COVID-19 NO SISTEMA PRISIONAL
Juiz identifica 600 presos da PCE com suspeita de “Covid-19
Dos 2,3 mil presos detidos na Penitenciária Central do Estado (PCE), 600 apresentam sintomas da “Covid-19“, segundo o juiz da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, Geraldo Fidelis Neto. A Defensoria Pública de Mato Grosso conseguiu decisão do magistrado no dia 19 de junho, determinando que o Hospital Universitário Júlio Muller apresentasse, em três dias, o melhor método de testagem em massa para os presos. Mas, até o momento a medida não foi adotada.
Fidelis informa em decisão, que tomou conhecimento do número de presos sintomáticos dentro da PCE pelo Setor de Saúde do Sistema Prisional e diante da informação, determinou ao Secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, que convoque os profissionais de saúde do sistema para que estejam de prontidão, caso tenham que atuar em situação de emergência.
Determina que os secretários de Saúde do Estado e dos municípios de Cuiabá e Várzea Grande reestruturem pontos de atenção secundária à saúde dos presos, dentro do presídio, que medicamentos “profiláticos” sejam adquiridos e ministrados a todos eles e que não seja negado atendimento aos presos diagnosticados com “Covid-19“, no sistema básico de saúde, de ambos os municípios.
Fidelis pede que seja apresentado um fluxo de atendimento, conduzido pela Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (Saap), com participação das secretarias de Saúde Estadual e dos municípios de Cuiabá e Várzea Grande, com indicação precisa das ações tomadas e plano de trabalho dos profissionais da saúde na PCE e demais unidades de Cuiabá, no prazo de 24h.
“Infelizmente este magistrado tomou conhecimento de que a PCE está com aproximadamente 600 casos suspeitos de contaminação pelo novo coronavírus. Em razão desses casos, dois raios da unidade foram isolados, o Shelter e o Raio 1, e, embora a equipe lá existente se desdobre em ações e cuidados, não será suficiente ao atendimento, de modo que, todos os órgãos do sistema de saúde deverão adotar estratégias de isolamento e prevenção daqueles que ainda não foram contaminados”, afirma trecho da decisão do juiz.
Ele ainda determina que o Conselho da Comunidade da Execução Penal adquira quantidade necessária de medicamentos, sugeridos pelos médicos, de forma emergencial, inclusive, buscando apoio junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso e no Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, se necessário.
Inspeção
O coordenador do Grupo de Atuação Estratégica do Sistema Prisional da DPMT e coordenador do Núcleo de Execução Penal de Cuiabá (NEP), André Rossignolo, lembra que a situação do sistema prisional em Mato Grosso é preocupante desde o início da pandemia, por ser historicamente superlotado e por não garantir as condições sanitárias mínimas para evitar a propagação.
“Participamos de uma inspeção, dentro da unidade, do dia primeiro ao dia 5 de junho, junto com o juiz Fidelis e membros do Ministério Público, depois de recebermos denúncias de que lá haviam presos contaminados. Na ocasião haviam quatro presos isolados no Shelter B com sintomas gripais e todos tomavam invermectina. Após essa inspeção, apresentamos um pedido de providências, no qual, entre outras coisas pedimos a testagem em massa”.
Rossignolo lembra que o pedido de providências foi protocolado no dia 10 de junho.
“A nossa preocupação era que, diante das condições inadequadas do local – que abriga três vezes o número de presos que a estrutura tem capacidade para receber o vírus se espalhasse. Localizar os contaminados e separá-los dos saudáveis era importante para tratá-los e tentar evitar a propagação”, avalia.
Rossignolo lembra que ele e os colegas do NEP consideraram a rapidez em que o vírus se propaga, as condições propícias ao vírus dentro da unidade e o colapso do sistema público de saúde, para cobrar as medidas.
“A PCE tem capacidade para 851 presos e hoje estão lá 2.300. Na ocasião do pedido de testagem, cobramos a urgência em se tomar providências e que os testes poderiam auxiliar na triagem. Lembramos que a demora do Estado em agir poderia significar problemas graves“ disse.
Rossignolo recorda que em Alta Floresta, dos 66 presos, 54 foram detectados com suspeita de “Covid-19“ e dois faleceram. O Boletim oficial do sistema prisional de segunda-feira (2/7) indicou que em todo o Estado 139 presos testaram positivo para “Covid“ e 73 servidores. Em quarentena aguardando resultado estão 126 servidores e 42 presos e curados são 93 presos e 25 servidores.
POLICIAL
Quadrilha de roubo a cargas de soja é presa pela Polícia Civil
Na manhã desta terça-feira (25), foi deflagrada pela Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Organizado (GCCO), a Operação Captivare para cumprir 19 ordens judiciais contra uma organização criminosa envolvida em roubo e receptação de cargas, entre outros delitos.
As investigações da Gerência de Combate ao Organizado (GCCO), tiveram início após os registros de roubos a motoristas de caminhões nos municípios de Rosário Oeste e Várzea Grande, no ano passado. Ao analisar os fatos ocorridos, a Polícia Civil identificou características semelhantes entre eles, o que apontou se tratar de um mesmo grupo criminoso praticando diversos crimes.
As 10 prisões e nove mandados de buscas são cumpridas nas cidades de Várzea Grande e Aripuanã.
Modo de atuação
A Gerência de Combate ao Organizado (GCCO) identificou cinco roubos majorados de carretas com cargas de soja, praticados pelo mesmo grupo, no primeiro semestre de 2022.

Os criminosos aproveitavam um momento em que o motorista de caminhão trafegava em baixa velocidade, muitas vezes devido a quebra-molas ou radares eletrônicos, e subiam no veículo sem que a vítima percebesse e em determinado local, rompiam a “mão de amigo” da carreta forçando, assim, a parada do veículo. Em seguida, armados, os criminosos anunciavam o roubo e mantinham o motorista em cativeiro enquanto outra parte do grupo levava o caminhão e a carga para receptadores.
Além dos veículos e das cargas, o bando roubava outros pertences dos motoristas e, em alguns casos, realizaram transferências bancárias via PIX utilizando o celular da própria vítima.
A investigação apura os crimes de organização criminosa, posse/porte de arma de fogo e receptação.
Para o cumprimento das ordens judiciais são empregados 42 policiais civis entre delegados, investigadores e escrivães da Gerência de Combate ao Organizado (GCCO) e das delegacias da Diretoria de Atividades Especiais: DRE, Defaz, Deccor, Dema e DRCI, além da Delegacia Regional de Juína.
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