NOVAS REGRAS DO REPASSE DO ICMS
“Nova legislação traz um impacto financeiro negativo em mais de R$ 3,3 bilhões para Cuiabá”
Os deputados estaduais Mato-grossenses aprovaram em sua maioria, em segunda votação, o Projeto de Lei Complementar 48/2024, que altera a Lei Complementar N° 746, de 25 de agosto de 2022, que “estabelece normas relativas ao cálculo dos Índices de Participação dos Municípios do Estado de Mato Grosso no produto da arrecadação do ICMS”, para mitigar os efeitos a partir do ano de 2024, 2025, e introduzir no IPM/ICMS o coeficiente de infraestrutura a partir de 2026, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da contribuição ao Fethab Combustíveis.
Para o cálculo dos IPM/ICMS no exercício de 2025, com base nos resultados de 2024, para repasse do ICMS ao município no exercício financeiro de 2026, serão utilizados os seguintes critérios, nos percentuais respectivamente assinalados:
I- valor adicionado: 65,0% (sessenta e cinco por cento);
II- coeficiente social: 11,0% (onze por cento);
III- unidade de conservação/terra indígena: 3,0% (três por cento);
IV- resultados da educação: 12,0% (doze por cento);
V- resultados de saúde: 5,0% (cinco por cento).
VI- agricultura familiar: 2,0% (dois por cento);
VII- esforço de arrecadação: 2,0% (dois por cento).
Para o cálculo dos IPM/ICMS a partir do exercício de 2026, com base nos resultados do exercício imediatamente anterior, para repasse do ICMS ao município no exercício financeiro imediatamente subsequente, serão utilizados os seguintes critérios, nos percentuais respectivamente assinalados:
I- valor adicionado: 65,0% (sessenta e cinco por cento);
II- coeficiente social: 11,0% (onze por cento);
III- unidade de conservação/terra indígena: 3,0% (três por cento);
IV- resultados da educação: 12,0% (doze por cento);
V- resultados de saúde: 5,0% (cinco por cento).
VI- agricultura familiar: 2,0% (dois por cento);
VII- esforço de arrecadação: 2,0% (dois por cento)

Nova regra do ICMS prejudica Cuiabá
Essa mudança aprovada pelos parlamentares mato-grossenses, chamou a atenção da vereadora Paula Calil (PL), presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, para as perdas significativas que a capital mato-grossense vem enfrentando com os novos critérios de repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS).
A estimativa é de uma redução acumulada superior a R$ 3,3 bilhões anuais. Os dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT), mostram que já em janeiro deste ano, Cuiabá deixou de receber R$ 278,8 milhões, registrando um retorno de apenas R$ 40,97 milhões, se comparado aos percentuais anteriores.
A parlamentar liberal Paula Calil, destacou que com a nova regra, esse índice caiu para cerca de 8,5%, representando uma perda significativa antes da nova Lei, Cuiabá detinha um Índice de Participação dos Municípios (IPM) de aproximadamente 10,18%.
“A maior parte do ICMS era distribuída com base no Valor Adicionado Fiscal, que mede o movimento econômico de cada município, ou seja, o quanto a cidade gera de riqueza. Agora, o Estado passou a adotar outros critérios sociais e de desempenho, com o objetivo de beneficiar municípios menores e com maiores vulnerabilidades sociais. No entanto, Cuiabá é a capital, a cidade mais populosa e o principal polo de serviços públicos, atendendo moradores de todos os municípios vizinhos, especialmente nas áreas de saúde e educação”.
A presidente da Casa de Leis, afirmou que reforçou ainda o apelo ao Governo do Estado para uma reavaliação dos critérios de distribuição do ICMS.
“Nosso desejo é que a fatia do IPM de Cuiabá seja revista, para que a população não seja prejudicada. Afinal, o impacto recai diretamente sobre os serviços públicos prestados aos cidadãos, não só de Cuiabá, mas de todo o Estado. Essa é uma demanda legítima da Câmara Municipal, e o nosso compromisso é lutar para que a capital continue avançando em todas as áreas”.
Além da redução imediata de receitas, estudos indicam que, se o cenário não for revertido, Cuiabá poderá perder posições no ranking econômico estadual até 2032, sendo ultrapassada por municípios como Sorriso, Sinop e Rondonópolis.
“A nova legislação traz um impacto financeiro negativo, reduzindo a arrecadação de um dos principais impostos que financiam áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. É uma perda que compromete o funcionamento da máquina pública”.
Termo de Cooperação com o TCE/MT
A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá, firmou um Termo de Cooperação Técnica com o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), diante desse cenário desafiador, com o objetivo de elaborar diretrizes estratégicas para o desenvolvimento socioeconômico de Cuiabá.
As reuniões com os técnicos do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) e da Casa de Leis acontecem quinzenalmente, e o projeto encontra-se em fase inicial de execução.
“Nós, as cinco vereadoras que compõem a atual gestão da Câmara de Cuiabá, entendemos que reconstruir nossa capital exige um esforço conjunto. Estamos trabalhando para reorganizar os setores estratégicos da cidade e buscar soluções efetivas para o crescimento sustentável, com foco na melhoria dos indicadores e na recuperação da nossa posição no ranking estadual”.
O plano de desenvolvimento inclui eixos prioritários como: Gestão Pública; Infraestrutura Urbana e Mobilidade; Saúde e Saneamento; Educação e Inovação; Desenvolvimento Econômico Sustentável; Habitação e Inclusão Social; Meio Ambiente e Sustentabilidade; Segurança Cidadã e Bem-Estar; além de Transformação Digital e Eficiência Pública.
O prazo para a conclusão das ações previstas é junho de 2026.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
-
Artigos6 dias atrásAo produtor rural, com respeito
-
Artigos5 dias atrásUm apelo ao STF
-
Política5 dias atrásCenário de “oposição” ganha força com disputa pela Mesa Diretora em Cuiabá
-
Artigos5 dias atrásNova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa
-
Artigos6 dias atrásO novo índice que pode transformar o planejamento dos municípios de Mato Grosso
-
Política6 dias atrásPalácio Paiaguás: disputa acirrada marca cenário eleitoral
-
Destaques5 dias atrás“Tem deputado que xinga o Agro mas o dinheiro do Agronegócio banca sua família e suas amantes”
-
Artigos3 dias atrásO Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia



