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SOB INTERVENÇÃO JUDICIAL E CALAMIDADE FINANCEIRA

Câmara de Várzea Grande aprova teto de 30% para remanejamento orçamentário

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Tensão Institucional e Decisão em Sessão Extraordinária

A Câmara Municipal de Várzea Grande aprovou por unanimidade, na manhã desta sexta-feira (24), o Projeto de Lei nº 175/2026, em uma sessão extraordinária marcada por forte embate político e articulação jurídica. O texto legislativo autoriza a ampliação do teto para remanejamento orçamentário e a consequente abertura de créditos adicionais no orçamento municipal, alterando a margem operacional do Poder Executivo em um cenário de profunda fragilidade fiscal.

Onde a Crise Orçamentária Ganhou Contornos Judiciais

O desfecho do pleito ocorreu no plenário do Poder Legislativo Várzea-grandense, sede de intensos debates entre vereadores e representantes do Executivo. A reunião, realizada durante o período de recesso parlamentar, exigiu convocação formal após a judicialização da disputa, tornando o auditório da Casa de Leis o epicentro do impasse sobre a autonomia financeira da administração local.

A Motivação por Trás da Modificação no Limite de Gastos

A urgência do debate decorre da vigência de um decreto de estado de calamidade financeira aprovado no município, situação que restringia a capacidade de gestão do caixa público. Inicialmente fixado em apenas 5%, o limite restrito de remanejamento vinha inviabilizando a realocação imediata de verbas e comprometendo o cumprimento de obrigações financeiras essenciais e o pagamento de fornecedores da prefeitura.

O Processo de Articulação e a Emenda do MDB

O processo de aprovação do projeto envolveu negociações diretas entre as bancadas parlamentares para definir o percentual final da margem fiscal. Embora a prefeita Flávia Moretti (PL) tivesse solicitado originalmente a elevação para 20%, o vereador Alessandro Moreira (MDB) apresentou uma emenda ampliando a margem para 30%, proposta que foi prontamente subscrita pelo presidente da Casa de Leis, Wanderley Cerqueira (MDB), garantindo a aprovação integral.

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Os Protagonistas do Debate Político em Plenário

Figura central na proposição original do pedido de flexibilização, a prefeita Flávia Moretti destacou a relevância da medida para a governabilidade. Do lado do Legislativo, a deliberação contou com a condução e o voto favorável de vereadores do MDB, PSB e Podemos, cujas posições demonstraram a heterogeneidade das forças políticas que compõem o cenário municipal.

O Requerimento de Vista e os Questionamentos de Forma

O vereador Feitoza (PSB) protocolou um pedido de vista antes da votação do mérito, questionando supostas falhas e duplicidades na documentação encaminhada. A tentativa de paralisação buscava apurar a fundamentação constitucional e os requisitos formais de urgência especial antes da liberação da matéria para o plenário, contudo, a solicitação acabou rejeitada pela maioria dos parlamentares presentes.

Alertas Sobre a Gestão de Recursos e Precatórios

Em contraponto às demandas do Executivo, a vereadora Gisa Barros (Podemos) criticou a condução das finanças públicas, apontando falta de planejamento. A parlamentar recordou que a Câmara Municipal de Várzea Grande já havia autorizado o montante de R$ 155 milhões em remanejamentos em um intervalo de seis meses e ponderou que uma gestão orçamentária rigorosa e rigor no remanejamento entre pastas teriam evitado o endividamento do município com precatórios.

O Contraponto da Presidência da Casa de Leis

O presidente do Poder Legislativo, Wanderley Cerqueira, alinhou-se às críticas quanto ao modelo de gestão adotado pela Prefeitura e rebateu as alegações da administração. O parlamentar negou que eventuais atrasos em pagamentos sejam decorrentes de entraves criados pelos vereadores, atribuindo as dificuldades financeiras locais à alocação inadequada das receitas municipais.

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Para o presidente da Casa de Leis, o emedebista Wanderley Cerqueira, a decisão elimina qualquer justificativa do Executivo para atribuir ao Legislativo dificuldades administrativas enfrentadas pelo município.

A Câmara deu um cheque em branco de R$ 720 milhões. Agora ela não pode mais dizer que a Câmara está atrapalhando. Fizemos tudo o que foi pedido e até mais. A responsabilidade agora é exclusivamente da prefeita”, afirmou.

A Atuação do Poder Judiciário no Impasse Político

A convocação da sessão extraordinária exigiu a intervenção direta do Poder Judiciário de Mato Grosso, que determinou a obrigatoriedade da votação em meio ao recesso da Casa de Leis. A presidência da Câmara Municipal, que anteriormente recusara realizar o chamamento via ato administrativo, deu início aos trabalhos legislativos estritamente em cumprimento ao mandato judicial.

Desdobramentos e Perspectivas para a Gestão Municipal

Com a validação da nova margem de 30%, a prefeita Flávia Moretti agradeceu publicamente o respaldo recebido da Câmara Municipal para o atendimento imediato das demandas do município. A medida confere ao Poder Executivo a margem de manobra orçamentária requerida para reestruturar as finanças públicas, com o desafio de equacionar os impactos da calamidade fiscal sem comprometer o fornecimento dos serviços essenciais à população.

Felizmente, tivemos essa aprovação e agradeço aos parlamentares por compreenderem a urgência do nosso pedido. Essa autorização permitirá que possamos atender com mais agilidade às necessidades do Município, sem prejudicar a execução das ações consideradas essenciais”, declarou.

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Política

Interferência externa no “Legislativo Cuiabano” amplia debate sobre a autonomia da Câmara Municipal

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A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), afirmou que há interferência de deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) nas articulações políticas envolvendo o Legislativo da Capital. A declaração foi feita durante entrevista coletiva, na qual a parlamentar reconheceu a existência de movimentações externas relacionadas à composição das forças políticas da Casa de Leis, embora tenha optado por não citar nomes de parlamentares estaduais.

Segundo Paula Calil, o cenário político é marcado por constantes diálogos e alinhamentos entre diferentes atores institucionais, circunstância que, em sua avaliação, confirma a existência de influência da Assembleia Legislativa nas discussões internas da Câmara Municipal. Ao comentar o tema, a presidente destacou que essas articulações fazem parte da dinâmica política contemporânea, especialmente em momentos de definição de posições estratégicas dentro do Parlamento.

Ao abordar as pressões envolvendo a sucessão da Mesa Diretora, a Chefe do Legislativo Cuiabano reforçou o entendimento de que há participação indireta de agentes externos nas negociações políticas. Durante a entrevista, afirmou que as manifestações sobre o assunto refletem uma realidade percebida no ambiente político e reconheceu que a interlocução entre diferentes esferas de poder ocorre de forma permanente.

Paula Calil também ressaltou que sua eleição para a presidência da Câmara de Cuiabá não decorreu de uma decisão unilateral do Poder Executivo, mas de uma construção política coletiva. Conforme explicou, o então nome inicialmente apoiado pelo prefeito Abilio Brunini (PL) era o vereador Dilemário Alencar, enquanto sua candidatura surgiu posteriormente como resultado do consenso alcançado entre integrantes de um grupo de vereadores.

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As declarações da presidente reforçam posicionamentos manifestados anteriormente pelo prefeito Abilio Brunini e pela vereadora Samantha Iris (PL). Em ocasiões anteriores, o chefe do Executivo municipal justificou mudanças na organização de sua base política ao afirmar que determinados vereadores passaram a seguir orientações de um grupo político que, segundo ele, sofreria influência direta da Assembleia Legislativa.

Na mesma linha, Samantha Iris elevou o tom das críticas ao classificar a atuação de deputados estaduais como um “complô” destinado a influenciar a composição da Mesa Diretora da Câmara Municipal. De acordo com a vereadora, o objetivo desse movimento seria ampliar o “PODER” de influência sobre as decisões do Legislativo e criar mecanismos de pressão política sobre a administração municipal.

Ainda segundo Samantha Iris, medidas adotadas pelo Executivo, entre elas o ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para questionar dispositivos do Regimento Interno relacionados ao quórum de votação, representam instrumentos legítimos de autodefesa institucional diante das pressões que, conforme sua interpretação, estariam sendo exercidas por integrantes da Assembleia Legislativa.

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Em sentido contrário, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Max Russi (Podemos), negou qualquer tentativa de interferência ou disputa pelo controle político da Câmara Municipal de Cuiabá. O parlamentar afirmou que sua atuação restringe-se ao apoio partidário ao vereador Ilde Taques (Podemos), destacando que essa postura decorre exclusivamente de sua condição de dirigente estadual da legenda.

Max Russi também criticou qualquer tipo de interferência externa nas normas internas do Legislativo Municipal, incluindo eventual participação do Poder Executivo nas definições relacionadas ao funcionamento da Câmara de Cuiabá. Para o deputado, a escolha da Mesa Diretora constitui prerrogativa exclusiva dos 27 vereadores eleitos, devendo ocorrer de forma autônoma, conforme estabelece a independência entre os poderes.

As manifestações públicas dos diferentes agentes políticos evidenciam o aprofundamento do debate sobre os limites da atuação institucional entre os Poderes e sobre a autonomia do Parlamento Municipal. Enquanto representantes da Câmara e do Executivo sustentam a existência de influência externa nas articulações políticas, integrantes da Assembleia Legislativa rejeitam essa interpretação, mantendo o tema no centro das discussões políticas em Cuiabá e sinalizando que a disputa em torno da governabilidade e da composição da Mesa Diretora deverá permanecer em evidência nos próximos desdobramentos.

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