ACAMPAMENTO TERRA LIVRE DE MT
Lideranças indígenas de todo o Estado se reúnem em Cuiabá pela defesa de direitos constitucionais
Até o dia 13 de abril, delegações indígenas de várias regiões do estado ocupam espaço simbólico da capital mato-grossense para ressaltar que Mato Grosso também é terra indígena. No entorno do monumento Ulysses Guimarães, entre as pistas da avenida Rubens de Mendonça está instalado o Acampamento Terra Livre de Mato Grosso, inspirado pelo movimento de mobilização indígena mais representativo do país, o Acampamento Terra Livre que ocorre anualmente em Brasília.
Aos moldes do evento que ocorre desde 2004 na capital federal, lideranças dos territórios mato-grossenses se reúnem na região do Centro Político Administrativo, sede dos poderes da esfera estadual, para dar visibilidade às suas lutas, causas e principalmente, para agir em defesa de direitos constitucionais. Eles também realizam uma preparatória para a edição 2023 do ATL de Brasília.

A presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Eliane Xunakalo avalia positivamente os desdobramentos dos primeiros dias. No primeiro deles, segunda-feira (10), indígenas participaram de audiência de convocação do secretário estadual de Educação, Alan Porto, realizada pelo deputado Lúdio Cabral (PT).
“O saldo foi positivo. Tivemos a oportunidade de apresentar nossas demandas. Tivemos bons encaminhamentos, mas a partir de agora, precisamos monitorar para saber se o que foi prometido será cumprido“, realçou.
“Por exemplo, foi definido que haverá um concurso específico para professores indígenas com edital saindo no final de abril e que será desenvolvido material didático específico, elaborado por professores indígenas, de cada povo. Segundo o secretário, será realizado também um levantamento das escolas e análise de processos de contratação para reformas infraestruturais. Os grupos de trabalho terão representantes indígenas“, conta Xunakalo.
Participaram também, representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Conselho Estadual Escolar Indígena e do Ministério Público Federal (MPF), entre outros.

Alerta sobre a Usina Hidrelétrica Castanheira
Já nesta terça-feira (11), lideranças do povo Rikbaktsa, das Terras Indígenas Japuíra, Escondido e Erikpatsa, localizadas na região Noroeste de Mato Grosso, solicitaram o arquivamento do processo de licenciamento da usina Usina Hidrelétrica Castanheira. O secretário executivo da pasta, Alex Marega, recebeu a carta com o pedido dos indígenas.
Programada para ser construída no Rio Arinos, no município de Juara, a usina da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) geraria menos de 100 MW de energia firme. Os impactos do empreendimento poderiam afetar, além dos Rikbaktsa, os Apiaká, Kayabi, Munduruku e Tapayuna, indígenas isolados e outras populações rurais e urbanas dos municípios da região: Juara, Novo Horizonte e Porto dos Gaúchos.
“O Estudo de Componente Indígena considerou a usina inviável por conta dos impactos negativos aos nossos povos e territórios. Por que o licenciamento não foi arquivado com tantos erros? Os estudos não podem ignorar a vazão do rio e a mudança tão impactante na nossa alimentação tradicional“, diz trecho da carta.
Direito de consulta aos povos indígenas violado
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realizou duas reuniões em maio de 2022, em plena pandemia, uma na Terra Indígena Erikpatsa e outra na Apiaká-Kayabi para apresentação do Estudo de Componente Indígena (ECI) da UHE Castanheira.
As reuniões foram apontadas como se tivessem sido a realização da consulta aos povos, no entanto, conforme os povos Munduruku, Apiaká, Kayabi/Kawaiwete, Rikbaktsa e Tapayuna, não houve essa etapa do rito de licenciamento em curso.
“Quando é interesse político, os governos estadual e federal aprovam e atropelam os processos. A Sema, a nível de Estado, deve seguir os protocolos dos povos indígenas. Quando tem uma consulta bem feita você consegue trazer diagnósticos mais completos. Nossas terras indígenas não podem ser afogadas“, afirmou Jaime Rikbaktsa durante a reunião com a Sema.
Indígenas em alerta
De outro lado, o movimento indígena acompanha ações da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, como a tramitação do PL 17/2023, que excluí a representatividade indígena no Conselho Estadual de Educação. E ainda, cobram representatividade da Federação que os representa, na recém-criada Câmara Setorial Temática das Causas Indígenas.
Outra audiência pública, desta vez para debater direitos dos povos originários nas áreas da educação, saúde, sustentabilidade e uso da terra, será realizada em pleno acampamento, nesta quinta-feira (13), às 9h. Novamente a convocação é do deputado Lúdio Cabral (PT).
Diversidade cultural
Segundo Eliane, como marco do Abril Indígena, programação nacional composta por ações em várias regiões do país com o objetivo de dar visibilidade à luta pela garantia de direitos constitucionais, são foco da luta dos povos originários de Mato Grosso, saúde e educação de qualidade, além da necessidade de demarcações. Essa é também uma das principais bandeiras do ATL de Brasília deste ano.
Sobre o ATL em MT, Eliane Xunakalo destaca:
“É um momento de comunhão, de idealizações de iniciativas para que possamos estar integrados às decisões políticas que impactam nossas vidas, além de ser este também um momento de preparação para o ATL em Brasília. Por outro lado, proporcionamos uma oportunidade de aproximação com a sociedade, especialmente com quem desconhece ou não reconhece a riqueza da diversidade dos povos indígenas mato-grossenses“.
Eliane explica que um dos focos da Fepoimt é a garantia de políticas públicas.
“Esse é um espaço aberto ao diálogo com as autoridades, que são muito bem-vindas. Não é nosso objetivo criticar. Queremos apresentar nossas demandas e ressalto, soluções também“.
Durante o dia são realizadas plenárias e apresentações de organizações parceiras do movimento indígena e de outras que também querem somar à luta. Atrações culturais ocorrem no período noturno. Quem comparecer ao ATL também pode conferir à produção de artesanato de vários povos de Mato Grosso, que estão à disposição para venda.
Agenda:
12, quarta-feira
8h- Apresentação Cultural
9h- Reunião Zoneamento
14h- Reunião Sinfra/DNIT
19h- Noite Cultural
13, quinta-feira
8h- Apresentação cultural
9h- Audiência Pública no Acampamento
16h- Coletiva de imprensa e encerramento
Destaques
Polícia Militar define finalistas para o topo da carreira institucional
A disputa por uma vaga de coronel é o ponto culminante da carreira dos oficiais militares e das forças de segurança públicas (como a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros). O posto de coronel representa o último degrau e o topo da hierarquia dessas instituições, o que torna essa concorrência extremamente acirrada e de importância estratégica.
O coronel deixa as funções operacionais de campo para assumir o planejamento estratégico, comandando batalhões inteiros, diretorias ou grandes comandos regionais. Os coronéis interagem diretamente com o alto escalão do governo estadual ou federal (como Secretários de Segurança e Governadores), participando da formulação de políticas públicas de segurança. É desse grupo restrito que sai o Comandante-Geral da instituição, o cargo máximo de liderança.
Diferente das promoções iniciais, que consideram bastante o tempo de serviço (antiguidade), a vaga para coronel costuma basear-se fortemente no critério de merecimento. Isso envolve avaliações de desempenho rigorosas, histórico limpo e cursos de aperfeiçoamento. O número de vagas para coronel é altamente limitado por Lei. Conforme a pirâmide militar se estreita, centenas de tenentes-coronéis competem por pouquíssimas cadeiras vazias.
Cinco vagas para o posto de coronel
A Comissão de Promoção de Oficiais (CPO) da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso (PMMT) definiu, no cenário institucional do estado, a lista dos quinze tenentes-coronéis que disputam as cinco vagas para o posto de coronel.
O ato administrativo ocorreu no âmbito das avaliações internas da corporação e busca preencher as vagas do posto mais elevado da hierarquia policial militar mato-grossense.

A deliberação oficial abrange todo o Estado de Mato Grosso, reunindo oficiais com atuação estratégica tanto na capital, Cuiabá, quanto em importantes municípios do interior.
As promoções respondem à necessidade contínua de renovação do alto comando militar, garantindo a continuidade do planejamento e da execução das diretrizes de segurança pública.
O processo seletivo foi conduzido de forma criteriosa pela própria comissão especializada da corporação, mediante a análise minuciosa de méritos, histórico funcional e pontuações acumuladas.
A relação reúne oficiais que atuam em unidades da Capital e do interior do Estado. As notas atribuídas pela comissão variam de 5,34 a 4,87.
A maior nota da lista é do tenente-coronel Adão César Rodrigues Silva, comandante regional de Cáceres, com 5,34. Na sequência aparecem, tenente-coronel Paulo Jailson Secchi de Ávila, que atua em Nova Mutum aparece com nota 5,337; Murilo Franco de Miranda, de Tangará da Serra, com 5,327; Fábio Alves Ribeiro, comandante da Rotam, com 5,32; e Oswaldo Marins Rabelo, de Alta Floresta, com 5,29.
Completam a relação Cleiton de Moura Viana, Breno Chaves Nogueira, Nagila de Moura Brandão, Fábio Mota de Souza, Victor Lúcio do Prado, Adonival Coelho de Souza Junior, Bruno Marcel Souza Tocantins, Gyancarlos Paglyneari Cabelho, Jussara Cristina Novacki e Marcelo Moraes de Souza.
Entre os quinze selecionados, destacam-se duas oficiais mulheres: as tenentes-coronéis Nagila de Moura Brandão, do 9º Batalhão, e Jussara Cristina Novacki, integrante da Diretoria de Defesa da Mulher.
O governador Otaviano Pivetta confirmou expressamente que, entre as cinco vagas disponíveis para a promoção, ao menos uma será destinada ao preenchimento por uma mulher.
A decisão final caberá ao chefe do Executivo Estadual, que receberá uma lista tríplice indicativa para cada vaga e anunciará os novos coronéis no prazo estimado de cinco dias.
Após a oficialização do ato administrativo, os cinco oficiais escolhidos tomarão posse na mais alta patente, assumindo responsabilidades estratégicas na condução da segurança do Estado de Mato Grosso.
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