Destaques
Taques promete quitar folha salarial de novembro até sexta-feira e diz que não pensa em reeleição, no momento……
O governador Pedro Taques (PSDB) que está em Rondonópolis desde quinta-feira participou nesta sexta-feira das atividades da Caravana da Transformação na cidade. Pedro Taques elogiou a presença da população no evento, entregou obras e garantiu que não colocou, ainda, seu nome para a disputa à reeleição no pleito do ano que vem.
Disse ainda que é bem provável que os salários de novembro dos servidores públicos serão escalonados, começando a pagar nesta segunda-feira. Mas avisa que não vai demorar como aconteceu com os salários de outubro e que até dia 15 quita folha. Mais tarde, seu secretário-chefe da Casa Civil Max Russi, com informações da equipe econômica anunciou que o pagamento poderá ser pago a todos os servidores já na segunda-feira. “Vai depender do que o Estado conseguir arrecadar nestes próximos dias”, explicou.
Durante a Caravana da Transformação na cidade, surgiu a informação de que o pagamento começaria já nesta segunda-feira para os funcionários que recebem até R$ 1,5 mil líquidos. O governador não confirmou esta informação. Disse apenas que o compromisso é de quitar toda a folha no máximo até o dia 15, a próxima sexta-feira.
Taques citou as dificuldades que o Estado vem enfrentando mas enalteceu esforços e investimentos para à região Sul do Estado. Segundo o governador tucano foram investidos na região mais de R$ 100 milhões em três anos, incluindo obras em hospitais, ponte sobre o Rio Vermelho e recapeamento.
Em entrevista coletiva com a imprensa que se fez presente, explicou que o Estado tem que estar onde o povo esta, e não é só em um lugar que o Executivo tem que ficar. “Qual é a importância da Caravana? Trazer o Estado para perto do cidadão. O Poder Executivo não pode ficar só em Cuiabá. Está é a 11ª edição da Caravana, sem contar Rondonópolis, já realizamos 35 mil cirurgias de catarata. Aqui serão mais 8 mil. Além deste atendimento, temos cidadania. Todos os órgãos do Estado estão aqui, em parceria com os órgãos do município, Tribunal de Justiça e outros”.
No discurso ele também lembrou benfeitorias inauguradas pela região Sul do Estado. “Fomos à Tesouro, Primavera do Leste, Paranatinga, Santo Antônio do Leste, Pedra Preta, São José do Povo e agora chegamos a Rondonópolis. Sem falar da cirurgia, 15 mil pessoas já foram atendidas pela Caravana, o que mostra que o Estado está presente, e deve estar presente. Temos várias ações por onde passamos. Em Primavera inauguramos a nova sede do Detran, a MT-130, firmamos convênio com a saúde”.
Eleições 2018
Com relação ao pleito eleitoral de 2018, o governador Pedro Taques pode até estar acertando seu futuro político com a reeleição em outubro do ano que vem. Mas, garante que só vai definir se disputará mesmo mais um mandato de governador no final de março de 2018. Segundo ele, o momento não é para se pensar em embate político, mas sim em colocar a casa em ordem, quitando todas as dívidas com o funcionalismo público e credores.
Taques voltou a afirmar que não vai colocar seu bloco na rua, como candidato à reeleição neste ano e que só falará em pleito eleitoral no final de março, após a semana santa. Até lá, tudo segundo ele, é apenas especulação.
O governador esteve em Rondonópolis desde quinta-feira onde foi inaugurar uma série de obras e sempre que foi indagado pela imprensa sobre a pretensão de disputar a reeleição, foi contundente em afirmar que não momento não pensa em se reeleger.
“Estamos passando por uma grave crise financeira no Brasil, com reflexos duros em Mato Grosso. Nossa meta é procurar fechar o ano no azul”, disse explicando que é “servidor do Estado de Mato Grosso e que precisa, antes de tudo terminar sua gestão trabalhando duro e colocando a casa em dia. Diz que só depois disso poderá pensar em uma possível candidatura à reeleição”.
Procurando despistar sobre seu futuro político, o tucano optou em sair pela tangente dizendo que durante todo este ano em suas visitas ao interior do Estado, principalmente acompanhado as obras, viu que em várias cidades existem várias obras inacabadas pelo seu antigo administrado do Estado, Silval Barbasa (sem partido) e que passou quase dois na cadeia.
“Em várias cidades vi muitas obras inacabadas, prejudicando o trânsito e, principalmente a população. Mas em Rondonópolis não vi nenhuma obra em processo de readequação”.
O governador lembrou que nesta semana, durante a Caravana da Transformação, em Rondonópolis foram atendidos 15 mil pessoas, a grande maioria com problemas de catarata.
Destaques
Ação Judicial de R$ 110 milhões contra Energia redefine parâmetros de litígio climático no Brasil
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma detalhada ação civil pública contra a Energisa Mato Grosso – Distribuidora de Energia S.A., com o objetivo de responsabilizar juridicamente a concessionária pelo incêndio de grandes proporções que devastou a Estação Ecológica Serra das Araras. O órgão ministerial requer a condenação da empresa ao pagamento de indenizações que perfazem o montante expressivo de R$ 109,8 milhões, além do cumprimento imediato de obrigações de fazer. A petição inicial fundamenta-se na responsabilidade civil objetiva por danos ambientais, na qual a degradação sistêmica do ecossistema impõe o dever de reparação integral, independentemente da demonstração de dolo corporativo.
O grave desastre socioambiental ocorreu em agosto de 2024, período caracterizado por severa estiagem e condições climáticas propícias para o alastramento célere de focos de calor na região Centro-Oeste. A deflagração das chamas coincidiu com o ápice da estação seca, momento em que a vulnerabilidade dos biomas locais exige vigilância redobrada e manutenção preventiva rigorosa das infraestruturas circundantes. A documentação técnica anexada aos autos demonstra que o impacto inicial coincidiu com o agravamento da crise climática regional, potencializando os efeitos destrutivos do fogo sobre a cobertura vegetal nativa e sobre a fauna silvestre protegida.
O cenário geográfico da devastação ambiental concentra-se na Estação Ecológica Serra das Araras, uma unidade de conservação de proteção integral situada no Estado de Mato Grosso, além de abranger diversas propriedades rurais vizinhas afetadas. A área protegida constitui um relevante refúgio biológico e zona de transição ecológica, cuja integridade sofreu severo comprometimento devido à dispersão descontrolada do incêndio florestal. A delimitação territorial do dano técnico estende-se por uma região de difícil acesso, fator que impôs obstáculos adicionais às operações de combate executadas pelas brigadas de incêndio e pelas Forças de Segurança Pública.

Aproximadamente 4.500 hectares de vegetação nativa foram completamente consumidos pelas chamas, resultando em uma perda imensurável de biodiversidade e na destruição de habitats de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Além da supressão direta da flora, o evento provocou a emissão massiva de gases de efeito estufa na atmosfera, comprometendo significativamente os sumidouros naturais de carbono da região.
O dano ecológico mensurado pela perícia técnica reflete-se na degradação profunda das funções ecossistêmicas locais, cujos efeitos deletérios na regulação hidrológica e na estabilidade do solo perdurarão por décadas.
Laudos periciais detalhados, elaborados por especialistas da Polícia Federal, identificaram de forma inequívoca que um dos pontos primários de ignição do incêndio florestal localizava-se exatamente na faixa de servidão da rede de média tensão. A infraestrutura elétrica sob concessão e responsabilidade técnica direta da Energisa Mato Grosso funcionou como o vetor inicial do sinistro, após a ocorrência de falhas operacionais específicas na linha de distribuição. A investigação oficial constatou que o contato direto da vegetação sem manutenção com os condutores energizados propiciou as faíscas necessárias para o início do desastre.
A causa determinante da tragédia ambiental residiu na omissão crônica e na negligência operacional da concessionária no tocante à manutenção preventiva de sua rede de distribuição elétrica. O exame minucioso das atividades da empresa revelou que, de 51 ordens de serviço emitidas para a localidade sul da Estação Ecológica, apenas uma referia-se a ações estritamente preventivas.
O descumprimento dos deveres legais de poda regular, limpeza adequada da faixa de domínio e criação de aceiros protetivos ao redor dos postes de madeira e concreto viabilizou o cenário de alto risco.

O Ministério Público Federal estruturou a demanda judicial com base em relatórios técnicos de auditoria, depoimentos de brigadistas e análises de imagens de satélite que mapearam a progressão cronológica do fogo. Sob a coordenação do Procurador da República, Gabriel Infante Magalhães Martins, o órgão coligiu evidências da conduta negligente da distribuidora, demonstrando o nexo de causalidade entre a ausência de fiscalização da linha e o dano consolidado. A iniciativa ministerial visa não apenas a punição pecuniária, mas o estabelecimento de um precedente pedagógico para o setor de utilidade pública.
Para mitigar a iminência de novos episódios correlatos, a peça jurídica exige que a Justiça Federal determine à Energisa a apresentação e execução de um plano emergencial estruturado no prazo peremptório de 30 dias. A medida liminar pleiteada obriga a implementação de um cronograma contínuo de manejo da vegetação na faixa de servidão que intercepta a unidade de conservação pelos próximos cinco anos.
Os relatórios de conformidade técnica deverão ser submetidos anualmente ao escrutínio do Poder Judiciário, assegurando que a operação da infraestrutura não represente ameaça constante à segurança ambiental.
A vultosa indenização financeira de R$ 109,8 milhões foi meticulosamente segmentada em três categorias distintas de responsabilização civil, de modo a garantir o princípio da reparação integral do dano. O MPF estipulou R$ 53,6 milhões a título de danos materiais decorrentes da perda real da cobertura florestal e R$ 26,8 milhões por danos morais difusos sofridos pela coletividade. Complementarmente, foram fixados R$ 29,4 milhões destinados especificamente à compensação dos danos climáticos, mensurados a partir do impacto volumétrico de carbono liberado na atmosfera durante a queima.

O plano de destinação dos recursos financeiros assegura que as verbas arrecadadas revertam-se diretamente na recomposição do patrimônio público e no fomento à pesquisa científica regional. O modelo de partilha estabelece o repasse de 40% do montante ao ICMBio e 20% ao Ibama para o fortalecimento da fiscalização e gestão de unidades de conservação.
Outros 20% subsidiarão o Corpo de Bombeiros Militar no combate a incêndios florestais, enquanto os 20% remanescentes financiarão projetos acadêmicos da UFMT e da Unemat dedicados ao estudo dos impactos do fogo nos Biomas Cerrado e Pantanal.
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