ALMOÇO COM SABOR DE CAMPANHA
“A saída para o impasse diplomático que abala a relação entre Brasil e Estados Unidos é o diálogo institucional”
Em visita ao Estado de Mato Grosso, o governador de São Paulo, o Republicanos, Tarcísio de Freitas, extremamente cauteloso e “blindado” para não causar rumores políticos acima do normal, manteve um encontro com parte do PIB do Agronegócio e líderes políticos, na expectativa de discutir acordos visando as eleições de 2026 em Mato Grosso.
Tarcísio de Freitas que é cotado para disputar o Planalto em 2026. Porém, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda não definiu o seu apoio a um candidato de direita. Bolsonaro está inelegível até 2030, por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas afirmou que vai registrar sua candidatura no próximo ano.
As incertezas em torno do futuro político do Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas agitam os bastidores da política paulista. Embora insista em dizer publicamente que disputará a reeleição em 2026, crescem as apostas de que ele será o escolhido de Jair Bolsonaro (PL) para representar a direita na sucessão presidencial, especialmente diante da inelegibilidade do ex-presidente até 2030.
A cada nova pesquisa que aponta Tarcísio de Fretas como o nome mais competitivo do campo bolsonarista contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cresce também o movimento de aliados que buscam se posicionar como possíveis sucessores no Palácio dos Bandeirantes.

Visita a Mato Grosso
A presença do governador paulista cotado para disputar a Presidência da República pela direita, por sinal, irritou bolsonarista do Partido Liberal (PL), tão logo a visita foi anunciada, na semana passada. E causou preocupação, ainda mais agora, quando os mais próximos queriam sua presença e imagem grudada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, desde sexta-feira (19), teve contra si medidas restritivas impostas por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF),
Recepcionado na denominada “Casa do Agronegócio“, na região do Florais, zona rural de Cuiabá, entre líderes das gigantes Bom Futuro e Amaggi, dos megaempresários e primos Erai Maggi e Blairo Maggi, do PP, Tarcísio de Freitas se reuniu com o PIB do Agronegócio, com os maiores do setor em Mato Grosso.
Solicito com o afago dos megaprodutores, que se mostram insatisfeitos em participar dos processos eleitorais como candidatos e eleitos, os conhecidos “Barões do Agronegócio”, o governador paulista encantou os presentes e posou como candidato natural da direita bolsonarista.
Obviamente, no encontro, não se levou em conta o que a participação dos “barões” nas disputas eleitorais provoca nos próprios negócios. Como a super-depreciação e a politização, quando envolvem assuntos delicados, como desmatamento de áreas essenciais, Amazônia, Pantanal e Cerrado; desregulação climática; trabalho escravo; desemprego; êxodo rural (devido à mecanização); doenças advindas de alimentos contaminados por defensivos; conflitos agrários por posse de terras etc.
Tarcísio de Freitas se mostrou um hábil político, mesmo estando em seu primeiro mandato eletivo, ao não tocar no nome do padrinho político Bolsonaro. Até pela beligerância que sua presença gerou no Partido Liberal em Mato Grosso, já que ele é filiado ao Republicanos, o mesmo partido do vice-governador Otaviano Pivetta, pré-candidato à sucessão do governador Mauro Mendes (UB).
Só que o chefe do Executivo do Estado de São Paulo demonstra certa dependência do PL, que em Mato Grosso tem candidato próprio e definido, com poucas ou quase nenhuma chance de o senador Wellington Fagundes recuar, já que, aos 68 anos, completados em 10 de junho último, vê a idade e alguns problemas de saúde, mantidos à distância da imprensa e da população, como sua última possibilidade de concorrer ao cargo máximo da política eleitoral no Estado.
Wellington Fagundes (PL), aliás, completará a metade do seu segundo mandato de senador em 2026. Portanto, se perder novamente, como perdeu em 2018, quando disputou contra Mauro Mendes e o então governador e candidato à reeleição que também foi derrotado, Pedro Taques, ainda terá quatro anos de mandato pela frente.
Como as conveniências políticas falam mais alto quando o assunto é disputa, em 2018, Mauro Mendes (DEM) e Wellington Fagundes (PR) estavam em lados opostos. Em 2022, Mauro foi candidato à reeleição, tendo como companheiro de chapa do Senador Liberal também candidato à reeleição. Ambos se aproveitaram de suas condições para se favorecerem: o governador buscava a reeleição e o senador, que só entrou nas últimas disputas no meio do mandato, para ter uma válvula de escape caso fosse derrotado, o que realmente aconteceu.
Mas, a visita gerou conflitos com o PL, com Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido, acionados pela claque de Wellington Fagundes, que tenta se viabilizar como candidato não apenas da extrema-direita, mas também de centro. Até alguns dias atrás, Bolsonarimo não demonstrava muita afeição por ele, e sim pelo vice-governador Otaviano Pivetta, como declarado de forma desnecessária pelo Prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), que encarna como ninguém o bolsonarismo.
O melhor do almoço no Grupo Bom Futuro é que estavam presentes os mesmos elementos que, no último dia 8 de julho, em uma conversa de amigos que virou roda política, quando até fizeram questão de dar entrevista à imprensa, alardearam que tinham decidido ser fundamentais a Mato Grosso e sua gente que houvesse continuidade do Governo Mauro Mendes (UB). E que, claro, essa continuidade seria com Otaviano Pivetta, como declarou o ex-ministro, ex-senador e ex-governador, mas sempre megaempresário Blairo Maggi.

Nessa mesma entrevista do dia 8 de julho, ainda falaram o anfitrião da festa deste fim de semana, Cidinho Santos, e o próprio Otaviano Pivetta, sendo que todos falaram em nome do governador Mauro Mendes, que só viria a tratar do assunto dois dias depois, ao lado do Prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), e do próprio vice-governador, para reafirmar seu apoio à pré-candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos).
Mauro, como tem sido praxe, disse que não havia discutido o assunto com seu partido, o União Brasil (UB), em uma demonstração de que, se o partido não acatasse sua intenção, poderia até deixar a sigla. Como, aliás, tentou sem sucesso, ao buscar se filiar ou levar o vice para o PL, em dois eventos públicos, de defesa da anistia para golpistas de 8 de janeiro de 2023, do qual participou o ex-presidente Jair Bolsonaro, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.
Mauro Mendes ainda evitou, na última segunda-feira (14), uma reunião da Executiva do União Brasil, agendada pelo secretário-geral, deputado Dilmar Dal’Bosco, que é líder do Governo e demonstrou sua contrariedade, assim como de outros membros da cúpula, pelo encontro que teria definido pelo nome de Otaviano Pivetta, sem ouvir os demais filiados da agremiação, que é a maior de Mato Grosso.
A reunião para “aparar as arestas” se transformou em reunião de cúpula, à noite, no Palácio Paiaguás, com as principais lideranças do partido, principalmente o senador Jayme Campos, que conclui seu mandato em 10 de fevereiro de 2027 e, portanto, deve disputar as eleições de 2026, ou a reeleição ou o Governo do Estado.

Nessa reunião, por sinal, Jayme Campos foi “liberado” para buscar construir sua candidatura à reeleição ou ao Palácio Paiaguás, e que o governador acataria a decisão da sigla. Embora, pessoalmente, ele reafirmou seu apoio a Otaviano Pivetta. E não decidir, mais uma vez, se deixará o cargo, em março de 2026, desincompatibilizando-se para uma eventual disputa por uma das duas vagas de senador ou uma das oito vagas para a Câmara Federal. Ou se permanece até o final de seu mandato.
O prefeito cuiabano Abílio Brunini e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), Max Russi (PSB), que é considerado uma incógnita no processo eleitoral, também estiveram no encontro do dia 8 de julho, assim como Neri Geller, Adilton Sachetti, do PP, foram pegar “carona” com o governador de São Paulo, que se tornou muito mais presidenciável na última sexta-feira, quando o STF fez nova operação contra Jair Bolsonaro, que foi “premiado” com uma tornozeleira eletrônica, para monitorar seus passos e evitar o que se demonstrava latente, sua possível fuga do país, já que se considera um condenado.
Por causa de todo este cenário político-eleitoral, que ganhou requintes judiciais, é que Tarcísio de Freitas cancelou diversas agendas marcadas na sexta-feira, no sábado e no domingo em Mato Grosso, evitando maiores transtornos e confusões. Afinal, em um casamento regado a muita bebida e muita música, o que for politicamente conversado vai ficar apenas no evento.
Certo ainda é que Tarcísio de Freitas teve que conter alguns empresários afoitos, que desejavam sair do encontro com uma disposição dele em disputar as eleições presidenciais de 2026, já que, pelo visto, o PL ficou de mãos abanando como os últimos acontecimentos, com a família Jair Bolsonaro, que apagou a luz e ímpeto de confronto dos boilsonaristas de plantão.
Em tempo: o vaidoso governador Mauro Mendes, que foi tratado por Tarcísio de Freitas como “um exemplo de gestão” a ser seguido por outros executivos estaduais. Não se fez de rogado e publicou, nas redes sociais, os elogios à sua gestão.
O Governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em viagem a Cuiabá teve como principal objetivo a sua presença no casamento da filha de José Aparecido dos Santos, o Cidinho Santos, com quem tem profunda amizade e o considera um “conselheiro de primeira ordem”, de tal maneira que já o convidou para ocupar cargo de relevância no Governo de São Paulo, da empresária Ana Gabriele Becker, com o empresário Filipe Pitz. – (Com Diário de Cuiabá)
Política
Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”
A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.
O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.
A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.
As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.
Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.
O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.
O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.
A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.
Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.
As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.
E aí está a ironia do roteiro.
Wellington Fagundes, o “Lanterna Verde”, o “Homem da Camisa Verde”, também identificado por setores da direita como “Senador Melancia”, “Verde por fora e vermelho por dentro“, terá que administrar um palanque no qual o “VERMELHO“ já não parece estar escondido debaixo do palanque.
As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.
Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.
O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.
A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.
Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.
O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.
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