Política
Apoio a Wellington ameaça esquerda
Percival Muniz anuncia filiação ao PDT pensando em coligação de esquerda, mas presidente do PCdoB defende apoio a senador republicano
Comunistas e socialistas costuram nos bastidores o nome de Percival Muniz para candidato ao governo numa coligação formada por PDT, PCdoB, PT e possivelmente o PSB; medindo palavras Percival admite tal hipótese. Mas nessa corrente ideológica o presidente do PCdoB, Manoel Motta, tem outro entendimento: defende o senador Wellington Fagundes (PR) para governador, com seu partido compondo uma aliança com Wellington e indicando o nome da professora e ex-reitora da UFMT, Maria Lúcia Cavalli, ao Senado.
Em busca da convergência para a formação de uma corrente de esquerda nos moldes em que nacionalmente o Manifesto Unidade para Reconstruir o Brasil (PT, PDT, PSB, PCdoB e PSOL) tenta, socialistas e comunistas mato-grossenses buscam nomes e afiam discurso acreditando que será possível viabilizar tal projeto. Também apostando na formação dessa coligação Percival deixou o PPS e anunciou que assinará ficha ao PDT do deputado estadual Zeca Viana.
Mesmo admitindo que seu nome seja apontado enquanto provável candidato ao governo, Percival não faz dessa condição exigência para se filiar ao PDT. Sustenta que está afinado com Viana independentemente ou não de candidatura. “Partido é igual noivo; é ele quem escolhe a noiva para casamento”, arredonda a justificativa. Percival acrescenta que tanto ele quanto Viana querem participar do processo eleitoral, mas que não impõem condições exigindo “essa ou aquela candidatura para esse ou aquele cargo”.
Líderes de partidos da aliança que se cogita formar não levam em conta a participação do PSB, como se discutiu no começo deste mês, quando as siglas se reuniram para discutir a questão. Isso, porque o líder daquele partido, deputado federal Valtenir Pereira, poderá migrar para o MDB ou até mesmo outro partido, e suas lideranças na Assembleia e na Câmara dos Deputados se desfiliaram. O PSOL, que nacionalmente integra o Manifesto Unidade, em Mato Grosso não articula com os demais partidos, optando pelo isolamento e em razão disso é mantido fora das conversações.
A formação dessa aliança poderá perder força ou até mesmo morrer no nascedouro, caso prevaleça à tese defendida por Motta, que é segundo suplente de Wellington. Motta discutirá nas instâncias internas do PCdoB a proposta de apoio a Wellington ao governo, desde que mantido o nome de Maria Lúcia ao Senado.
Prevalecendo o nome do senador republicano o PDT de Viana terá que optar em avançar com sua costura ou até mesmo apoiar o senador republicano, mas nesse caso Percival deverá ser descartado para cargo majoritário uma vez que ele e Wellington são da mesma cidade, Rondonópolis, e nesse tipo de disputa não se pode regionalizar chapa nem se excluir Cuiabá; na mesma situação encontra-se Viana, que é de Primavera do Leste.
A tese de Motta deixará o PCdoB em ebulição, porque até então a tese da aliança em formação era vista com naturalidade pelos comunistas. Ele, porém, argumenta que o caso (apoio a Wellington) será debatido com profundidade internamente.
Esse posicionamento de Motta é revelado pela primeira vez e inclusive não é de conhecimento de seu partido e aliados. Segundo ele, sua tese tem alguns fundamentos básicos.
- Primeiro, o PCdoB é oposição ao governo Pedro Taques, que “chega ao seu último ano sem apresentar um projeto de desenvolvimento com justiça social”, “além de outros percalços”.
- Segundo, o nome de Wellington ao governo é viável, o que criaria maior perspectiva de vitória à oposição, além de contribuir para o fortalecimento do nome de Maria Lúcia, já que os candidatos a cargos majoritários colam um no outro. Motta foi cauteloso quanto ao fato de ser suplente, mas reconheceu que se Wellington for vitorioso o PCdoB sobe da segunda para a primeira suplência no Senado. Questionado se a perspectiva de tal mudança na suplência que o contemplaria diretamente o estaria motivando, respondeu que “não”, mas deixou escapar que política não é feita por anjos, “eu não sou anjo”, resumiu. – (Por-Eduardo Gomes/DC).
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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