ENERGIA LIMPA E SUSTENTÁVEL EM CASA
Mais de 2.600 famílias ribeirinhas e indígenas terão energia pelo programa “Luz para Todos”
Até o fim de 2024 cerca de 2.600 famílias indígenas e ribeirinhas de Mato Grosso serão beneficiadas pelo “Programa Luz para Todos – Amazônia Legal”. A iniciativa leva energia limpa, por meio de placas solares e uso de baterias.
O sistema utilizado no estado foi desenvolvido pela Energisa e é direcionado para regiões remotas, onde é inviável a instalação de redes convencionais, com o uso de postes e fios, por exemplo.
“Equipamentos como esse já foram implantados em áreas do Pantanal, Cerrado e Amazônia. Isso é muito importante porque evita o uso dos geradores a combustão, reduzindo a emissão de gás carbônico no meio ambiente”, explicou o gerente de construção e manutenção da Energisa, Rogério Fernandes.
A principal meta é atender famílias de baixa renda, pequenos produtores e comunidades indígenas. O atendimento é feito em parceria com o Governo Federal e abrande estados que fazem parte da Amazônia Legal. Para o cacique da aldeia Ilha Grande, Siranho Kayabi a chegada da luz traz mudanças:
“Aqui no mato é muito difícil então a chegada da energia na nossa aldeia, mudou a nossa vida”, disse o indígena.
Para a coordenadora regional da serra do Xingu, Iré Kayabi, o programa ilumina além dos olhos:
“Levar luz aos povos indígenas também é levar mais dignidade e qualidade de vida. Ter energia nas aldeias 24 horas é um avanço. Só aqui na região são mais de oito indígenas de 16 povos com línguas e tradições diferentes, que agora conseguem ter um maior conforto com equipamentos elétricos como ventilador, geladeira e TV”.
Para o indígena Mayke Matipu de Querência, é garantia de alimento:
“Com energia a gente consegue ter um freezer e assim ter o alimento, principalmente o peixe, armazenado por mais tempo. Pra gente isso é sinônimo de ter a tranquilidade e a certeza de ter comida por mais tempo”.
Já para quem está, de fato, levando essa luz para todos, significa mudança de perspectiva e, principalmente, orgulho, como explica o Rosivaldo Charles de Alencar, supervisor de equipe.
“Pra gente que vem de fora, que nasceu no conforto, tendo tudo nas nossas mãos, a gente não sabe a importância das pequenas coisas. Tomar uma água gelada, guardar um alimento, ter uma energia para ligar a internet, assistir uma tv, um jornal. Hoje para mim, eu me sinto orgulhoso de fazer parte do projeto. Eu tenho certeza de que esse projeto está beneficiando muitas famílias, com energia limpa e renovável. Eu me sinto orgulhoso de sair da minha casa e fazer parte. Espero que alcance muito mais famílias”, explicou.
“Pra mim que faço parte desse projeto hoje, saber que amanhã o meu filho pode se sentir orgulho de mim, de eu ter feito história. Porque trazer energia pra essa comunidade tão sofrida, que a anos, nunca teve um conforto uma energia, pra mim é um orgulho muito grande. Eu tenho certeza que meus familiares, meus filhos terão orgulho de mim por eu ter feito parte desse projeto”, contou.
Em Mato Grosso as famílias atendidas foram nas regiões de Barão do Melgaço, Barra Do Garça, Brasnorte, Campinápolis, Comodoro, Juína, Novo são Joaquim, Poconé, Poxoréo, Primavera do Leste, Querência, Sapezal, Feliz Natal, Gaúcha do Norte, Marcelândia, Paranatinga, Querência, São Felix do Araguaia e São José do Xingu.
ECONOMIA
Decretado falência definitiva do Grupo Oi pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
A Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da operadora Oi, após a administração judicial da companhia reportar ao magistrado a absoluta incapacidade financeira para manter as atividades essenciais do grupo. A decisão judicial derrubou os recursos interpostos pelas instituições bancárias credoras que buscavam a manutenção do processo de recuperação judicial e a consequente renegociação do passivo acumulado.
Diante da comprovação inequívoca do esgotamento total das reservas de caixa previsto para o término de agosto de 2026, a Corte Fluminense determinou a conversão imediata do procedimento recuperacional em falência, visando interromper o sangramento patrimonial da corporação.
O colapso financeiro da gigante de telecomunicações reflete-se com severidade nos balanços contábeis mais recentes apresentados ao Poder Judiciário. Com base em dados consolidados de março de 2026, o patrimônio líquido negativo da corporação ultrapassa a marca expressiva de R$ 22,6 bilhões, demonstrando a profunda assimetria entre os ativos disponíveis e o montante global de dívidas acumuladas.
As projeções de caixa, que indicavam uma disponibilidade de R$ 88,1 milhões no final de julho de 2026, sofreram uma corrosão acelerada desde abril do mesmo ano, quando os valores mantidos em conta corrente haviam despencado para escassos R$ 19,6 milhões.
A atual deliberação colegiada põe fim ao impasse jurídico iniciado em novembro do ano passado, ocasião em que a falência da operadora sediada no Rio de Janeiro fora decretada preliminarmente pelo juízo de primeiro grau. Naquela oportunidade, contudo, os maiores bancos credores do grupo notadamente o Itaú Unibanco e o Bradesco, obtiveram um efeito suspensivo mediante concessão de liminar, o que permitiu o retorno temporário da empresa à recuperação judicial.
Os estabelecimentos bancários alegavam que a liquidação judicial não representaria o meio mais eficaz para satisfazer as obrigações creditícias e defenderam a nomeação de um novo gestor para intermediar os acordos com os órgãos reguladores.
Como ato contínuo à decretação da falência, o Tribunal de Justiça nomeou o especialista Bruno Rezende para exercer as funções de administrador judicial no processo. Caberá ao profissional designado a responsabilidade legal de auxiliar o juízo nas diligências necessárias para arrecadar, avaliar e lacrar o patrimônio remanescente da companhia, além de elaborar a lista definitiva de credores.

O administrador atuará diretamente na liquidação ordenada dos bens arrecadados para o pagamento dos passivos e promoverá a extinção formal das atividades empresariais das sociedades integrantes do grupo, estrita e rigorosamente dentro das exigências da lei vigente.
A tentativa derradeira de reestruturação empresarial buscava repactuar uma dívida consolidada da ordem de R$ 44 bilhões, cuja execução dependia da entrada de novos aportes operacionais. O plano aprovado na assembleia geral previa a captação de um financiamento internacional no valor de até US$ 655 milhões, dos quais US$ 505 milhões seriam injetados diretamente pelos credores financeiros.
Complementarmente, a empresa de infraestrutura V.tal, sob controle do BTG Pactual, aportaria entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões no capital do grupo, plano este que restou inviabilizado diante do agravamento vertiginoso da insolvência operacional.
Antes do desfecho judicial, a severa escassez de recursos financeiros provocou o desabastecimento de serviços básicos e o descumprimento sistemático de obrigações contratuais com prestadores de serviços. No mês de julho de 2026, a fornecedora Sitelbra interrompeu a conectividade de redes estratégicas, tais como o sistema de lotéricas da Caixa Econômica Federal, o videomonitoramento estadual na Bahia e em Goiás e os canais de atendimento da concessionária Enel no Ceará.
Empresas como Nava Software, Nava Serviços e Hughes também paralisaram as suas atividades operacionais, exigindo a intervenção expressa do Judiciário para impor a restauração das linhas e fixar multa diária pelo descumprimento.
Para minorar o impacto da paralisação de serviços essenciais à população brasileira, a Justiça autorizou a alienação em leilão de ativos estruturais da operadora para outras empresas do setor. Em abril de 2026, a divisão de telefonia fixa residencial foi arrematada pela Método Telecomunicações, transação que incluiu a responsabilidade pela manutenção e operação das linhas destinadas aos atendimentos de emergência nacional, como os canais 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros). O processo de transição visa garantir a integridade das comunicações públicas sem que haja a descontinuidade do suporte de emergência aos cidadãos.

Contudo, entraves operacionais e a ausência de interessados impediram a conclusão do plano de desinvestimento de outras unidades de negócios cruciais do grupo falido. O leilão da Oi Soluções, segmento focado na prestação de serviços de tecnologia a corporações privadas e órgãos públicos com lance mínimo de R$ 1,4 bilhão, encerrou-se em 17 de junho de 2026 sem a apresentação de nenhuma proposta formal.
Ademais, a alienação da fatia de 27,2% detida pela Oi na V.tal, avaliada em R$ 4,5 bilhões e destinada a fundos geridos pelo BTG Pactual, encontra-se judicialmente suspensa devido a recursos apresentados por credores e investidores minoritários.
Mesmo nos processos em que a liquidação dos bens obteve aprovação das instâncias competentes, o fluxo de caixa da tele permaneceu desprovido das receitas estimadas para honrar seus compromissos imediatos. A companhia ainda não recebeu o montante de R$ 60,1 milhões decorrente da alienação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Serviços Telefônicos à Método Telecomunicações, leiloada em abril de 2026. A transferência efetiva desses recursos e a conclusão definitiva do contrato dependem do preenchimento rigoroso de certas condições regulatórias e homologatórias impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações e por instâncias concorrenciais.
O desfecho dramático encerra uma longa jornada de crises e reestruturações que se arrastava há uma década nos tribunais brasileiros. Em junho de 2016, a Oi ingressara em seu primeiro processo de recuperação judicial para renegociar R$ 65 bilhões em obrigações, procedimento que perdurou por seis anos até o seu encerramento em dezembro de 2022.
Apenas três meses após aquela homologação, em março de 2023, a empresa formalizou o segundo pedido de recuperação reportando novos R$ 43,7 bilhões em dívidas, culminando no atual decreto de falência após restar comprovada a impossibilidade prática de preservação da continuidade empresarial.
-
Artigos6 dias atrásRequer tempo
-
Artigos4 dias atrásAutoliderança: o que você faz quando ninguém cobra
-
Artigos6 dias atrásNinguém mais quer trabalhar
-
ESPORTES6 dias atrásFábio brilha nos pênaltis, e Fluminense supera o Rivadavia
-
Política5 dias atrásJustiça Eleitoral mantém, por ora, candidatura de Pivetta e preserva acesso a recursos de campanha
-
ESPORTES5 dias atrásCuiabá reencontra a vitória superando o Operário (PR)
-
Artigos2 dias atrásMenopausa: quando o silêncio se torna um problema de saúde pública
-
Artigos3 dias atrásA epidemia da ansiedade e a hipnoterapia como contenção





