TER UM NOME INDEPENDENTE E ADEQUADO PARA 2024
“Botelho é um puxadinho do Prefeito de Cuiabá”
Em dezembro de 2022, o veterano deputado estadual José Eduardo Botelho (UB), atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), começou a sonhar com a possibilidade de ocupar a cadeira número 1 da Prefeitura Municipal de Cuiabá, atualmente ocupada pelo emedebista Emanuel Pinheiro.
O parlamentar unista encomendou uma pesquisa de opinião popular que confirmou a importância do apoio de Emanuel Pinheiro para suas chances de vencer as eleições de 2024 e se tornar o chefe do Executivo da capital mato-grossense.
Os números da pesquisa naquela época revelaram um alto “índice de transferência de votos” de Emanuel Pinheiro para o candidato que ele apoiasse nas eleições de 2024, o que impressionou o grupo político de José Eduardo Botelho. Esse grupo começou a sondar Emanuel Pinheiro sobre a possibilidade de seu apoio na disputa pelo Palácio Alencastro.

Emanuel Pinheiro fez questão de ressaltar, naquela ocasião, que, apesar de sua amizade com José Roberto Stopa (PV), seu atual vice-prefeito e seu nome preferido para a disputa pela Prefeitura de Cuiabá, uma aliança com Eduardo Botelho implicaria no rompimento do parlamentar com o atual governador, Mauro Mendes (UB).
Estar ao lado do gestor estadual no palanque não parecia ser a prioridade do prefeito cuiabano, e a recíproca era verdadeira.
Em 2020, Emanuel Pinheiro conseguiu reverter uma eleição considerada por muitos como perdida. Ele estava mais de 8 mil votos atrás do candidato Abílio Jr. no primeiro turno, mas virou o jogo no segundo turno e permaneceu no cargo. Um de seus principais trunfos foi destacar os feitos de sua gestão, especialmente nas áreas mais carentes da cidade.
O deputado estadual do União Brasil (UB), Eduardo Botelho, nesta última pesquisa que realizada pelo Instituto Percent, aparece em segundo lugar com 20,1% das intenções de voto, praticamente empatado tecnicamente com o deputado federal, Abílio Brunini (PL), que apresentou 20,6%.
Botelho ainda parece estar muito ligado a Emanuel
No entanto, a possibilidade de Eduardo Botelho concorrer à Prefeitura de Cuiabá gerou debate dentro do partido. Durante uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), a parlamentar federal Gisela Simona, presidente do União Brasil Mulher em Mato Grosso, expressou seu apoio ao nome de Fábio Paulino Garcia, deputado federal e secretário-chefe da Casa Civil, também do mesmo partido, para concorrer diretamente à Prefeitura Municipal de Cuiabá nas eleições de 2024.
Ela argumentou que é importante ter uma candidatura que represente “oposição” à gestão atual de Emanuel Pinheiro e afirmou que a candidatura de José Eduardo Botelho é uma extensão do atual prefeito cuiabano.
Gisela Simona, atualmente ocupando a vaga do deputado federal Fábio Garcia, que está licenciado e atuando como secretário-chefe da Casa Civil, disse:
“Queremos uma uma candidatura que seja uma verdadeira oposição à gestão atual. Acredito que o nome de Fábio Garcia seja mais independente e adequado para as eleições de 2024, enquanto Botelho ainda parece estar muito ligado a Emanuel“.
A ex-superintendente do Procon de Mato Grosso, Gisela Simona ingressou no União Brasil, legenda onde concorreu a deputada federal nas eleições de 2022. O ato de filiação ocorreu em Brasília e contou com o presidente nacional da sigla, Luciano Bivar, e se aproximou do grupo do governador Mauro Mendes desde o ano passado, e está tem acompanhando de perto as decisões do Palácio Paiaguás, e anunciou um grande ato de filiação de mulheres em Mato Grosso programado para o dia 30 de outubro.
Contudo, antes disso, ela já vinha estreitando o diálogo com o União Brasil, através de uma articulação do próprio governador Mauro Mendes, do mesmo partido. A ex-candidata a Prefeita de Cuiabá também vinha sendo cortejada por outras legendas por ser vista como um nome forte para a disputa eleitoral em 2022. Isso porque em 2018, quando se candidatou pela primeira vez, Gisela Simona recebeu 50.682 votos. O maior percentual de votação veio da capital, onde foi escolhida por 33.762 eleitores. Na disputa ao Palácio Alencastro em 2020, ficou como terceira colocada com 52.191 votos.
Nas eleições de 2022, Simona foi a 11ª candidata a obter mais votos na disputa a uma vaga na Câmara dos Deputados. Conquistou 28.897 votos sendo diplomada a primeira suplente do União Brasil.
Política
TRE/MT mantém mandato em Várzea Grande e consolida jurisprudência sobre limites processuais
A Justiça Eleitoral no Estado de Mato Grosso rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração que visavam à cassação do mandato da Prefeita de Várzea Grande, Flávia Petersen Moretti de Araujo, mais conhecida como Flávia Moretti (PL). O veredicto, proferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso (TRE/MT), ratificou a improcedência das acusações formuladas pelas agremiações adversárias. A decisão unânime do colegiado acompanhou integralmente o parecer lavrado pela Procuradoria Regional Eleitoral (PGE), consolidando a permanência da chefe do Poder Executivo Municipal no cargo para o qual fora democraticamente eleita.
Os partidos Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e União Brasil (UB) figuraram como os autores da peça recursal que pretendia reverter a higidez do pleito majoritário. As agremiações partidárias locais, que compunham a oposição à atual administração no município, uniram esforços jurídicos para tentar desestabilizar a governabilidade da mandatária. A investida judicial demonstrou o acirramento das forças políticas na região, que buscaram nas instâncias tribunais a modificação do resultado soberano que decorreu diretamente das urnas.
A representação fundamentava-se em graves alegações de abuso de poder econômico, uso indevido de meios de comunicação social, propagação intencional de notícias falsas e captação ilícita de sufrágio, popularmente denominada caixa dois. O bloco oposicionista sustentava que o equilíbrio da disputa eleitoral restara severamente comprometido por condutas vedadas pela legislação vigente. Tais práticas, segundo a tese apresentada pelos demandantes, teriam influenciado o eleitorado de forma fraudulenta, justificando a aplicação da sanção máxima de perda do diploma.

A sessão extraordinária de julgamento ocorreu na última segunda-feira, dia 6 de julho de 2026, nas dependências do Tribunal Regional Eleitoral, em Cuiabá. O plenário da corte serviu de cenário para debates jurídicos complexos que atraíram a atenção de juristas, jornalistas e analistas políticos de todo o estado. A tempestividade do pronunciamento judicial evidenciou o compromisso do órgão com a celeridade processual, especialmente em matérias que envolvem a estabilidade institucional de importantes municípios mato-grossenses.
O juiz Raphael Arantes, relator designado para o processo, conduziu o voto condutor que norteou o posicionamento definitivo adotado pela Corte Eleitoral. Em sua manifestação detalhada, o magistrado asseverou expressamente que o recurso interposto pelas siglas subestimava a natureza jurídica dos embargos, os quais possuem contornos estritos.
O julgador enfatizou que a via eleita pelos recorrentes buscava, de maneira inadequada, a rediscussão do mérito da causa, finalidade que se mostra inteiramente vedada pelo ordenamento processual civil brasileiro.
A motivação central da rejeição residiu na absoluta ausência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão originário, requisitos indispensáveis para o acolhimento de embargos aclaratórios. O relator expôs detalhadamente que todas as teses defensivas e acusatórias foram exaustivamente analisadas por ocasião do julgamento primevo. A fundamentação abrangeu metodologias complexas, tais como a teoria do mosaico, a análise minuciosa da prestação de contas e o exame de representações autônomas, demonstrando a completude da prestação jurisdicional oferecida.
Os litigantes valeram-se da inserção de um fato superveniente que consistia em um registro audiovisual amplamente divulgado nas plataformas digitais da internet. O vídeo em questão exibia o cônjuge da prefeita, Carlos Alberto de Araújo, efetuando a contagem de expressivas quantias de cédulas monetárias em espécie.
A oposição pretendia converter o aludido material na prova incontestável que atestaria o alegado abuso financeiro, inserindo o elemento fático tardiamente no bojo dos autos com o intuito de impressionar o colegiado.
A prefeita várzea-grandense, Flávia Moretti manifestou-se publicamente em defesa de seu consorte, sustentando veementemente que as imagens veiculadas encontravam-se totalmente descontextualizadas e referiam-se a período pretérito à campanha. Como desdobramento político do episódio, o esposo da chefe do Executivo Municipal, que havia sido nomeado para exercer o cargo de secretário municipal de Assuntos Estratégicos, acabou sendo sumariamente exonerado das suas funções públicas. A medida administrativa visou resguardar a moralidade e a impessoalidade da gestão perante a opinião pública e os órgãos de controle.
O desfecho do julgamento ocorreu mediante a constatação técnica de que os elementos trazidos à baila careciam de nexo causal direto com o processo eleitoral em julgamento. O Tribunal Pleno reconheceu que, embora o vídeo contivesse imagens impactantes, a peça jurídica carecia de lastro probatório robusto apto a vincular os valores à campanha eleitoral da candidata vitoriosa.
Dessa forma, a aplicação rigorosa do princípio do livre convencimento motivado impediu que suposições políticas sobrepujassem as garantias fundamentais do devido processo legal.
A despeito da manutenção do mandato da prefeita, o Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso (TRE/MT) manteve a determinação formal para que o Ministério Público Eleitoral (MPE) investigue autonomamente a origem e o destino do numerário exibido. Essa providência fiscalizatória visa apurar eventuais ilícitos civis ou criminais na esfera competente, sem interferir na estabilidade do mandato conferido pelo voto popular.
O cenário político em Várzea Grande pacifica-se temporariamente na esfera judicial, restando às forças políticas a observância das balizas fixadas pela magistratura eleitoral contemporânea.
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