DECRETO DERRUBADO
Geller derruba moratória da cana-de açúcar
O relator do Projeto de Decreto Legislativo (PDL 684/2019), o deputado federal do Partido Progressista (PP), Neri Geller, votou favorável à proposta que anula o Decreto Presidencial nº 6.961, de 2009, que revogou o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar plantada no Brasil.
O zoneamento é um estudo utilizado para ordenar a ocupação do solo por uma atividade econômica. Ele leva em conta características hídricas, de solo e de clima do espaço a ser cultivado, além de aspectos ambientais e sociais da região.
Mato Grosso, por exemplo, ocupa a 6ª posição no ranking nacional de produção de cana-de-açúcar e para o parlamentar federal Neri Geller, a medida imposta pelo Governo, em 2009, gera insegurança jurídica aos produtores rurais e inviabiliza o setor sucroalcooleiro.
“Estamos alinhados com o Governo e sustentamos o debate aqui na Casa para que a proposta fosse aprovada. A medida beneficiará regiões mato-grossenses como o Chapadão do Parecis e Bacia do Alto Paraguai que baseiam sua economia na produção de cana. Além do mais, o zoneamento é ponto central na discussão das questões fundamentais para o futuro do País“, disse Geller.
De acordo com o vice-líder do Governo, deputado federal Evair de Melo (ES), o agronegócio foi a mola propulsora da economia no País especialmente, em tempos de pandemia.
“O setor não parou um minuto e superavitário permitiu que o Governo Federal desenvolvesse ações emergenciais e programas sociais para atender toda a população que sofreu os impactos dessa pandemia. A ação do Neri Geller dialoga com toda sociedade brasileira“, parabenizou.
O Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) é um instrumento de planejamento e ordenamento do território brasileiro, para harmonizar as relações econômicas, sociais e ambientais.
“Demanda um efetivo esforço de compartilhamento institucional, voltado para a integração das ações e políticas públicas territoriais, bem como articulação com a sociedade civil, congregando seus interesses em torno de um pacto pela gestão do território“, traz trecho do Projeto de Decreto Legislativo (PDL 684/2019).
“Orgulho em ter trabalhado essa pauta em consonância com o Governo para que a produção, de forma sustentável, cumpra os rigores da lei brasileira que são estabelecidos pelo Código Florestal“, encerrou Geller.
O Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) é ponto central na discussão de questões fundamentais como: a Amazônia, o Cerrado, o Semiárido Brasileiro, os Biocombustíveis e as Mudanças Climáticas. O PDL 684/2019 segue para análise do mérito, da constitucionalidade e juridicidade.
Ementa
Susta os efeitos da aplicação do DECRETO Nº 10.084, DE 5 DE NOVEMBRO DE 2019, que: “Revoga o Decreto nº 6.961, de 17 de setembro de 2009, que aprova o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar e determina ao Conselho Monetário Nacional o estabelecimento de normas para as operações de financiamento ao setor sucroalcooleiro, nos termos do zoneamento“.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
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