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Apesar do pessimismo, Geração Z ainda pode construir patrimônio com consciência financeira

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Autor: Daniel Venancio*

Entre as gerações economicamente ativas, os nativos digitais da Geração Z são os que mais consomem informação pela internet, mas essa habilidade não está se traduzindo em consciência financeira. Apesar de investirem mais do que a média dos brasileiros, os jovens entre 18 e 24 anos aplicam em opções pouco rentáveis, compram por impulso e demonstram desilusão quanto à possibilidade de adquirir patrimônio.

Um estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) revelou que 52% dos jovens de 18 a 24 anos têm dinheiro guardado, volume acima da média nacional de 36% apontada pelo Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). O dado contraria o estereótipo de uma geração que só sabe consumir e mostra que existe, sim, uma preocupação com reserva financeira.

Entretanto, o mesmo estudo da CNDL aponta que a maioria dos jovens guarda os valores na poupança ou na própria conta corrente, opções que oferecem pouca ou nenhuma rentabilidade. Em relação ao futuro, apenas 19% guardam para comprar a casa própria e somente 25% se preparam para a aposentadoria. Ou seja, há esforço de poupança, mas falta o segundo passo, que é transformar esse esforço em construção de patrimônio.

A tendência de não fazer planos de longo prazo e ceder ao imediatismo ganhou um nome entre especialistas, o “doom spending”, algo como “gastos do fim do mundo”. O termo faz referência à visão pessimista que os jovens têm do futuro, alimentada pelo medo de nunca conseguirem comprar um carro ou uma casa, ou mesmo de presenciar uma espécie de “fim da humanidade”, seja por crise climática, instabilidade econômica ou conflitos geopolíticos. Se o amanhã parece incerto demais, gastar hoje vira uma resposta emocional compreensível, ainda que financeiramente ruim.

Consórcio como aliado da consciência financeira

Por outro lado, parte expressiva dos jovens tem buscado alternativas para escapar da armadilha do doom spending, lidar com os gastos impulsivos e conquistar bens de alto valor sem entrar em dívidas que se arrastam por anos.

No Brasil, muitos estão encontrando essa saída no consórcio, um modelo de financiamento genuinamente nacional. A modalidade tem se destacado justamente por oferecer uma perspectiva concreta de conquista, sem o peso dos juros do crédito tradicional, trocando o desejo imediato pela certeza de longo prazo. Em vez de pagar caro pela pressa, o consorciado investe na disciplina, em um exercício prático de consciência financeira que se encaixa bem no perfil de quem já demonstrou disposição para guardar dinheiro, mas ainda procura o caminho certo para fazê-lo render.

O funcionamento do consórcio também ajuda a explicar por que o modelo dialoga tão bem com essa geração. Sem juros e com parcelas previsíveis do começo ao fim, o consorciado sabe exatamente quanto vai pagar e por quanto tempo, uma transparência que contrasta com a opacidade de muitos financiamentos tradicionais, em que o custo total só fica claro depois de meses de pagamento. Para uma geração que cresceu acostumada a comparar preços, ler avaliações e desconfiar de letras miúdas, essa clareza tem um valor importante.

Há, ainda, o elemento comportamental, uma vez que a parcela entra na rotina como um compromisso fixo, o que transforma a poupança em hábito sem depender da força de vontade do consorciado mês a mês. Para quem reconhece a própria tendência ao consumo por impulso, e os jovens da Geração Z costumam reconhecer isso com bastante honestidade, esse “empurrão” faz diferença, sobretudo por se tratar de um modelo que que protege o próprio dinheiro de decisões momentâneas.

Vale destacar também a flexibilidade do consórcio, que, atualmente, cobre uma infinidade de bens, e não mais apenas o carro ou o imóvel. Essa diversidade de objetivos conversa diretamente com uma geração que projeta seu patrimônio para além do binômio “casa e carro“, e que muitas vezes pensa em construir negócio próprio, investir na própria formação ou financiar projetos pessoais que não se encaixam nas categorias tradicionais de crédito.

O comportamento da Geração Z

No geral, a busca proativa dos jovens por alternativas para construir patrimônio deve servir como um importante alerta ao mercado. O pessimismo frequentemente atribuído à Geração Z é fruto da percepção de que os caminhos tradicionais para a construção de patrimônio ficaram mais estreitos, caros e desafiadores, não da falta de ambição.

Diante dessa realidade, é preciso desenvolver soluções que tornem a aquisição de bens duráveis mais acessível, ao mesmo tempo em que permitam que o consumidor transforme a consciência financeira em patrimônio de longo prazo. Por isso, modelos que valorizem a previsibilidade, o comprometimento financeiro consciente e a construção gradual de riqueza tendem a encontrar cada vez mais aderência junto a esse público.

Mais do que consumidores imediatistas, os jovens de hoje buscam alternativas que ofereçam equilíbrio entre acesso, planejamento e construção de riqueza. Assim, compreender essa diferença é o primeiro passo para transformar o pessimismo em confiança, para alcançar a consciência financeira e, finalmente, conquistar patrimônio..

*Daniel Venancio é Diretor Executivo de Operações na Âncora Consórcios, uma das maiores administradoras independentes de consórcios do Brasil.

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A primeira consulta ginecológica é sobre confiança, não apenas sobre exames

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Autora: Giovana Fortunato*

A primeira consulta ginecológica é um marco importante na saúde da menina e pode influenciar positivamente sua relação com o autocuidado ao longo da vida. Muitas mães e pais têm dúvidas sobre o momento ideal para essa primeira visita e quais assuntos podem ser abordados. Compreender essa etapa é fundamental para oferecer um ambiente seguro, acolhedor e informativo para a adolescente.

O atendimento ginecológico nessa fase da vida possui características próprias, diretamente relacionadas às necessidades dessa faixa etária que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), compreende adolescentes entre 10 e 19 anos. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam que a primeira consulta ocorra entre os 9 e 15 anos de idade.

Em algumas situações, porém, essa avaliação deve ser antecipada, como nos casos de primeira menstruação antes dos 9 anos, sinais de puberdade precoce (como o desenvolvimento das mamas antes dos 8 anos), irregularidades menstruais importantes, fluxo menstrual muito intenso, cólicas incapacitantes, dúvidas sobre o desenvolvimento corporal ou necessidade de orientação sobre higiene íntima e prevenção de doenças. Mesmo quando não há sintomas ou queixas específicas, recomenda-se que a primeira consulta aconteça entre os 13 e 15 anos, com foco na educação em saúde e na prevenção.

A consulta ginecológica da adolescente vai muito além de um atendimento técnico. Embora compartilhe alguns aspectos com o acompanhamento da mulher adulta, ela exige uma abordagem específica, respeitando as transformações físicas, emocionais e comportamentais próprias dessa fase da vida.

Durante a consulta podem ser abordados temas como puberdade, ciclo menstrual, sexualidade, métodos contraceptivos, vacinação, prevenção de infecções, autocuidado e hábitos de vida saudáveis. Também é um momento oportuno para esclarecer dúvidas e orientar a adolescente sobre as mudanças naturais do corpo.

É importante lembrar que, na adolescência, existe um descompasso entre a maturidade reprodutiva, que já está estabelecida, e o desenvolvimento do cérebro, especialmente das áreas responsáveis pelo planejamento, pelo controle dos impulsos e pela tomada de decisões, que ainda está em curso. Por isso, é uma fase em que emoções, paixões e impulsos frequentemente se sobrepõem à razão, tornando a orientação médica ainda mais relevante.

Outro aspecto fundamental é a privacidade. Para que a adolescente se sinta segura para falar sobre dúvidas, comportamento sexual, sintomas ou situações de vulnerabilidade, é recomendável que parte da consulta aconteça individualmente, mesmo quando ela está acompanhada pelos pais ou responsáveis. Esse momento reservado não exclui a participação da família. Pelo contrário, sempre que possível, a adolescente deve ser incentivada a manter o diálogo com seus responsáveis. O mais importante é que os limites da confidencialidade sejam explicados de forma clara tanto para a jovem quanto para sua família.

O exame físico, quando necessário, deve ser explicado passo a passo e jamais realizado sem o consentimento da paciente. Um dos maiores receios nessa faixa etária é justamente o exame ginecológico, o que exige do profissional uma postura acolhedora, respeitosa e sensível aos sentimentos de vergonha, medo ou constrangimento.

Se não houver urgência e a adolescente não se sentir preparada, o exame ginecológico pode ser adiado. Ainda assim, a consulta permite uma avaliação geral da saúde, incluindo peso, estatura, índice de massa corporal, pressão arterial, desenvolvimento puberal e investigação de possíveis queixas clínicas.

Mais do que uma consulta, esse primeiro encontro representa o início de uma longa parceria entre a adolescente e sua ginecologista. É nesse momento que começa a construção de uma relação de confiança, essencial para promover a saúde, a prevenção e o bem-estar em todas as fases da vida.

*Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade na Eladium, em Cuiabá-MT.

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