INTENCIDADE SUPERIOR À MÉDIA NACIONAL
Cuiabá figura entre as capitais com maior custo da cesta básica e pressiona orçamento das famílias
Cuiabá encerrou o último ano como a quarta capital brasileira com a cesta básica mais cara do país, conforme levantamento referente a dezembro, divulgado pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento. O dado reforça a pressão crescente sobre o custo de vida na capital mato-grossense e acende o alerta para os impactos diretos sobre o orçamento das famílias.
A pesquisa, que monitora o valor médio de um conjunto de alimentos essenciais para a subsistência de um trabalhador adulto, aponta que o encarecimento em Cuiabá segue uma tendência observada em parte das capitais brasileiras, mas com intensidade superior à média nacional. O levantamento considera itens como arroz, feijão, carne, leite, óleo, pão, café, açúcar, frutas e legumes, compondo um retrato fiel do consumo básico da população urbana.
Especialistas do Dieese explicam que fatores estruturais e conjunturais contribuem para a elevação dos preços na capital de Mato Grosso. Entre eles estão os custos logísticos, a distância dos grandes centros consumidores e distribuidores, a sazonalidade de alguns produtos e a influência de variáveis climáticas sobre a produção agrícola. Além disso, oscilações nos preços de combustíveis e insumos impactam diretamente o valor final dos alimentos.

O reflexo mais imediato do encarecimento da cesta básica recai sobre as famílias de baixa renda, que destinam parcela significativa do orçamento mensal à alimentação. Em muitos lares, o aumento dos preços obriga a substituição de produtos, a redução da qualidade nutricional das refeições ou até mesmo o endividamento para garantir o consumo básico. Entidades sindicais alertam que o cenário compromete o “poder de compra” do salário mínimo e amplia desigualdades sociais.
Do ponto de vista econômico, o alto custo da cesta básica também afeta o comércio local e o ritmo de consumo. Com menos recursos disponíveis, as famílias reduzem gastos em outros setores, como vestuário, lazer e serviços, o que gera efeitos em cadeia sobre a economia urbana.
Para analistas, esse movimento pode desacelerar a atividade econômica e dificultar a recuperação do consumo interno. E um dos principais fatores para a alta da cesta básica foi o aumento no preço da carne bovina de primeira, que subiu em 25 das 27 capitais pesquisadas..
Cuiabá aparece na quarta posição do ranking nacional com custo médio da cesta básica que chegou a R$ 791,29, atrás apenas de São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro.

A administração pública acompanha os dados como um termômetro social relevante. Programas de assistência, políticas de segurança alimentar e iniciativas de incentivo à produção local são frequentemente apontados como instrumentos capazes de mitigar os efeitos da alta dos preços. No entanto, especialistas destacam que soluções estruturais exigem planejamento de longo prazo, integração entre governos e estímulo à logística eficiente.
Em comparação com outras capitais, Cuiabá mantém posição recorrente entre as cidades com maior custo alimentar, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo. O Dieese ressalta que a pesquisa não apenas informa, mas subsidia debates sobre política salarial, reajustes do salário mínimo e estratégias de proteção social, ao revelar quanto custa, de fato, alimentar uma família nas grandes cidades brasileiras.
Diante desse cenário, a divulgação do “ranking da cesta básica” cumpre papel fundamental ao dar transparência às condições de vida da população. Para os moradores de Cuiabá, os números refletem uma realidade cotidiana já sentida nos supermercados e feiras. Para gestores públicos e formuladores de políticas, o desafio está em transformar esses dados em ações concretas que garantam acesso à alimentação adequada e preservem a dignidade social.
ECONOMIA
Mato Grosso consolida a liderança e impulsiona as exportações de carne bovina no Brasil
A pecuária do Estado de Mato Grosso alcançou o topo do ranking nacional de vendas ao exterior no segmento de proteína bovina nos primeiros oito meses de 2026. O desempenho histórico reafirma a posição do estado como o principal motor do agronegócio brasileiro voltado ao mercado internacional.
Entre os meses de janeiro e agosto deste ano, o volume embarcado a partir do território mato-grossense atingiu a expressiva marca de 564,1 mil toneladas de carne. A quantidade demonstra a elevada capacidade produtiva e a eficiência logística instalada nas propriedades rurais e indústrias da região.
A movimentação comercial gerou uma receita cambial astronômica de US$ 3,2 bilhões no período analisado. O expressivo faturamento injeta recursos vitais no ecossistema financeiro regional e fortalece a balança comercial de todo o território nacional perante os compradores estrangeiros.
O resultado expressivo de Mato Grosso representa fatia equivalente a 25,6% de todo o volume de carne bovina vendido pelo Brasil aos compradores globais. Em termos práticos, significa que aproximadamente uma em cada quatro toneladas da proteína embarcadas nos portos brasileiros teve origem direta no rebanho mato-grossense.
A liderança isolada do estado se deve a uma combinação estratégica de vasta extensão territorial, investimentos contínuos em tecnologia sanitária, melhoramento genético e expansão do parque produtivo. Esses fatores asseguram padrão qualitativo constante e alto nível de competitividade para atender às exigências dos mercados mais rigorosos do mundo.

O mercado comprador internacional é composto por dezenas de nações parceiras que demandam suprimento regular e seguro de alimentos. Países da Ásia, Europa e Américas figuram entre os principais destinos da proteína mato-grossense, consolidando a presença das marcas brasileiras nas prateleiras e mesas de diversos continentes.
Na segunda posição do ranking brasileiro de exportadores aparece o Estado de São Paulo, com 409,5 mil toneladas comercializadas, seguido por Goiás, que registrou 266 mil toneladas. Juntas, as três unidades da Federação somam mais da metade de todo o volume de carne bovina brasileira negociado externamente no período.
A cadeia produtiva do setor pecuário abrange desde a criação do gado nas fazendas até o processamento nos frigoríficos, envolvendo também o transporte multimodal, o financiamento de insumos e a prestação de serviços especializados. Essa vasta rede socioeconômica gera milhares de empregos diretos e indiretos, impulsionando cidades inteiras no interior do país.
Segundo o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne, Bruno de Jesus Andrade, o desempenho verificado ultrapassa as fronteiras estaduais e beneficia a economia como um todo. O executivo destaca que a sólida estrutura setorial sustenta a relevância estratégica do Brasil no cenário de segurança alimentar e no comércio global de alimentos.
No balanço consolidado de janeiro a agosto de 2026, o Brasil totalizou a exportação de 2,2 milhões de toneladas de carne bovina, gerando receita global de US$ 12,7 bilhões. O resultado global expressivo ratifica o papel do agronegócio nacional como um dos pilares mais estáveis e dinâmicos da economia contemporânea.
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