NOVA PROPOSTA DE AQUISIÇÃO DO IMOVÉL
Justiça do Trabalho avalia proposta de R$ 20 milhões para venda da Santa Casa e abre prazo a credores
A Justiça do Trabalho em Mato Grosso iniciou, nesta semana, uma nova etapa no processo que discute a alienação do complexo-sede da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, ao intimar a comissão de credores para se manifestar sobre uma proposta formal de aquisição do imóvel. A medida foi determinada pelo juiz Angelo Cestari, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT), e estabelece prazo de cinco dias para a apresentação de posicionamento, diante da oferta protocolada pelo Instituto São Lucas, gestor do Hospital Regional Hilda Strenger Ribeiro, no município de Nova Mutum.
A proposta apresentada prevê o pagamento total de R$ 20 milhões pelo conjunto patrimonial da Santa Casa, sendo R$ 15 milhões à vista e o valor remanescente quitado de forma parcelada no prazo de seis meses. O imóvel, localizado na Praça do Seminário, em Cuiabá, possui cerca de 22 mil metros quadrados de terreno e aproximadamente 20 mil metros quadrados de área construída, configurando um dos mais relevantes patrimônios históricos e hospitalares da capital mato-grossense.
A intimação da comissão de credores decorre de despacho judicial assinado na quarta-feira (14), no qual o magistrado reuniu informações atualizadas sobre o andamento do processo de execução trabalhista. No documento, o juiz solicita que os credores avaliem tanto a viabilidade econômica da proposta quanto seus impactos sobre a quitação das dívidas trabalhistas acumuladas pela instituição ao longo dos anos, além de ponderarem aspectos positivos e eventuais prejuízos decorrentes da alienação pelo valor ofertado.

A venda do imóvel foi autorizada pela Justiça do Trabalho como alternativa para garantir o pagamento de créditos trabalhistas, após sucessivas tentativas frustradas de leilão. Inicialmente, o valor mínimo fixado para a alienação judicial era de R$ 54,7 milhões, correspondente a 70% da avaliação original, que estimou o prédio em R$ 78,2 milhões. Posteriormente, o imóvel chegou a ser ofertado por R$ 39,1 milhões, sem atrair interessados.
Diante desse histórico, a proposta atual representa uma redução significativa, equivalente a 48,8% abaixo do último valor ofertado em leilão público. Caberá agora ao Judiciário avaliar se o montante apresentado pode ser caracterizado como preço vil ou se atende, de forma razoável, ao objetivo de satisfazer os créditos trabalhistas, considerando o prolongamento do processo e a ausência de propostas anteriores.
Concluído o prazo para manifestação da comissão de credores, o juiz deverá deliberar sobre a aceitação preliminar da oferta. Caso o entendimento seja favorável, será publicado edital para abertura de prazo destinado à apresentação de propostas superiores, assegurando maior competitividade e transparência ao procedimento de alienação judicial.
Na sequência, conforme previsto no Código de Processo Civil, será garantido o direito de preferência, em igualdade de condições, à União, ao Estado de Mato Grosso e ao Município de Cuiabá, respectivamente. Esses entes públicos poderão exercer a prerrogativa de aquisição antes da consolidação da venda a particulares, desde que observadas as mesmas condições financeiras da melhor proposta apresentada.
Outro ponto central do processo diz respeito à situação jurídica da posse do imóvel. Parte da estrutura da Santa Casa permanece sob requisição administrativa do Estado desde 2019, quando o governo estadual assumiu a gestão dos bens vinculados às atividades da Sociedade Beneficente Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. Atualmente, o local abriga o Hospital Estadual Santa Casa, e eventual imissão na posse por um comprador somente poderá ocorrer após o encerramento formal dessa requisição, o que adiciona um elemento adicional de complexidade ao desfecho da negociação.
Destaques
Seca e focos de queimadas elevam a migração de animais peçonhentos para residências urbanas em Várzea Grande
A mudança desordenada do ambiente e o uso indiscriminado de venenos podem favorecer a proliferação de animais peçonhentos, como escorpiões, aranhas e cobras. Quando o ambiente natural é alterado, esses animais perdem seus abrigos e passam a buscar refúgio em áreas urbanas, residências e quintais. O uso de venenos sem orientação técnica elimina predadores naturais e presas, como insetos, desequilibrando o ecossistema.
Esse desequilíbrio faz com que os animais peçonhentos se espalhem com mais facilidade e apareçam com maior frequência. A melhor forma de prevenção é o controle ambiental: limpeza, eliminação de entulhos, manejo correto do lixo e orientação adequada da população.
As condições climáticas adversas observadas no município de Várzea Grande, caracterizadas pelo período de estiagem severa e pelo aumento dos focos de queimadas, estão forçando espécies peçonhentas, como escorpiões, aranhas, serpentes, abelhas e lacraias, a migrarem de seus habitats naturais rumo a perímetros urbanizados em busca de abrigo, água e alimento.
Os moradores de todas as regiões da cidade, com especial atenção aos residentes de bairros periféricos e de áreas próximas a terrenos baldios ou com acúmulo de entulhos, encontram-se expostos a essa aproximação sinantrópica, que exige maior rigor nas medidas preventivas cotidianas dentro e fora das habitações.
O fenômeno atinge sua cúpula epidemiológica no período de estiagem de 2026, com dados coletados entre janeiro e agosto demonstrando a ocorrência sistemática de acidentes, sob a liderança dos escorpiões, que computaram 60 notificações no município durante os primeiros oito meses deste exercício.
A migração massiva fundamenta-se na destruição e degradação dos ecossistemas nativos pelo fogo, somadas às temperaturas extremas, dinâmica que compele os espécimes a buscarem ambientes sombreados, úmidos e com oferta abundante de presas, como as baratas urbanas.

Para conter a proliferação e o ingresso desses animais, o Centro de Controle de Zoonoses de Várzea Grande (CCZ-VG) recomenda a aplicação rigorosa da “técnica dos quatro As” (eliminação de abrigo, acesso, alimento e água), aliada à vedação de ralos, eliminação de entulhos e manutenção de quintais limpos.
Embora os registros ocorram em todo o território municipal, a Região 1 desponta como o epicentro das notificações, englobando localidades densamente povoadas como Grande Cristo Rei, Parque do Lago, Uniparque, Santa Clara, Aurília Curvo, Manga e trechos do Ponte Nova.
Diante do surgimento recorrente de espécimes, o CCZ-VG disponibiliza vistorias técnicas e orientações preventivas por meio do canal oficial de atendimento via WhatsApp, no número (65) 98476-5719, desaconselhando terminantemente o uso indiscriminado de pesticidas químicos.
Em eventuais casos de picadas ou ferimentos, o munícipe deve dirigir-se imediatamente ao Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande, Unidade de Saúde dotada de estrutura técnica e insumos específicos, incluindo soros antiveneno para avaliação médica criteriosa.
A preocupação das autoridades de saúde justifica-se pela elevada vulnerabilidade de crianças e idosos, grupos nos quais a toxicidade dos venenos pode acarretar complicações clínicas graves, independentemente do porte ou da coloração do animal envolvido na ocorrência.
Atuam na linha de frente desse trabalho de conscientização e monitoramento os biólogos e técnicos do Centro de Controle de Zoonoses de Várzea Grande (CCZ-VG), a exemplo da especialista Thayse Oliveira, que mapeiam a presença de espécies de relevância médica nacional, como o Tityus serrulatus e o Tityus bahiensis, para orientar a população local.

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