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TENSÃO CRESCE NO CONGRESSO FEDERAL

“Carlos Fávaro é um dos ministros apontados com potencial para deixar o governo”

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A tensão cresce em meio a suspensão de financiamentos subvencionados do Plano Safra 24/25 e a liberação de R$ 4,1 bilhões em crédito extraordinário para as linhas do programa por Fernando Haddad. O ministro da Fazenda disse que a não aprovação do orçamento de 2025 está entre os entraves para a continuidade do programa. Fora isso, as taxas elevadas de juros colocam em cheque o Plano Safra 25/26.

Carlos Fávaro (PSD), ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), teria avisado o presidente Lula que pode deixar a pasta caso medidas extravagantes aconteçam. Carlos Fávaro teria dito a interlocutores que se recusa a participar de uma administração que taxa exportações. A pressão interna entre Fávaro e o governo ganha força a partir do avanço de questões como impostos ou cotas para exportações de carnes e alimentos.

O deputado Pedro Lupion (PP/PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), disse que a falta de comunicação prévia sobre o esgotamento de recursos do Plano Safra expõe a inabilidade política do governo federal com o Congresso Nacional, em busca de solução. A FPA e as entidades do setor produtivo reforçam a necessidade de mudanças estruturais no modelo do Plano Safra. Hoje, o planejamento ocorre no meio do ano, o que gera incertezas para os produtores rurais.

Eles defendem que o programa seja incorporado à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e à Lei Orçamentária Anual (LOA), garantindo maior previsibilidade e segurança.

Quanto ao ministro da Agricultura, Carlos Favaro, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion reforçou que não há nenhum tipo de rompimento, já que não há relação entre eles.

Estamos tratando questões econômicas e do Plano Safra com o ministério da Fazenda, Casa Civil e Governo Federal, e espero que o Ministério da Agricultura cumpra sua função de representar os produtores e não só de ficar na briga política. Não cabe a FPA indicar ou dizer quem vai ser ministro. Não cabe a nós participarmos desse tipo de articulação do governo. Só esperamos interlocução”.

Gisela Simona vê Fávaro distante de Lula

A suspensão do Plano Safra foi uma demonstração de que o ministro da Agricultura (Mapa), Carlos Fávaro (PSD), está distanciado das decisões do governo federal e confirmou que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) não discute mais as demandas do setor com ele“. Esta foi a avaliação da deputada federal mato-grossense pelo União Brasil (UB), Gisela Simona.

A parlamentar federal do União Brasil (UB), disse que o ministro da Economia, Fernando Haddad (PT), tem atuado como interlocutor do presidente Lula, e foi o responsável pela articulação da Medida Provisória que liberou crédito extraordinário de R$ 4,17 bilhões. Além de Fernando Haddad, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também tem procurado o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Está tudo muito errado. A gente vê, infelizmente, o ministro do nosso estado, mas vemos distanciamento das decisões do governo federal em que ele sequer sabia da suspensão do Plano Safra. O Haddad acabou sendo o interlocutor com a FPA e demais atores envolvidos na MP que, inclusive, foi avaliada positivamente pela própria Frente Parlamentar”.

Gisela Simona disse que o governo Lula está enfraquecido no Congresso. Até março de 2025, a Lei Orçamentária Anual (LOA) não foi votada, três meses após o prazo limite pela legislação oficial. A deputada mato-grossense responsabilizou os ministros pelas dificuldades que o presidente vem enfrentando com o Senado e Câmara dos Deputados.

Vejo, infelizmente pois sou brasileira e torço para dar certo, que o governo federal está bastante enfraquecido, principalmente, pela pouca atuação dos ministros que ali estão”, disparou.

A deputada federal acredita que a reforma ministerial feita por Lula é uma medida emergencial para colocar o “país nos trilhos”. Nos bastidores, Carlos Fávaro é um dos ministros apontados com potencial para deixar o governo. Ele negou e afirmou que só deixará o Mapa em 2026 quando for concorrer às eleições.

Que comece de uma vez essa reforma ministerial para o país voltar para os trilhos. A avaliação do governo está baixa, o brasileiro está reclamando do preço alto da comida chegando à sua mesa e isso não há governo que resista, concluiu a parlamentar federal Gisela Simona (UB).

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Política

Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”

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A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.

O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.

A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.

As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.

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Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.

O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.

O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.

A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.

Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.

As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.

E aí está a ironia do roteiro.

Wellington Fagundes, o Lanterna Verde, o Homem da Camisa Verde, também identificado por setores da direita como Senador Melancia, Verde por fora e vermelho por dentro, terá que administrar um palanque no qual o VERMELHO já não parece estar escondido debaixo do palanque.

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As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.

Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.

O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.

A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.

Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.

O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.

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