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OPERAÇÃO DÉJÀ VU

Com base em nova decisão do STF, Juiz envia ao TJMT Ação Penal contra Emanuel Pinheiro

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Em 2018, os deputados estaduais Zeca Viana (PDT), Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), Wancley Carvalho (PV), José Riva e Eduardo Botelho (DEM) e Emanuel Pinheiro (MDB), foram alvos da Operação Déjà Vu, deflagrada para investigar um suposto esquema de notas fiscais falsas por meio do qual teriam sido desviados cerca de R$ 600 milhões da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT).

Segundo as investigações do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco Criminal) e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ambos do Ministério Público Estadual (MP), as notas eram apresentadas para forjar gastos com a Verba Indenizatória (VI). A decisão de recorrer a mandados de busca e apreensão na sede do Parlamento Estadual ocorreu após o MP ter solicitado os documentos e recebido como resposta da Assembleia Legislativa Mato-grossense, que eles não foram encontrados.

Na época da Ação, as notas fiscais, em tese, foram apresentadas pelos deputados para justificar o ressarcimento via Verba Indenizatória (VI) de gastos com a atividade parlamentar.

Diz trecho na época do pedido acatado pelo desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT).

Chega a causar assombro a renitência na apresentação de documentos que, em verdade, serviram de esteio para o aparente desvio de mais de meio milhão de reais! Nesse ponto, não se pode apenas lamentar, é preciso agir”.

As investigações apontavam para a prática dos crimes de peculato, associação criminosa e supressão de documentos. O caso começou a ser apurado após o empresário Hilton Carlos da Costa Campos procurar, em setembro de 2015, o Gaeco para relatar o esquema. Na época, ele afirmou o envolvimento do deputado federal Ezequiel Fonseca (PP), até 2014 deputado estadual e, por conta disso, as investigações foram remetidas para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2017, a Corte desmembrou o processo. Segundo o empresário, em 2011 ele foi procurado por um servidor da Assembleia Legislativa chamado Vinícius Prado, que lhe propôs o fornecimento de notas fiscais falsas para simular a aquisição de materiais de papelaria e insumos de informática. As fraudes com as notas frias teriam sido cometidas entre os anos de 2012 a 2015

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Em troca, ele receberia 10% do valor que constasse em cada documento fiscal. Hilton Carlos confirmou ter aceitado a proposta e chegado a emitir notas falsas em nome das empresas H.C. da Costa Campos e Cia. Ltda., G.B. de Oliveira Comercio ME, VPS Comercio ME e VH Alves Comércio Ltda. Dessas, somente a primeira existiria de fato. Todas as demais são empresas de fachada, criadas exclusivamente para servir ao esquema que beneficiou os deputados citados no início da reportagem.

Ação contra Emanuel Pinheiro por esquema na AL volta para TJMT

A Ação que envolve o ex-prefeito emedebista Emanuel Pinheiro, referente à Operação Déjà Vu, que apurou suposto desvio de Verbas Indenizatórias (VI) entre 2012 e 2015 na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), quando ele era deputado estadual, foi encaminhada novamente ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), em decisão publicada na quarta-feira (10).

A medida foi tomada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal da Capital, com base em um novo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o foro privilegiado. Com a nova tese fixada pelo STF em sessão virtual encerrada em 11 de março, o juiz reconsiderou a decisão.

Segundo o entendimento da Corte, se os fatos investigados ocorreram durante o exercício do cargo, a competência para julgamento permanece com o Tribunal de Justiça correspondente, mesmo que o mandato já tenha se encerrado.

Cita trecho do julgamento do STF reproduzido na decisão:

A prerrogativa de foro para julgamento de crimes praticados no cargo e em razão das funções subsiste mesmo após o afastamento do cargo, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados depois de cessado seu exercício”.

Diante disso, o magistrado determinou o envio dos autos de volta ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT):

Com fundamento na tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal, restituo os autos ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, possibilitando a reanálise sobre a sua competência para processar e julgar a presente ação penal”.

O Ministério Público aponta que ao menos 89 notas fiscais frias foram utilizadas e que parte dos documentos desapareceu do setor de arquivos da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT).

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O próprio Emanuel Pinheiro havia solicitado o envio do caso ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), argumentando que os supostos crimes foram praticados enquanto ele ocupava cargo com prerrogativa de foro. No entanto, o pedido foi negado em março pelo juiz Jean Garcia, sob o argumento de que o réu já não exercia mais mandato eletivo.

A Ação está agora sob responsabilidade do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), que deverá reavaliar os próximos passos do processo com base no novo entendimento jurídico.

Notas frias

Conforme a investigação do Ministério Público Estadual (MPE), pesa contra Emanuel Pinheiro a ausência de 13 notas, totalizando o valor de R$ 91.750,69. Na época dos fatos, cada deputado estadual tinha direito a uma Verba Indenizatória (VI) no valor de R$ 35 mil. O uso do benefício, entretanto, deveria ser comprovado por meio de notas fiscais.

No total, foram apuradas 89 notas fiscais “frias”. Com o denunciado Zeca Viana foram constadas 23 notas, equivalente a R$ 149.545,00; com o deputado Nininho, 16 notas no valor de R$ 93.590,35; com José Riva, oito notas fiscais no valor de R$ 56.200,10; e com Wancley de Carvalho, duas notas no valor de R$ 11.252,00.

A denúncia é relativa à “Operação Déjà Vu”, deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco/Criminal) e o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em agosto de 2017.

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Política

Patrimônio de deputados de Mato Grosso revela forte alta em quatro anos e amplia debate sobre transparência eleitoral

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A evolução patrimonial de políticos durante o exercício de mandatos voltou a ocupar espaço no debate público em Mato Grosso com a divulgação das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. Embora os vencimentos de parlamentares e integrantes do Executivo sejam superiores à renda média da população, especialistas costumam observar que a remuneração oficial, isoladamente, não explica necessariamente a formação de grandes patrimônios. Nesse contexto, aumentos expressivos de bens despertam questionamentos quando não são acompanhados de explicações claras sobre sua origem.

A declaração patrimonial é uma exigência prevista na legislação eleitoral e constitui um dos mecanismos destinados a ampliar a transparência sobre a situação financeira dos candidatos. Com o início do processo eleitoral, os concorrentes são obrigados a informar à Justiça Eleitoral os bens que possuem, permitindo que o eleitor compare a evolução patrimonial entre diferentes pleitos. A medida, contudo, também expõe variações significativas que podem alimentar discussões sobre as razões econômicas que levam determinadas pessoas a ingressar ou permanecer na vida pública.

O crescimento do patrimônio, por si só, não representa irregularidade. Bens podem ser incorporados por meio de atividades profissionais, investimentos, negócios particulares, heranças ou doações legalmente realizadas. Da mesma forma, uma eventual redução ou estabilidade patrimonial não constitui, isoladamente, prova de ausência de ganhos. A análise responsável exige a consideração de documentos, fontes de renda, movimentações financeiras e demais elementos capazes de explicar as alterações registradas oficialmente.

Segundo dados divulgados pelo DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, 22 dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso declararam aumento patrimonial em relação à eleição de 2022. O maior crescimento percentual entre os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) foi registrado por Lúdio Cabral (PT), cujo patrimônio declarado passou de R$ 244,7 mil para aproximadamente R$ 1,6 milhão. A variação representa crescimento de cerca de 560% no período, segundo os valores informados à Justiça Eleitoral.

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A declaração de Lúdio Cabral inclui apartamento, depósitos bancários, aplicações financeiras e investimentos. Em valores absolutos, a diferença entre as duas declarações representa uma ampliação superior a R$ 1,3 milhão. O dado coloca o deputado na liderança do ranking de crescimento percentual entre os parlamentares estaduais, mas não significa que ele seja o detentor do maior patrimônio da Assembleia Legislativa Mato-grossense.

A evolução patrimonial, nesse caso, precisa ser analisada separadamente do volume total de bens acumulados.

Na sequência dos maiores aumentos percentuais aparecem Paulo Araújo (Republicanos), que declarou patrimônio de aproximadamente R$ 4 milhões, representando crescimento de 279% desde 2022, e Diego Guimarães (Republicanos), com acréscimo de 206%. Entre os bens declarados estão terrenos e outros ativos. As informações apresentadas pelos candidatos permitem ao eleitor identificar as variações registradas oficialmente, mas não determinam, por si mesmas, a existência de qualquer irregularidade.

Na direção oposta, Ondanir Bortoline, o Nininho (Republicanos) e Wilson Santos (PSD) foram os únicos deputados estaduais mencionados nos dados com redução patrimonial em relação à declaração anterior. Wilson Santos apresentou queda de aproximadamente 42%, passando de R$ 450,6 mil em 2022 para R$ 262,1 mil. Nininho, apesar de permanecer entre os parlamentares milionários, registrou redução de cerca de 13%, equivalente a quase R$ 1 milhão em relação ao patrimônio anteriormente declarado.

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A liderança em patrimônio total, entretanto, pertence a Carlos Avallone (PSDB), que declarou aproximadamente R$ 33 milhões em bens. O conjunto informado inclui imóveis, terras, embarcação, animais e aplicações financeiras. Na sequência aparecem Júlio Campos (UB), com cerca de R$ 31,5 milhões, e Dilmar Dal Bosco (UB), com aproximadamente R$ 26 milhões.

Os números demonstram que crescimento percentual e riqueza acumulada são indicadores distintos e não devem ser confundidos na avaliação das declarações.

Na bancada federal de Mato Grosso, também foram registradas oscilações relevantes. Coronel Fernanda (PL), que havia declarado aproximadamente R$ 1,7 milhão em 2022, informou agora patrimônio de cerca de R$ 384 mil, redução de 78%. Nelson Barbudo (PL) apresentou queda de 55%, enquanto Juarez Costa (Republicanos) e Emanuelzinho Pinheiro (PSD) também registraram diminuição. José Medeiros (PL), que disputa uma vaga ao Senado e não concorre à reeleição para a Câmara Federal, apresentou crescimento patrimonial de 40%, alcançando aproximadamente R$ 356 mil.

Entre os deputados federais, Fábio Garcia (UB) aparece como o mais rico, com patrimônio declarado de aproximadamente R$ 4,1 milhões, mantendo nível semelhante ao registrado anteriormente. Rodrigo da Zaeli (PL) e Juarez Costa (Republicanos) também figuram entre os parlamentares milionários, com cerca de R$ 1,7 milhão e R$ 1,9 milhão, respectivamente.

As declarações patrimoniais, portanto, oferecem ao eleitor uma fotografia financeira dos candidatos, mas a interpretação dos dados exige cautela: aumentos ou reduções de bens não comprovam, isoladamente, irregularidades e devem ser confrontados com as respectivas fontes de renda e documentos disponíveis.

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