ACORDO É UM "SUICÍDIO POLÍTICO"
Articulações antecipadas entre senadores acirra disputa pelo Palácio Paiaguás
As articulações políticas para a sucessão do Governo de Mato Grosso em 2026 ganharam novo impulso e maior visibilidade nesta semana após declarações do Senador Jayme Campos (UB) à imprensa. Ao relatar detalhes de uma conversa telefônica com o Senador Wellington Fagundes (PL), Jayme trouxe à tona negociações que até então circulavam apenas nos bastidores, evidenciando que a corrida pelo Palácio Paiaguás já mobiliza lideranças de diferentes partidos e intensifica a disputa interna entre pré-candidatos.
Segundo Jayme Campos do União Brasil (UB), o contato partiu do liberal Wellington Fagundes, que teria solicitado apoio para uma eventual candidatura ao governo estadual. Durante o diálogo, o senador do União Brasil afirmou ter deixado claro que também se coloca como pré-candidato ao cargo e que não abriria mão de seu projeto político sem critérios objetivos. De acordo com ele, qualquer definição sobre alianças ou composições deverá considerar dados concretos, especialmente o desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
Ainda conforme o relato, Wellington Fagundes teria sugerido a inclusão de Lucimar Campos, esposa de Jayme Campos, como vice em sua chapa. A proposta foi rebatida de forma direta pelo senador, que condicionou a possibilidade a um cenário em que o pré-candidato do PL estivesse à frente nas sondagens eleitorais. Jayme Campos acrescentou que, ao inverter a lógica e questionar se Wellington Fagundes aceitaria ceder sua esposa, Mariene Fagundes, como vice em uma eventual chapa liderada por ele, a resposta veio em tom descontraído, acompanhada de risadas.
O episódio, embora descrito como informal, expõe a antecipação e a intensidade das articulações políticas em Mato Grosso, além de revelar as dificuldades enfrentadas por alguns pré-candidatos para consolidar seus projetos. Nos bastidores, aliados avaliam que a intensificação de contatos e propostas de composição pode refletir a necessidade de ampliar apoios e reduzir resistências internas antes que o cenário eleitoral esteja plenamente definido.
A divulgação do conteúdo da conversa reforça que a disputa pelo Governo de Mato Grosso já está em curso e reacende o debate sobre transparência e responsabilidade no processo político. Com a aproximação das eleições de 2026, cresce a expectativa de que os pré-candidatos priorizem a apresentação de propostas concretas e projetos consistentes para o estado, deslocando acordos de bastidores para um plano secundário diante do interesse público e do eleitorado.
Abílio critica e chama acordo de “suicídio político”
A suposta articulação política entre os Senadores Wellington Fagundes do Partido Liberal (PL) e Jayme Campos do União Brasil (UB) para as eleições de 2026 foi duramente criticado pelo Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e descartou qualquer participação no acordo firmado entre as duas partes.
O chefe do Executivo Municipal, afirmou não acreditar que Wellington Fagundes tenha feito a proposta e atribuiu a articulação a uma iniciativa de Jayme Campos. Para ele, a indicação da ex-prefeita de Várzea Grande, Lucimar Campos (UB), como vice seria um “suicídio político” e que “vai perder a eleição” em 2026.
“Se fosse eu escolhendo, eu não escolheria. Isso não é uma escolha da direita. Isso é uma escolha de Wellington e Jayme. A escolha da direita vai ser nas urnas. E eu não acredito que o Wellington fez essa proposta de acordo. Eu acho que é o Jayme tentando achar uma saída honrosa. A não ser que ele não queira ganhar a eleição. Se ele não quiser ganhar a eleição, ele faz essa proposta“.
Segundo o liberal Abilio Brunini, a aliança não representa a direita em Mato Grosso, e que alianças políticas não definem posicionamento ideológico.
“Isso não é de direita. A escolha da direita vai ser nas urnas”.
A polêmica ganhou força após Jayme Campos revelar, na semana passada, que recebeu uma ligação de Wellington Fagundes para tratar de apoio na disputa de 2026. Segundo o senador do União Brasil (UB), a conversa evoluiu para um acordo baseado em pesquisas eleitorais, no qual o pré-candidato melhor posicionado teria o apoio do outro, enquanto a esposa do “derrotado” nas sondagens ocuparia a vaga de vice.
Fora do palanque
Já a Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), não só torceu o nariz como classificou o movimento como um “tiro no pé” o acordo entre o Senador Wellington Fagundes e Jayme Campos. Ela deixou claro que, se o acordo com a família Campos se confirmar, o apoio ao Senador liberal pode ir pelo ralo. Um recado direto, público e nada amistoso.
Com o posicionamentos das duas lideranças políticas do Partido Liberal (PL), Wellington conseguiu algo inédito: afastar, ao mesmo tempo, os dois prefeitos das maiores cidades do Estado, ambos do seu próprio partido. Se a ideia era ampliar o palanque, o efeito inicial foi esvaziá-lo.
O Senador Wellington Fagundes já enfrenta resistência dentro de casa, antes mesmo de a campanha começar oficialmente. Um começo que mais parece alerta do que largada.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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