ESCRUTÍNIO NO PLANALTO CENTRAL
Corte de Contas persegue liames de R$ 208 Milhões em “Obras de Mobilidade e Lazer”
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) formalizou a abertura de uma auditoria minuciosa e minudente para investigar graves indícios de irregularidades em contratos de alta monta firmados pela empresa de economia mista MT Participações e Projetos S.A. (MT Par). A decisão institucional decorre do acolhimento formal de uma representação que aponta desvios substanciais no direcionamento de concorrências públicas e na execução orçamentária de infraestrutura, consolidando a atuação fiscalizatória da referida Corte sobre a aplicação legítima dos recursos provenientes do erário estadual.
A investigação técnico-jurídica recai especificamente sobre suspeitas de fraudes licitatórias, superfaturamento estrutural, conflito de interesses, corrupção passiva e tráfico de influência na contratação de empreiteiras privadas. Adicionalmente, o procedimento apura a suposta negligência institucional em virtude da realização intempestiva e temerária de uma etapa da tradicional competição automobilística Stock Car, cuja pista inacabada culminou em um grave acidente com espectadores feridos, gerando sérios questionamentos sobre a segurança e a legalidade das autorizações.
Os fatos sob rigoroso exame técnico e jurídico concentram-se geograficamente nas dependências do Parque Novo Mato Grosso, localizado no município de Cuiabá, espaço projetado para abrigar um complexo multiuso de grande porte. A delimitação espacial da auditoria abrange tanto o canteiro de obras do Autódromo Internacional quanto as estruturas adjacentes modificadas no planejamento original, situando o epicentro da controvérsia administrativa em uma das maiores intervenções urbanísticas e de lazer financiadas pelo Estado.
O marco temporal que deflagrou a ação fiscalizatória consolidou-se na última sexta-feira, com a publicação oficial do despacho do conselheiro-relator Guilherme Antônio Maluf, o qual validou a denúncia originada no encerramento do exercício anterior. O cronograma sob análise remete especificamente aos contratos pactuados ao longo de 2025 e à subsequente realização do evento esportivo em novembro daquele mesmo ano, estabelecendo a tempestividade da intervention regulatória frente aos dispêndios efetuados pela administração.
A apuração desenvolve-se por meio de um rigoroso rito processual técnico, iniciado com o acolhimento da manifestação pela Ouvidoria-Geral e a posterior rejeição do pedido de arquivamento sumário apresentado pela assessoria jurídica da MT Par. O relator determinou o envio imediato de todos os autos à Secretaria de Controle Externo de Obras e Infraestrutura, unidade setorial especializada que procederá ao exame pericial de planilhas orçamentárias, editais de concorrência e medições físicas de engenharia.
A instauração do procedimento investigatório fundamenta-se na necessidade imperiosa de salvaguardar o patrimônio público e assegurar a observância irrestrita dos princípios constitucionais da moralidade, publicidade e eficiência. O conselheiro pontuou que as justificativas preliminares da estatal, que atribuíram o acréscimo de custos à ampliação do escopo do projeto e ao severo impacto inflacionário do período, não possuem o condão de elidir as suspeitas materiais apresentadas, demandando cognição exauriente e profunda.
O propósito final da intervenção do órgão de controle externo visa à aplicação de severas sanções administrativas e pecuniárias aos gestores responsáveis, além de exigir o ressarcimento integral de eventuais prejuízos causados aos cofres públicos mato-grossenses. Busca-se, por meio dessa tutela corretiva de longo alcance, restabelecer a estrita legalidade na execução de parcerias e garantir que grandes complexos de entretenimento não operem como escoadouros de verbas públicas.

O montante financeiro total sob severo escrutínio fiscal atinge a expressiva e vultosa cifra de R$ 208,1 milhões, soma global que engloba três contratos principais aditados substancialmente pela diretoria executiva da MT Par sob o pretexto de readequação técnica do projeto original. Entre os valores específicos questionados pelos auditores, destaca-se um sobrepreço estimado em R$ 3 milhões em uma única licitação de terraplanagem, o que motivou o pedido de suspensão de repasses financeiros.
A representação jurídica foi provocada de forma exógena por meio de uma denúncia qualificada e detalhada encaminhada diretamente à Ouvidoria-Geral do TCE/MT, acompanhada de farta documentação indiciária e relatórios técnicos substanciais. Embora a identidade do denunciante seja estritamente preservada pelo sigilo institucional e legal, os elementos de convicção apresentados foram considerados robustos o suficiente para superar o juízo de admissibilidade e forçar a instrução processual.
Os desdobramentos imediatos e próximos passos do caso compreendem a análise pericial aprofundada pela equipe técnica de engenharia do Tribunal de Contas, que emitirá um parecer conclusivo para subsidiar o julgamento definitivo do mérito pelo Plenário.
Paralelamente, o conselheiro-relator indeferiu o pedido de liminar para a suspensão imediata dos pagamentos em curso, justificando a ausência de perigo iminente da demora, o que mantém o cronograma de execução ativo enquanto os réus preparam suas respectivas defesas.
Destaques
Pesquisadores da UNEMAT divulgam nota técnica que defende a ampliação da Estação Ecológica Taiamã
Em meio à tramitação do Projeto de Decreto Legislativo 171/2026 que pretende suspender os efeitos da ampliação da Estação Ecológica Taiamã, em Cáceres (MT), decretada pela Presidência da República em março deste ano, uma nota técnica reforça evidências científicas, dados oficiais e análises técnicas sobre a viabilidade da proposta. O documento é assinado por um grupo de professores e pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).
A publicação “Ampliação da Estação Ecológica de Taiamã e Hidrovia Paraguai-Paraná: subsídios técnicos, econômicos e socioambientais para o debate público em Cáceres-MT”, está organizada em 14 pontos. Entre os temas analisados estão a base legal da ampliação da unidade de conservação; as justificativas científicas para a inclusão de novas áreas; a importância da diversidade de macrohabitats para a conservação dos peixes; dados do MapBiomas que evidenciam o processo de redução das áreas alagadas do Pantanal; a estimativa do estoque de carbono protegido; o impacto positivo na arrecadação municipal por meio do ICMS Ecológico; além de um comparativo entre os benefícios da conservação ambiental e da pecuária extensiva.
“A ampliação da Estação Ecológica de Taiamã é uma decisão construída sobre evidências técnicas, processo participativo e demanda histórica de pesquisadores e comunidades. Seus benefícios são verificáveis e de ampla distribuição: proteção dos berçários de peixes essenciais para a pesca de Cáceres, manutenção do pulso de inundação pantaneiro, conservação de um estoque de carbono de 11 milhões de toneladas de CO₂eq, cujo valor climático é global e cuja destruição seria irreversível, além de incremento direto de R$ 1,5 a 4 milhões anuais no ICMS Ecológico da Prefeitura, e base para o ecoturismo regional“, conclui a nota técnica.
Dos biomas brasileiros, o Pantanal é o que possui a menor área protegida, com cerca de 5%. Nos últimos anos, o território vem sofrendo com secas cada vez mais graves, incêndios, além do avanço do agronegócio e outras atividades econômicas exploratórias. Por esta razão, o anúncio da ampliação de 104 mil hectares este ano foi motivo de esperança para quem vive, estuda, respira e defende o Pantanal. A ampliação é fruto de anos de estudo e foi apresentada pelo ICMBio, entidade referência em Unidades de Conservação do país.
Ao reunir informações científicas, jurídicas, econômicas e socioambientais em um único documento, a nota técnica da equipe da UNEMAT é um reforço nas mobilizações locais e nacionais contrárias ao PDL 171/2026. De autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), o projeto teve o regime de urgência aprovado no plenário da Câmara e corre o risco de ser votado antes do recesso parlamentar.
A pressão da sociedade civil é para que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), interrompa a tramitação da pauta. Além de tentar derrubar a ampliação da Estação Taiamã, a deputada mato-grossense, que não possui histórico de propostas em defesa do meio ambiente, também quer vetar o aumento de áreas protegidas no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, com o PDL 170/26.
A mobilização conta com a participação pública e pode ser feita das seguintes formas:
·Reenvio de cartas institucionais para a presidência da Câmara ([email protected]) e também [email protected] (com assinatura digital)
·Marcação do perfil @hugomottapb nas redes sociais: “não paute o PDL 171/2026. Não toque na ESEC Taiamã”.
·Entre no site da Câmara e vote contra o projeto: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2612908
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