vai começar a conversar sobre eleição. Mas a vaga do Senado se resolverá com pesquisa“.
Para o deputado estadual Eduardo Botelho, Wellington Fagundes se fortaleceu com a filiação do presidente Jair Messias Bolsonaro no Partido Liberal (PL), mas que o federal Neri Geller conquistou apoio do Senador do Partido Social Democrático (PSD), Carlos Henrique Baqueta Favaro, assim como a do MDB estadual com Carlos Gomes Bezerra.

O deputado federal Neri Geller tem a sua pré-candidatura aprovada dentro da direção estadual do Partido Progressista (PP). Já o Senador do Partido Liberal (PL), Wellington Fagundes recebeu apoio da Executiva Nacional da sigla, mesmo com Bolsonaro, que quer indicar os candidatos ao Senado da legenda em 2022. Tanto Geller quanto Wellington afirmam que não abrirão mão dos seus respectivos projetos eleitorais.
E segundo informações, existem um esforço de vários políticos para conseguir um consenso entre os dois e evitar a construção de um outro palanque, dividindo assim a base de apoio do governo Mauro Mendes em 2022.
Os bolsonaristas de Mato Grosso, capitaneado pelo deputado federal José Medeiros (PODE), que também sonha em disputar o Senado, tenta convencer via presidente, que Wellington Fagundes dispute o governo, tirando Bolsonaro do palanque de Mauro Mendes (DEM).
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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