MDB NÃQO É MDB SEM BRIGA
Disputa interna no MDB põe em evidência divergências e busca por renovação
A eleição para o Diretório Estadual do MDB em Mato Grosso está movimentando a política local, com a possibilidade de polarização entre dois fortes candidatos. O cacique da sigla Carlos Gomes Bezerra, que lidera a sigla há mais de quatro décadas, busca a reeleição, mas enfrentará a oposição articulada pelo Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, e pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro, que apoiam a candidatura do deputado federal reeleito Juarez Costa.
O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro defendeu a necessidade de mudança no partido, seguindo a renovação promovida pela direção nacional da sigla. Embora respeite a história de Carlos Bezerra, o prefeito enfatizou que é fundamental que o MDB volte a se aproximar do povo, dando espaço para novas lideranças.
“Tenho respeito paternal por Carlos Bezerra e atribuo ao seu trabalho o crescimento do partido no estado. Entretanto, como tudo na vida, é necessário reciclar, reoxigenar. Novas forças surgiram, surgem e surgirão. Temos dois deputados federais com gás total, que é o deputado Emanuelzinho e Juarez Costa. Ambos se articulam muito bem no cenário nacional e esse novo momento exige que o MDB volte às ruas, volte a ter cheiro de povo. Em virtude disso defendemos o nome de Juarez”, disse o prefeito.
Informações de bastidores apontavam que Juarez Costa teria retirado o seu nome da disputa do MDB, por estar com projetos de retornar à Prefeitura de Sinop. Questionado se Juarez Costa seria candidato à presidência, Emanuel Pinheiro disse que o deputado federal confirmou sua candidatura.
“Emanuelzinho foi categórico com ele: “Juarez nós gostamos do Bezerra, ele é nosso amigo e respeitamos a história dele, mas nós precisamos passar por reoxigenação como a nacional passou. Você é ou não é nosso candidato? Se não, nós vamos procurar rumo”. Ele afirmou que é candidato e que podemos contar com ele”, disse.
Enquanto isso, o deputado estadual Thiago Silva sustenta o consenso de que Carlos Bezerra continue como presidente estadual do MDB, alegando que o ex-deputado federal é o único nome capaz de unificar o partido em momentos desafiadores. Para o parlamentar emedebista, a unidade do partido é essencial para o sucesso nas eleições municipais do próximo ano.
“Hoje é um consenso das forças políticas do MDB que o Bezerra continue como presidente do partido. Por não ter sido reeleito como deputado federal não significa que ele não tem força para se manter como presidente do partido”, afirmou.
Para ele, Carlos Bezerra é o único nome que tem força e o respeito de todos e, consequentemente, pode apaziguar os conflitos internos entre os membros do partido. Atualmente o MDB está rachado entre apoiadores do prefeito Emanuel Pinheiro e políticos que integram a base do governador Mauro Mendes (UB).
“O Bezerra, com toda sua história, acredito ser o único que consegue unificar o partido em momentos mais difíceis. Então, nosso objetivo é esse”, disse.
O plano de unificação do partido, segundo Thiago Silva, visa manter o êxito do MDB durante as eleições municipais para o próximo ano. No entanto, o posicionamento de lideranças do partido mostra que existe uma divisão de ideias. Diante da rixa, Thiago acredita que Bezerra será a chave para a resolução desses problemas.
“Pela experiência de vida pública que o Bezerra tem, ele consegue conversar com a Janaína e mostrar o espaço que ela tem no futuro e conversar com o Emanuel, ver o que ele pensa para o futuro político dele”, afirmou.
Até o momento, a data da eleição para o novo diretório estadual do MDB permanece indefinida, permitindo que os candidatos se dediquem a angariar votos dos correligionários.
A divisão de ideias no MDB fica evidente diante do interesse da deputada estadual Janaína Riva em trazer o deputado estadual Eduardo Botelho que por enquanto esta no União Brasil (UB), para ser o candidato do MDB a Prefeito de Cuiabá, enquanto isso, o atual mandatário da cadeira numero 1 da Prefeitura de Cuiabá, Emanuel Pinheiro prepara um candidato próprio para ser seu sucessor.
Em junho, a deputada estadual Janaína Riva afirmou que a escolha do novo Diretório Estadual deve ser pacificada de forma interna no partido e que Carlos Bezerra deve ser reconduzido ao cargo. Na época a parlamentar disse acreditar que Juarez Costa recuará de disputar a presidência estadual.
A disputa interna entre as duas forças do MDB atingiu até mesmo o âmbito judicial, com o prefeito cuiabano pedindo a condenação da correligionária Janaína Riva por calúnia e difamação após ela fazer comentários sobre a possibilidade de Emanuel Pinheiro ser preso.
Nesse contexto, as lideranças do partido buscam uma definição pacificada para a escolha do novo Diretório Estadual, e a figura de Carlos Bezerra é apontada por alguns como chave para a resolução dos conflitos internos.
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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