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ETNOTURISMO INDÍGENAS

Povo Rikbaktsa se organiza para receber visitantes em seus territórios

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Desde 2024, o povo Rikbaktsa tem avançado na estruturação do turismo de base comunitária nas Terras Indígenas (TIs) Japuíra e Escondido. Entre os dias 13 e 17 de setembro, vão receber visitantes pela primeira vez. A visita-teste representa uma nova etapa desse processo, permitindo colocar em prática os roteiros, avaliar a experiência e orientar os próximos passos para a implementação da atividade nas modalidades de etnoturismo e observação de aves.

Mais do que preparar os espaços, essa é uma oportunidade para a comunidade experimentar, refletir e aprimorar coletivamente os processos internos para seguir recebendo visitantes em seus territórios sem afetar a dinâmica de vida das aldeias.

Os Rikbaktsa têm dado um passo de cada vez na construção do seu turismo de base comunitária, passando pelo levantamento dos potenciais turísticos; oficinas e capacitações; elaboração de roteiros e cardápios; definição de protocolos e regras para a visitação; e planejamento operacional.

A expectativa é que a atividade seja estruturada para promover encontros e trocas respeitosas entre visitantes e indígenas, valorizando saberes, culturas e modos de vida por meio de experiências conduzidas pela comunidade. Sob essa perspectiva, foram definidas trilhas de observação de aves em áreas estratégicas para apoiar o monitoramento territorial e as mulheres Rikbaktsa trocaram ingredientes e receitas da culinária tradicional para criar cardápios para os visitantes.

O objetivo da visita-teste é colocar em prática todo esse planejamento.

Para que tudo aconteça de uma maneira organizada e para o turismo dar certo dentro do território, a gente resolveu fazer um teste para ver se realmente a comunidade está pronta. É a primeira vez que a gente vai trabalhar com turismo aqui no território, então pra gente é uma ferramenta nova. Foram divididas as responsabilidades e agora estamos fazendo um mutirão“, comentou Rogederson Natsitsabui, jovem liderança da TI Japuíra.

Esse mutirão envolve diferentes frentes de trabalho. Estão sendo realizadas pequenas reformas em banheiros e cozinhas comunitárias, construção de algumas casas tradicionais para acomodar os visitantes e preparação de trilhas que integram os roteiros de visitação. Também foi definida uma equipe administrativa para cuidar da logística e do levantamento de custos, enquanto a coordenação organiza os mutirões nas aldeias e o trabalho de guias, cozinheiras, pescadores e demais pessoas envolvidas na atividade.

Estamos preparando um lugarzinho onde vamos contar as histórias. A gente está bem adiantado nessa questão de turismo, várias coisas a gente já se organizou. Eu, por exemplo, vou atender o pessoal na balsa e trazer até aqui na aldeia [Pé de Mutum]. E os outros vão estar fazendo outras coisas, cada um sabe das suas responsabilidades“, explicou Márcio Wauria Rikbakta, outra jovem liderança que acompanha desde o início o processo de estruturação da atividade.

O turismo de base comunitária, quando construído de forma coletiva e alinhado aos modos de vida dos povos indígenas, é um instrumento que contribui com a geração de renda, a governança, a valorização dos saberes tradicionais e a qualidade de vida, mas é importante que seja adaptado ao calendário tradicional Rikbaktsa, que inclui festas, rituais, afazeres cotidianos, caça, coleta, enfim, tudo que compõe seu modo de vida.

Turismo numa perspectiva de ferramenta de gestão territorial. Além da geração de renda sustentável, pode ser uma atividade que os leve a atingir outros resultados, como a valorização da cultura, o fortalecimento da língua, a aproximação dos jovens e uma perspectiva de futuro por meio da ancestralidade“, destacou Camila Barra, consultora para negócios comunitários e gestão territorial, que conduziu algumas formações e tem acompanhado de perto esse processo de estruturação.

A estruturação do turismo de base comunitária está prevista no Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) do povo Rikbaktsa e sua implementação é um dos eixos do projeto Berço das Águas, realizado pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) junto aos povos Rikbaktsa e Apiaká, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Esta é a quarta edição do projeto, que tem apoiado, desde 2011, a gestão territorial de diferentes povos na bacia do rio Juruena.

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Composto por pactuações e acordos internos, o PGTA é um documento elaborado pelo povo que pensa a gestão das terras indígenas em aspectos sociais e ambientais.

É um instrumento de luta política e autonomia que reúne as principais diretrizes no que diz respeito à história, organização social e política, cultura, educação, saúde, geração de renda, vigilância, monitoramento e soberania alimentar.

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Deepfakes se tornam mais acessíveis e difíceis de identificar com avanço da IA

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Vídeos de candidatos fazendo declarações que jamais deram, áudios com vozes praticamente idênticas às de figuras públicas e fotografias produzidas artificialmente estão cada vez mais difíceis de distinguir de conteúdos reais. Com a evolução e a popularização da inteligência artificial generativa, os deepfakes devem exigir atenção redobrada dos eleitores durante as eleições de 2026, diante do risco de manipulação da informação e de disseminação de conteúdos falsos capazes de influenciar o debate público.

Deepfake é uma técnica de produção ou manipulação de conteúdo digital por meio da inteligência artificial, capaz de fazer uma pessoa parecer dizer ou realizar algo que nunca disse ou fez. A tecnologia pode ser aplicada a vídeos, fotografias e áudios, permitindo a reprodução artificial de rostos, a alteração dos movimentos labiais e a clonagem de vozes, com resultados cada vez mais sofisticados e semelhantes aos registros autênticos.

Nos primeiros anos de popularização dos conteúdos produzidos por Inteligência Artificial, determinados erros eram relativamente fáceis de identificar. Mãos com dedos extras, olhos desalinhados, ausência de piscadas e movimentos faciais artificiais tornaram-se alguns dos sinais mais conhecidos. Com a evolução dos modelos de IA, entretanto, a simples procura por esses defeitos já não é suficiente para determinar se uma imagem, um vídeo ou outro material digital é verdadeiro.

Um especialista em IA procurado pelo Blog do Valdemir diz que:

Os sistemas atuais melhoraram significativamente. Ainda existem sinais que merecem atenção, como pequenas alterações no contorno do rosto durante o movimento, diferenças entre os movimentos dos lábios e a fala, sombras e reflexos incompatíveis com a iluminação da cena, textura da pele que muda de um quadro para outro, acessórios que aparecem e desaparecem, textos e objetos que se deformam e movimentos corporais pouco naturais”, explica o especialista.

Os áudios representam um desafio ainda maior para a identificação de falsificações. Sistemas modernos conseguem reproduzir timbre, sotaque e outras características individuais da fala a partir de amostras relativamente curtas da voz original. Alguns elementos podem despertar suspeita, como a ausência de respirações naturais, ritmo e volume excessivamente uniformes, pausas incomuns, entonação incompatível com o conteúdo da mensagem, pronúncia estranha de nomes próprios e mudanças abruptas de volume ou timbre.

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O especialista ressalta, contudo, que nenhum desses indícios comprova, isoladamente, que determinado conteúdo é falso. Por isso, a verificação deve começar pela procedência do material.

A melhor recomendação ainda é verificar a origem, em vez de confiar apenas na aparência. Deve-se perguntar: quem publicou primeiro? O material aparece nos canais oficiais daquela pessoa? Há registro do evento completo? Veículos jornalísticos confiáveis registraram aquela declaração? Existem versões anteriores do mesmo vídeo?, pondera.

Ferramentas acessíveis ao público, como Deepware Scanner e Hive, também podem auxiliar na análise de conteúdos em busca de indícios de manipulação ou geração por Inteligência Artificial. Esses serviços, porém, não devem ser interpretados como uma comprovação definitiva da autenticidade ou falsidade de um material.

Eles fornecem indícios e probabilidades, não um ‘certificado da verdade’. Diante de um conteúdo polêmico ou muito grave, a regra mais segura continua sendo não compartilhá-lo imediatamente, confirmar sua origem em mais de uma fonte independente e buscar informações em veículos jornalísticos e canais oficiais”, afirma.

Além da crescente sofisticação tecnológica, a velocidade de circulação das informações nas redes sociais representa outro obstáculo. Os algoritmos de recomendação não foram concebidos como ferramentas de verificação de fatos, mas como sistemas destinados a selecionar conteúdos capazes de despertar interesse e manter os usuários nas plataformas. A desinformação, frequentemente baseada em surpresa, medo, indignação ou escândalo, pode gerar elevado engajamento antes que a autenticidade do material seja devidamente apurada.

Um vídeo falso atribuindo uma declaração absurda a um candidato pode receber milhares de compartilhamentos antes que jornalistas, especialistas ou a própria plataforma consigam verificar sua autenticidade, causando estragos que ultrapassam a barreira do ambiente digital e podem perpetuar-se no mundo real como uma suposta verdade. Criar e publicar uma falsificação pode levar poucos minutos, enquanto realizar uma perícia, confirmar a origem, produzir uma checagem e comunicar essa informação a milhões de pessoas demanda muito mais tempo. Essa assimetria de velocidade impõe uma barreira significativa à contenção desses conteúdos”, alerta.

Para reduzir os riscos durante o período eleitoral, a resposta precisa ocorrer simultaneamente em diferentes frentes, com identificação clara de conteúdos sintéticos, sistemas automáticos de detecção acompanhados de revisão humana, redução temporária da recomendação de materiais suspeitos, mecanismos que dificultem compartilhamentos massivos e canais prioritários para denúncias relacionadas às eleições.

A resposta precisa combinar tecnologia, legislação, educação midiática, jornalismo profissional e comportamento responsável dos próprios usuários”, conclui o especialista.

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