ÁGUA EM VG ENTRA NO DEBATE DAS ELEIÇÕES
“Aliança pela Água” amplia debate político após investimentos estaduais em municípios administrados pelo PL
O Governo de Mato Grosso assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) e a Prefeitura Municipal de Várzea Grande para enfrentar a histórica crise no abastecimento de água do município. O acordo, denominado “Aliança pela Água“, estabelece um plano emergencial voltado à execução de obras estruturantes, à reestruturação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e à destinação de investimentos estaduais de até R$ 60 milhões, com o objetivo de ampliar a oferta e a regularidade do fornecimento de água à população.
A iniciativa foi construída de forma conjunta entre as instituições após o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) apontar que o desabastecimento em Várzea Grande decorre de problemas acumulados ao longo de décadas. O diagnóstico técnico também identificou dificuldades financeiras, administrativas e operacionais enfrentadas pelo DAE, consideradas fatores determinantes para a incapacidade do sistema em atender à crescente demanda da população.
Embora o acordo tenha sido apresentado como uma resposta institucional para solucionar um problema estrutural, a assinatura do TAC passou a integrar o debate político estadual. Integrantes da “oposição” afirmam que o Governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), estaria utilizando a estrutura administrativa do Estado para fortalecer sua projeção eleitoral visando às eleições de 2026. As acusações, entretanto, foram rejeitadas pelo chefe do Executivo Estadual.

Ao responder aos questionamentos, Otaviano Pivetta negou que os investimentos destinados a municípios administrados por prefeitos do Partido Liberal (PL) possuam qualquer relação com a futura disputa pelo Governo do Estado. Segundo o chefe do Executivo Estadual, todas as decisões seguem critérios técnicos, administrativos e de interesse público, sem qualquer motivação eleitoral ou partidária.
As críticas ganharam força após uma sequência de anúncios de investimentos estaduais em cidades comandadas por gestores do PL. Além de Várzea Grande, administrada pela prefeita Flávia Moretti, o Governo de Mato Grosso também anunciou novos investimentos em Rondonópolis, sob a gestão do prefeito Cláudio Ferreira, e em Cuiabá, onde o prefeito Abilio Brunini mantém interlocução institucional com o Palácio Paiaguás.
O volume de recursos destinados a esses municípios passou a ser alvo de questionamentos nos bastidores da política estadual, principalmente porque o Partido Liberal lançou o senador Wellington Fagundes como pré-candidato ao Governo de Mato Grosso. Para setores da “oposição”, a aproximação institucional entre o Executivo Estadual e prefeitos da legenda poderia produzir reflexos no cenário político da pré-campanha eleitoral.
Em sua manifestação, Otaviano Pivetta reiterou que os investimentos públicos não estão condicionados à filiação partidária dos gestores municipais nem ao posicionamento político das administrações locais. O governador afirmou que os prefeitos possuem autonomia para decidir quais candidaturas apoiar durante o processo eleitoral, classificando essas escolhas como decisões voluntárias e independentes da atuação do Estado.
O episódio ocorre em um momento de intensa articulação política em Mato Grosso. Apesar de o Partido Liberal manter oficialmente a pré-candidatura de Wellington Fagundes ao Palácio Paiaguás, alguns prefeitos da legenda têm demonstrado aproximação institucional com o Governo Estadual. Esse movimento gerou desconforto interno e levou dirigentes partidários a defenderem o fortalecimento do diálogo para preservar a unidade da sigla.

Paralelamente às discussões políticas, o TAC estabelece medidas consideradas prioritárias para recuperar o sistema de abastecimento de água de Várzea Grande. O plano prevê a execução de obras emergenciais, a modernização da estrutura operacional do DAE, o fortalecimento da gestão administrativa e a ampliação da capacidade de distribuição de água, buscando reduzir um problema que afeta milhares de moradores do município.
O cenário evidencia que os investimentos estaduais passaram a ocupar posição central tanto na agenda administrativa quanto no debate político sobre a sucessão estadual de 2026. Enquanto a oposição sustenta que a concentração de recursos pode produzir efeitos eleitorais, o Governo de Mato Grosso reafirma que continuará destinando investimentos aos municípios com base em critérios técnicos, defendendo que a prioridade permanece sendo a execução de obras, a melhoria dos serviços públicos e o atendimento às necessidades da população.
Política
Interferência externa no “Legislativo Cuiabano” amplia debate sobre a autonomia da Câmara Municipal
A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), afirmou que há interferência de deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) nas articulações políticas envolvendo o Legislativo da Capital. A declaração foi feita durante entrevista coletiva, na qual a parlamentar reconheceu a existência de movimentações externas relacionadas à composição das forças políticas da Casa de Leis, embora tenha optado por não citar nomes de parlamentares estaduais.
Segundo Paula Calil, o cenário político é marcado por constantes diálogos e alinhamentos entre diferentes atores institucionais, circunstância que, em sua avaliação, confirma a existência de influência da Assembleia Legislativa nas discussões internas da Câmara Municipal. Ao comentar o tema, a presidente destacou que essas articulações fazem parte da dinâmica política contemporânea, especialmente em momentos de definição de posições estratégicas dentro do Parlamento.
Ao abordar as pressões envolvendo a sucessão da Mesa Diretora, a Chefe do Legislativo Cuiabano reforçou o entendimento de que há participação indireta de agentes externos nas negociações políticas. Durante a entrevista, afirmou que as manifestações sobre o assunto refletem uma realidade percebida no ambiente político e reconheceu que a interlocução entre diferentes esferas de poder ocorre de forma permanente.

Paula Calil também ressaltou que sua eleição para a presidência da Câmara de Cuiabá não decorreu de uma decisão unilateral do Poder Executivo, mas de uma construção política coletiva. Conforme explicou, o então nome inicialmente apoiado pelo prefeito Abilio Brunini (PL) era o vereador Dilemário Alencar, enquanto sua candidatura surgiu posteriormente como resultado do consenso alcançado entre integrantes de um grupo de vereadores.
As declarações da presidente reforçam posicionamentos manifestados anteriormente pelo prefeito Abilio Brunini e pela vereadora Samantha Iris (PL). Em ocasiões anteriores, o chefe do Executivo municipal justificou mudanças na organização de sua base política ao afirmar que determinados vereadores passaram a seguir orientações de um grupo político que, segundo ele, sofreria influência direta da Assembleia Legislativa.
Na mesma linha, Samantha Iris elevou o tom das críticas ao classificar a atuação de deputados estaduais como um “complô” destinado a influenciar a composição da Mesa Diretora da Câmara Municipal. De acordo com a vereadora, o objetivo desse movimento seria ampliar o “PODER” de influência sobre as decisões do Legislativo e criar mecanismos de pressão política sobre a administração municipal.
Ainda segundo Samantha Iris, medidas adotadas pelo Executivo, entre elas o ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para questionar dispositivos do Regimento Interno relacionados ao quórum de votação, representam instrumentos legítimos de autodefesa institucional diante das pressões que, conforme sua interpretação, estariam sendo exercidas por integrantes da Assembleia Legislativa.
Em sentido contrário, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Max Russi (Podemos), negou qualquer tentativa de interferência ou disputa pelo controle político da Câmara Municipal de Cuiabá. O parlamentar afirmou que sua atuação restringe-se ao apoio partidário ao vereador Ilde Taques (Podemos), destacando que essa postura decorre exclusivamente de sua condição de dirigente estadual da legenda.
Max Russi também criticou qualquer tipo de interferência externa nas normas internas do Legislativo Municipal, incluindo eventual participação do Poder Executivo nas definições relacionadas ao funcionamento da Câmara de Cuiabá. Para o deputado, a escolha da Mesa Diretora constitui prerrogativa exclusiva dos 27 vereadores eleitos, devendo ocorrer de forma autônoma, conforme estabelece a independência entre os poderes.
As manifestações públicas dos diferentes agentes políticos evidenciam o aprofundamento do debate sobre os limites da atuação institucional entre os Poderes e sobre a autonomia do Parlamento Municipal. Enquanto representantes da Câmara e do Executivo sustentam a existência de influência externa nas articulações políticas, integrantes da Assembleia Legislativa rejeitam essa interpretação, mantendo o tema no centro das discussões políticas em Cuiabá e sinalizando que a disputa em torno da governabilidade e da composição da Mesa Diretora deverá permanecer em evidência nos próximos desdobramentos.
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