POLÊMICA; EMPRESAS X GOVERNO
Wellington relata projeto para flexibilizar contratos de empresas com o Governo
A implantação de um Regime Jurídico Emergencial e Transitório das relações jurídicas contratuais da Administração Pública, no período da emergência de saúde pública decorrente da pandemia do novo Coronavírus, a Covid-19, deverá ser votado nesta quarta-feira, 10. De autoria do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), o projeto está sendo relatado pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do Bloco Parlamentar Vanguarda, que buscou nos demais senadores o aperfeiçoamento da proposta.
“Este é um momento em que estamos trabalhando muito para adotar medidas que possam salvar vidas, que é mais importante. Porém, precisamos salvar as empresas e garantir os postos de trabalho. Por isso, esse projeto é importante, já que o Estado brasileiro é um dos principais fomentadores da economia e, diante do quadro que estamos vivendo, é preciso criar espaços para o diálogo”.
Os atuais contratos entre Governo e empresas se submetem à aplicação de regras expressas em Lei e que foram pensadas para regular uma situação de normalidade social. Com reconhecidos efeitos prejudiciais às relações econômicas causadas pela pandemia, a proposta define adoção de soluções que possam mitigar, num primeiro momento, e equacionar, em definitivo, os efeitos causados pela Covid-19.
O projeto prevê que a administração poderá rever obrigações contratuais suspendendo, por exemplo, a exigibilidade de obrigações, com a consequente revisão de cronogramas para entrega de produtos, de serviços ou para a realização de investimentos. Também poderá autorizar que o contratado promova a desmobilização de pessoas, equipamentos e estruturas alocados na execução do contrato e promover a alteração das especificações e quantidades do objeto contratual, além de suspender a exequibilidade de sanções.
As normas existentes podem se apresentar demasiadamente restritivas e, portanto, incompatíveis à adoção de medidas que, excepcionais como a situação que pretendem enfrentar, sejam as únicas, ou, ao menos, as mais eficientes para diminuir perdas e assegurar o menor impacto possível nas relações contratuais já estabelecidas pela Administração Pública.
“Estamos enfrentando um momento atípico e precisamos garantir também o emprego das pessoas. Isso se faz protegendo as empresas, seja com a garantia de linhas de crédito para sustentar seus compromissos, inclusive trabalhistas, seja com as normas que regem contratos”, disse Wellington Fagundes.
Uma vez aprovado, o projeto garante, segundo o senador, segurança jurídica advinda de norma legislativa, com o emprego de medidas necessárias à manutenção dos contratos administrativos atingidos pelos efeitos da “Pandemia”. Contando com previsão legal específica, a Administração terá o apoio necessário à árdua tarefa de manter as contratações vigentes que, afinal, justificam-se ao atendimento do interesse público e, tanto ela quanto os particulares contratados, terão a certeza necessária da validade e eficácia dessas medidas.
A aplicação, emergencial e transitória, dos dispositivos previstos no projeto terão lugar apenas nos contratos vigentes. Com isso, se torna possível serem feitos ajustamentos de contratos sob à égide das normas do Regime, mesmo após o término da calamidade pública ou situação de emergência ocasionadas pela pandemia. Segundo Wellington Fagundes, o projeto de Anastasia abre a possibilidade de estados e municípios se valerem das regras, bem como as empresas estatais.
Já nos contratos de concessões, são previstas postergação de pagamento de encargos, como: valores de outorga fixa ou variável; de receitas alternativas, complementares, acessórias ou de projetos associados; encargos de fiscalização ou congêneres, previstos nos respectivos contratos; encargos setoriais, previstos na legislação reguladora dos serviços objeto do contrato, desde que não tenham natureza tributária.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
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