CALOTE GERAL
Após calote em salários Cacerense é denunciado por suposto tráfico de pessoas
O tráfico de pessoas é caracterizado pelo “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração”.
A definição encontra-se no Protocolo Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças, complementar à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, conhecida também como Convenção de Palermo.
Acusação grave contra o time do Cacerense
Uma acusação grave tomou conta do noticiário do futebol mato-grossense nos últimos dias. O Cacerense Esporte Clube, rebaixado da primeira divisão estadual, está sendo denunciado por suposto tráfico de pessoas para fins desportivos após calote em salários de elenco, comissão técnica e funcionários.
As queixas chegaram primeiramente à vereadora Mazéh Silva (PT), que protocolou a denúncia ao Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH) de Cáceres. O órgão, então, encaminhou o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Cetrap) e à Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae).
Conforme relatos, além do atraso salarial, os jogadores vivenciaram promessas não cumpridas, situações de insegurança alimentar e descaso por parte da diretoria do clube. Um dos denunciantes chegou a dizer que teve a Carteira de Trabalho rasgada por um dirigente. A coordenadora do CRDH, Polianna de Souza Corrêa, explicou que esses elementos dão caráter de tráfico de pessoas para fins desportivos ao caso.
“Identificamos que haveria indícios de tráfico para fins desportivos. Muitos desses jovens vieram de diferentes estados do país, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco. Estavam em casas alugadas pelo clube, mas não recebiam a assistência devida, não estavam recebendo remuneração conforme estabelecido no contrato. Muitos vieram com promessa de carteira assinada e, ao que tudo indica, isso não aconteceu. Eles se sentiram enganados pela organização do clube. Nas últimas semanas, eles estavam sem alimentação e se alimentavam por meio de doações“.
Após atrasos na primeira folha, que culminou em greve dos atletas, o pagamento referente ao segundo mês só foi possível para parte do elenco pois um grupo de vereadores do município decidiu “apadrinhar” alguns jogadores e arcar com os vencimentos.
Principal nome da equipe, o atacante Flávio Caça-Rato, que revelou a falta de pagamentos, agiu como porta-voz dos atletas e chegou a ir à Câmara Municipal de Cáceres para viabilizar o apoio.
“A minha situação foi resolvida, mas por pessoas que não têm nada a ver com a diretoria. Por parte de vereadores que apadrinhou os jogadores. Não só a minha, como de outros atletas, mas a diretoria não fez nada“, disse Caça-Rato.
Durante a disputa do estadual, o elenco do Cacerense ficou alojado em duas casas alugadas pela diretoria. No entanto, as despesas deixaram de ser pagas e os jogadores passaram a receber ameaças de despejo e de corte de energia. Além disso, a alimentação passou a ser escassa, conforme descreve Polianna.
“Estive em uma das residências. Havia em torno de dez jovens. As condições não eram adequadas. Na geladeira não tinha nada. Há relatos da cozinheira do clube, que deixou de trabalhar porque não chegava mais alimento para ser preparado para os atletas. Ela se sentiu desconfortável e não continuou. Uma das coisas mais relatadas foi em relação à falta de alimento. Se não fossem as doações, eles não conseguiriam se alimentar. A casa ficava em um lugar distante, longe do centro“.
A maioria dos jogadores já deixou a cidade de Cáceres. Aqueles que não foram “apadrinhados” por vereadores aceitaram acordos com a diretoria do Cacerense para receberem uma porcentagem dos pagamentos, com a promessa de que o restante será pago posteriormente. Segundo o atual gestor do clube, Paulo Leite, os recursos serão levantados a partir de festas beneficentes.
“Tinha um zagueiro que ganhava R$ 4 mil, nós demos R$ 2 mil pra ele, que abriu mão de mil e vamos mandar mais mil depois dessas festas beneficentes. Um outro que tinha R$ 3 mil pra receber, abriu mão de R$ 500, nós demos R$ 2 mil e ficou R$ 500 para acertar depois“, disse o dirigente.
Paulo Leite nega as acusações referentes à falta de alimentação e moradia adequadas. O gestor cita o ex-presidente do clube, Tovar de Arruda e Silva, como responsável pelo atraso nos salários. Tovar geriu o Cacerense durante a montagem do elenco e a preparação para o Campeonato Mato-grossense, mas deixou o cargo logo após a falta de pagamentos da primeira folha salarial.
Procurado pela reportagem do GE, Tovar de Arruda preferiu aguardar o andamento do caso para se pronunciar.
O Ministério Público do Trabalho se manifestou via nota oficial.
“Em resposta à solicitação, o Ministério Público do Trabalho informa que a(s) apuração(ões) da(s) denúncia(s) recebida(s) pela unidade segue(m) o regular trâmite, a fim de que sejam esclarecidos os fatos noticiados e, caso comprovadas as irregularidades, o órgão buscará a resolução da(s) questão(ões) e a punição do(s) responsável(veis)“.
Em nota, a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) lamentou o caso.
“A FMF lamenta o caso, já que entidade investe cerca de R$ 1 milhão de recursos próprios para auxiliar os clubes em hospedagem, alimentação e logística, com intuito de que situações como essa sejam evitadas“.
Confira abaixo o documento protocolado pelo Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH) de Cáceres:

ESPORTES
De virada nos minutos finais Argentina segue na busca pelo bicampeonato
Argentina venceu o jogo contra a Inglaterra pela semifinal da Copa do Mundo de 2026 por 2 a 1. A Inglaterra começou levando a melhor, com gol de Anthony Gordon aos 55 minutos, mas a Seleção Argentina virou marcando dois gols também no segundo tempo. Enzo Fernández empatou aos 85 minutos e Lautaro Martínez fez o segundo gol nos acréscimos, aos 92 minutos.
Com a vitória, a Argentina está na final da Copa do Mundo, que ocorrerá no domingo (19). Na disputa, os argentinos enfrentam a Espanha, que bateu a França por 2 a 0 no outro jogo das semifinais.
Essa será a segunda final consecutiva da Argentina, que venceu a Copa do Mundo de 2022 contra a França. À época, o jogo terminou em 3 a 3 e os argentinos ganharam na disputa por pênaltis.
A campanha da Argentina até agora
Atual Campeã Mundial, a Seleção Argentina venceu todos os jogos na sua campanha. Na fase de grupos, começou vencendo a Argélia por 3 a 0, depois bateu a Áustria por 2 a 0 e fez um placar de 3 a 1 no último jogo, contra a Jordânia.
Na rodada de 16 avos, teve seu jogo mais difícil do torneio. Na ocasião, enfrentou Cabo Verde, mas sofreu para conquistar a vitória, resolvendo o jogo apenas na prorrogação. O placar terminou em 3 a 2.

Nas oitavas de final, começou perdendo por 2 a 0 para o Egito, mas virou e fez 3 a 2. Nas quartas de final, terminou o tempo regular em 1 a 1 contra a Suíça. Na prorrogação, Julián Álvarez e Lautaro Martínez marcaram e o jogo terminou em 3 a 1.
Conforme os dados oficiais da FIFA, a Argentina é a seleção que mais marcou gols na Copa do Mundo até agora, com 19 no total.
Lionel Messi é o artilheiro do campeonato, tendo estufado as redes por oito vezes, mesma quantidade de Kylian Mbappé, cuja seleção já foi eliminada.
Entenda a rivalidade com a Inglaterra
A rivalidade entre Argentina e Inglaterra é histórica e reúne eventos dentro e fora de campo.
No futebol, em 1986, a Argentina eliminou a Inglaterra nas quartas de final do Mundial do México por 2 a 1, em um jogo marcado pelos dois gols de Maradona que entraram para a história.
O primeiro foi o polêmico toque de mão não visto pela arbitragem, conhecido como “La Mano de Dios”. Depois, uma jogada individual eleita pela FIFA como o melhor gol do século.
Outros capítulos tensos incluem a expulsão do capitão argentino Antonio Rattín em 1966, batizada pelos argentinos de “roubo do século”, e o cartão vermelho de David Beckham na eliminação de 1998, que custou a vaga inglesa nos pênaltis.

Por trás da rivalidade esportiva também há uma disputa territorial que segue efervescente, sobre a soberania das Ilhas Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelos britânicos.
O arquipélago no Atlântico Sul está sob administração britânica desde 1833, mas já foi reivindicado pela Argentina, que inclui o tema em sua Constituição até os dias de hoje. Essa disputa gerou uma guerra em 1982, vencida pelo Reino Unido, e segue sem reconhecimento de soberania por parte da ONU, que desde 1965 pede negociação pacífica entre os países.
Em referendo de 2013, 99,8% da população local optou por permanecer como território ultramarino britânico.
Curiosamente, foi a própria presença econômica britânica, ferrovias, bancos e comércio exterior, que ajudou a implantar o futebol na Argentina no século XIX, deixando marcas até hoje em nomes de clubes como River Plate e Newell’s Old Boys, este último no qual Messi iniciou a carreira profissional.
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