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Mauro Mendes terá apoio dos deputados do MDB
Uma reunião aconteceu a portas fechadas na tarde desta quinta-feira (14), no Palácio Paiaguás com o governador Democrata (DEM), Mauro Mendes Ferreira, e contou com a presença do presidente do estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), deputado federal Carlos Bezerra, e de toda bancada do da sigla na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT).
Esta foi a primeira conversa oficial do governador Mauro Mendes pós-eleição a executiva estadual do MDB que decidiu que fará parte da base do governo estadual e que o emedebista Romoaldo Aloisio Boraczynski Junior, o “Romoaldo Junior” será o vice-líder de Mauro Mendes na Assembleia Legislativa.
Segunda a líder do partido, deputada estadual Janaína Greyce Riva, a conversa foi extremamente proveitosa para melhorar a interlocução entre eles.
“A conversa foi para discutirmos qual o plano do governo e como vai ser o direcionamento daqui pra frente. Os quatro deputados da sigla se colocaram a disposição para fazer parte da base governista. O governo entende a peculiaridade do partido com relação à defesa dos servidores e respeita isso. O MDB quer ajudar a construir um estado diferente e ajudar Mato Grosso a sair desse lamaçal e dessa crise econômica que o estado entrou. Existe agora uma afinidade com o governo e o deputado Romoaldo Junior foi inclusive convidado a ser vice-líder do Executivo, oque vai melhorar muito a interlocução do partido com o governador“.
Segundo Janaína Riva, esse primeiro diálogo serviu para alertar o governador sobre a mudança no perfil da Assembleia Legislativa com a eleição de 14 novatos e que algumas práticas não são mais aceitáveis.
“Temos uma Assembleia jovem, renovada e reforçamos que é preciso que o governador tenha essa compreensão de que hoje os deputados são muito cobrados e não é possível votar tudo a qualquer custo. Mauro disse ter essa compreensão e nós demos para ele a certeza de que vamos fazer de tudo pra ajudar o estado na melhoria da infraestrutura, educação, segurança. Ele vai contar com o partido“.
A deputada reforçou ainda que a indicação de cargos não entrou na pauta e que esse não é o objetivo da sigla.
“Esse assunto sequer foi discutido e eu cheguei inclusive a fazer uma brincadeira com o governador Mauro Mendes de que cargo não é garantia de nada. Exemplo são os ex-colegas de parlamento que detinham muitos cargos na gestão Pedro Taques e praticamente todos perderam a eleição, inclusive o próprio ex-governador. A minha visão é que ao invés de se preocupar com cargos temos que nos preocupar com um governo que seja positivo e que seja aprovado pela população“.
Integram a bancada estadual do MDB na Assembleia Legislativa os deputados: Janaína Riva, Doutor João José, Thiago Silva e Romoaldo Júnior.
Insatisfeitos com a falta de diálogo do Governo do Estado com o partido, bem como com articulações que vinham sendo conduzidas pelo líder do governo na Assembleia Legislativa, Dilmar Dal Bosco (DEM). Essa foi a primeira reunião da legenda com Mauro após as eleições.
Participaram do encontro os deputados federais Carlos Bezerra e Valtenir Pereira, o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, e os dirigentes partidários Rafael Bastos e Gonçalo Aparecido de Barros.
Destaques
Poder Judiciário interfere em decisões de veto de ex-governador de Mato Grosso
A tensão entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no estado de Mato Grosso atingiu um ponto de inflexão institucional marcante. A controvérsia central decorre da decisão do governador Mauro Mendes, que vetou integralmente o reajuste salarial de 6,8% concedido aos servidores públicos do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT). O veto fundamentou-se no risco de desequilíbrio fiscal e na potencial reação em cadeia de outras categorias do funcionalismo estadual por reajustes análogos.
O veto governamental incide diretamente sobre os vencimentos do funcionalismo público do Tribunal de Justiça mato-grossense, afetando centenas de analistas, técnicos e oficiais de justiça. O índice de 6,8% visava recompor perdas inflacionárias acumuladas pela categoria. Contudo, a recusa do Chefe do Executivo suspendeu a implementação imediata da recomposição, gerando forte insatisfação entre as carreiras jurídicas do Estado e provocando a judicialização célere do impasse normativo.
O conflito institucional atingiu seu ápice nas dependências do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e na sede da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT). A arena decisória transferiu-se do gabinete do governador para o plenário do Poder Legislativo, onde a apreciação da matéria tornou-se o centro das atenções políticas. A indefinição quanto à data de deliberação amplificou os desgastes entre as lideranças partidárias e os representantes do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário.
A controvérsia ganhou contornos judiciais no dia 8 de setembro de 2026, data em que a magistrada relatora proferiu a decisão liminar urgente. O ato jurisdicional impôs prazo exíguo para a inclusão do veto na pauta de votação da sessão ordinária subsequente, marcada expressamente para o dia 9 de setembro de 2026, às 13 horas. A determinação visou impedir a postergação da votação para outubro, período posterior ao primeiro turno do pleito eleitoral do respectivo ano.

A motivação central da intervenção governamental repousa no argumento do equilíbrio das contas públicas estaduais. O governador sustentou que a concessão isolada de reajuste aos quadros do Judiciário comprometeria a isonomia salarial e desencadearia forte pressão orçamentária por parte dos demais servidores estaduais. Por outro lado, a intervenção do Judiciário deu-se para assegurar a estrita observância do devido processo legislativo e da eficácia das ordens judiciais emitidas.
A ação judicial que culminou na ordem de votação foi impetrada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso. A entidade sindical acionou o Tribunal de Justiça após a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa anunciar formalmente o adiamento da votação. A representação dos trabalhadores argumentou que o adiamento configurava procrastinação indevida e violação manifesta do cronograma constitucional preestabelecido para apreciação de vetos.
A decisão contrária ao adiamento foi proferida pela desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, atuando em substituição legal no Tribunal de Justiça. A magistrada adotou postura firme ao rejeitar os argumentos apresentados pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi. A relatora reafirmou a supremacia das determinações judiciais sobre a conveniência política do Poder Legislativo, destacando o caráter imperativo do cumprimento das ordens exaradas pelo Poder Judiciário.

O mandado judicial impôs o cumprimento imediato da inclusão da pauta sob pena de aplicação de multa diária e pessoal no valor de R$ 50 mil ao presidente da Assembleia Legislativa. A magistrada estabeleceu que a sessão agendada para o dia 9 de setembro seria o momento compulsório para a deliberação. A sanção pecuniária severa visou garantir a efetividade da jurisdição e coibir qualquer tentativa de descumprimento fundamentada na ausência prévia da matéria na ordem do dia.
A desembargadora ressaltou que a determinação judicial limita-se à imposição de rito processual formal, preservando intacta a soberania do voto dos parlamentares. A magistrada explicitou que o Poder Judiciário não interfere no mérito da escolha legislativa, cabendo aos deputados a decisão final sobre a manutenção ou derrubada do veto. A ordem buscou tão somente assegurar que a votação ocorresse na forma e no tempo previstos na legislação constitucional vigente no Estado.
O desdobramento do caso reforça a vigência da harmonia e independência entre os Poderes, impedindo que prerrogativas regimentais fiquem sujeitas à conveniência política momentânea. A decisão assegura a efetividade do processo legislativo estadual e estabelece um precedente rigoroso sobre a obrigatoriedade do cumprimento imediato de ordens judiciais. O cenário coloca o plenário da Assembleia Legislativa Mato-grossense diante da obrigação regimental de apreciar o veto sem brechas para novos adiamentos.
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