CUIDADOS DEVEM SER REDOBRADOS

Picada de cobra? Médica alerta sobre como proceder em acidentes ofídicos

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Quando se trata do universo do cinema ou da TV, um herói ou uma heroína salva a vítima de uma picada de cobra ao rasgar rapidamente uma camisa para usar como torniquete no membro afetado e, em seguida, sugar o veneno da ferida. Na vida real, esqueça. Em vez de ajudar, tais medidas podem piorar a situação, muitas vezes transformando um acidente leve em um de difícil tratamento.

Conforme explica a médica dermatologista Karin Krause Boneti, o torniquete é uma conduta errada. Cuidados devem ser redobrados em rios e cachoeiras durante período de queimadas e calor intenso.

Como o veneno tem uma ação extremamente irritante para a proteína da pele (proteolítica), ele causa um inchaço agudo que rouba muito líquido para essa região e logo pode evoluir para uma síndrome compartimental. Ou seja, um edema intenso/agudo do membro afetado que pode comprimir o feixe vásculo-nervoso e gerar um quadro de má circulação (hipóxia), progredindo até para a necrose do membro“.

Karin ressalta que saber como proceder após o acidente é fundamental.

Primeiro, é muito importante lavar bem o local. Se puder, com água e sabão neutro para evitar a contaminação por outros tipos de germes. Depois, colocar o paciente em repouso para diminuir o metabolismo (não permitindo que o sangue circule tanto) para não afetar o organismo como um todo, pois assim o veneno fica mais inativo por mais tempo. O ideal é elevar o membro para não gerar edema“, comenta.

A médica dermatologista complementa que é essencial que o atendimento profissional seja realizado no menor tempo possível.

A vítima deve ser avaliada por um médico. Se conseguir coletar e levar animal, isso ajudará a identificar qual tipo de soro antiofídico deverá ser administrado no paciente. A conduta médica, inclusive, será de acordo com o grau de envenenamento, sinaliza.

Em casos leves de intoxicação, utiliza-se mais antibiótico local, que também pode ser feito oral. Em casos moderados, antibiótico na veia (endovenoso) e uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Quando há um envenenamento mais grave, com uma síndrome compartimental, recomenda-se fazer uma fasciotomia (descomprimir esse membro fazendo cortes ao longo dele) para que o sangue consiga circular e não leve a uma necrose ou possível amputação, pondera Karin.

PANORAMA

No Brasil, quatro grupos de serpentes causam acidentes que podem ser fatais: as jararacas (Bothrops), responsáveis por mais de 85% dos episódios; as cascavéis (Crotalus), com cerca de 7%; as surucucus (Lachesis), com 4%; e as corais verdadeiras (Micrurus), com menos de 1% dos registros.

Contudo, mesmo mordidas de serpentes não venenosas requerem atendimento médico porque podem inocular bactérias na pessoa e levar a quadro de infecção.

A propósito, nesta época de queimadas e calor elevado em Mato Grosso, as pessoas têm procurado muito banho de cachoeira e rio. Só que animais peçonhentos gostam desse ambiente quente e úmido, que é o habitat natural deles. Com as queimadas, eles se refugiam ainda mais nessas regiões. Por isso, é importante evitar esses tipos de locais. Se não for possível, tenha cuidado e evite levar comida, pois atrai esses animais. No caso de trilhas na natureza, use botas e artifícios para se proteger desse tipo de acidente, alerta Karin.

Recentemente, casos graves como da médica Dieynne Saugo, picada por uma cobra peçonhenta durante um banho na Cachoeira Serra Azul, em Nobres (151 km de Cuiabá), e do falecimento de Giovani Lima Corrêa, picado durante um trabalho rural em Denise (208 km de Cuiabá) reforçaram o alerta para o perigo em Mato Grosso. Ambos acidentes envolveram jararacas e não contaram com soro antiofídico de prontidão nas regiões, atrasando os atendimentos médicos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes com serpentes são considerados uma doença tropical negligenciada.

Estima-se que 5,4 milhões de pessoas são picadas por cobras a cada ano no mundo. Desses, entre 81.000 e 138.000 morrem e até 400.000 ficam permanentemente incapacitadas ou desfiguradas. Para alertar e conscientizar a população sobre o tema, instituiu-se a data de 19 de setembro como Dia Internacional de Atenção aos Acidentes Ofídicos.

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Geral

Secel reabre inscrições para produção do 26º Salão Jovem Arte

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A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) retomou o edital para seleção de organizações interessadas em produzir o 26º Salão Jovem Arte. Com investimento de R$ 350 mil, as inscrições foram reabertas nesta sexta-feira (18) e prosseguem até 19 de outubro.

Realizado pela última vez em 2016, o Salão Jovem Arte tem como objetivo reunir, em mostra coletiva, obras de artistas amadores e profissionais e conceder prêmios aos conjuntos de obras dos participantes além de incentivar, fomentar e divulgar talentos. Neste ano, a seleção pública visa contratar uma Organização da Sociedade Civil (OSC) para gestão e produção da 26ª edição do evento cultural.

A reabertura do edital foi autorizada pelo governador Mauro Mendes no início da semana. Com isso, teremos mais uma importante ação para estimular e reconhecer artistas plásticos e visuais, um evento tradicional que merece ser retomado no estado. Estamos animados em contribuir mais uma vez com a arte mato-grossense, declara o titular da Secel, Alberto Machado.

A mostra irá contemplar artistas de diferentes linguagens, premiando nas categorias naif, contemporânea, escultura, fotografia, arte digital, grafite, xilogravura, aquarela/quadrinhos, instalação/performance.

Para garantir a natureza e a qualidade do Salão, a Secel definiu, em anexos do edital, valores das premiações principal e por categoria, e demais procedimentos obrigatórios, como curadoria, ajuda de custo para deslocamento das obras selecionadas, registro e homenagem in memorian.

O evento será realizado no Palácio da Instrução, em Cuiabá, por um período mínimo dois meses, em calendário a ser definido após a celebração do termo de cooperação.

As instituições interessadas em participar do processo seletivo, devem apresentar portfólio, proposta de trabalho e cronogramas de execução e de desembolso, dentre outras informações.

O evento

O Salão Jovem Arte foi montado pela primeira vez em 1976 como um símbolo de resistência da classe artística à ditadura militar no Brasil. Apesar de ter sido interrompido durante alguns anos, evento é uma tradição no cenário das artes plásticas mato-grossenses.

Sua realização revelou e reconheceu o trabalho de artistas de diferentes gerações, tais como Humberto Espíndola, Dalva de Barros, João Sebastião, Clóvis Irigaray, Adir Sodré, Gervane de Paula, Benedito Nunes, Nilson Pimenta, Marcelo Velasco, Adão Domiciano, Carlos Lopes, Márcio Aurélio Jonas Barros, Vitória Basaia e Regina Pena.

Edital para produção do 26º Salão Jovem Arte

Acesso ao edital: www.cultura.mt.gov.br/editais

Período de inscrições: 18/09 a 19/10/2020

Endereço para inscrições: Avenida José Monteiro de Figueiredo (Lava Pés), 510, Bairro Duque de Caxias, CEP: 78.043-300 – Cuiabá/MT (horário de expediente vigente)

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