SUSPENSO PELA JUSTIÇA FEDERAL
Justiça atende pedido da ação movida pela DPU e suspende concursos da PM e dos Bombeiros do MT
O governador do Estado de Mato Grosso, Mauro Mendes Ferreira (UB), e o Secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, lançaram em janeiro deste ano, 7 editais para o concurso público das forças de segurança. O certame contemplaria 11 diferentes cargos destinados à Policia Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Judiciária Civil e Politec. Para a realização do concurso, o Governo do Estado contratou a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
As inscrições iniciam no dia 12 e seguem até o dia 24 de janeiro, ao valor era de R$ 130. Todas as vagas exigem Ensino Superior Completo e seriam para cadastro de reserva, no entanto, o governador Mauro Mendes anunciou que pretendia nomear 1.200 novos servidores em 2022.
Para a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar, as vagas eram para oficiais e soldados. Para a Polícia Judiciária Civil, as vagas eram para escrivão e investigador. Já para a Politec, as vagas seriam para perito oficial criminal, perito médico legista e perito odonto legista.
As provas ocorreriam no dia 20 de fevereiro nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Barra do Garças. O concurso terá validade de dois anos, podendo ser prorrogado por mais dois anos.

Concurso suspenso
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE/MT), divulgou no dia 24 de fevereiro, que a homologação dos concursos da Segurança Pública do Mato Grosso estava suspensa até que se conclua a investigação aberta após suspeita de fraude nas provas objetivas, aplicadas no domingo dia 20 de fevereiro. Ao todo, 66 mil pessoas se inscreveram para os concursos da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Politec.
Decisão determina disponibilização de gravações de testes de aptidão física
Nesta quinta-feira (26), a Justiça Federal suspendeu a realização dos concursos Públicos do Corpo de Bombeiros Militar e da Polícia Militar de Mato Grosso para formação de cadastro de reserva para os cargos públicos. Os concursos devem ser paralisados até que sejam disponibilizadas as gravações do Teste de Aptidão Física (TAF) para os candidatos examinados interessados em obtê-las.

A decisão do juiz Raphael Casella de Almeida Carvalho, da 8ª Vara Federal Cível, atendeu a uma ação civil pública ajuizada pela Defensoria Pública da União (DPU) na quarta (25) contra o Estado de Mato Grosso e a Fundação Universidade Federal de Mato Grosso (FUFMT).
“Além de garantir o acesso às filmagens, também se faz necessária a garantia de análise dos eventuais recursos administrativos. Assim, é de bom alvitre que o concurso seja suspenso enquanto a disponibilização das filmagens/gravações e a reabertura do prazo recursal não forem tomadas, considerando que certamente haverá alteração no cronograma”, assinalou o magistrado na decisão.
Raphael Casella de Almeida Carvalho determinou o fornecimento, no prazo de 48 horas, das gravações do Teste de Aptidão Física aos candidatos dos concursos públicos nos sites dedicados às publicações dos concursos. Também decidiu que deve ser reaberto o prazo para interposição de recurso administrativo pelo candidato interessado diante do teste de aptidão física. Os organizadores devem, ainda, apresentar novo cronograma no prazo de cinco dias, o que deve ser divulgado no site oficial dos concursos.
A DPU entende que a situação violou o princípio da publicidade dos atos administrativos praticados pela Administração Pública, assim como do contraditório e da ampla defesa.
“A postura dos réus em negar acesso às filmagens do TAF é evidentemente inconstitucional e ilegal”, destacou o defensor regional de Direitos Humanos de Mato Grosso, Renan Vinicius Sotto Mayor, responsável pela ação.
“Não é crível que todos os candidatos que busquem interpor um recurso administrativo contra o TAF necessitem ingressar com mandado de segurança para conseguir acesso às filmagens do referido teste. Esse é um caso clássico da importância da tutela coletiva para a efetividade dos direitos constitucionalmente garantidos”, argumentou o defensor.
Destaques
O desafio à saúde do “Cacique Raoni” no “Coração da Amazônia”
O líder indígena Raoni Metuktire, de 93 anos, permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no município de Sinop, localizado na região norte de Mato Grosso. A internação da maior liderança caiapó do país ocorreu após um agravamento severo de seu quadro respiratório crônico, gerando imediata mobilização da comunidade médica e de organizações socioambientais. O boletim emitido pela equipe de saúde confirma que o paciente encontra-se sob monitoramento contínuo, recebendo suporte multidisciplinar em uma ala de alta complexidade.
O internamento na UTI do Hospital Dois Pinheiros tornou-se necessário após a constatação de uma crise aguda de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), enfermidade que progressivamente compromete a capacidade respiratória do líder indígena. Diante da severidade dos sintomas apresentados no ambiente domiciliar e do risco iminente de insuficiência respiratória, os profissionais decidiram que o isolamento em ambiente de terapia intensiva seria a medida mais segura para garantir a estabilização hemodinâmica do paciente.
A internação hospitalar de Raoni Metuktire teve início formal na última terça-feira, dia 12, quando os primeiros sinais de debilitação física se manifestaram em sua residência. Após uma primeira transferência interestadual provisória na quinta-feira, dia 14, a internação definitiva na unidade intensiva foi consolidada no sábado, dia 16. O monitoramento rigoroso estende-se ao longo deste domingo, período no qual a equipe médica divulgou novas informações oficiais detalhando a evolução clínica do “Histórico Defensor da Amazônia”.

O atendimento emergencial foi concentrado inicialmente no município de Peixoto de Azevedo, localidade mais próxima à base territorial do líder caiapó, e posteriormente transferido para a estrutura de alta complexidade do Hospital Dois Pinheiros, situado em Sinop, polo de saúde do norte mato-grossense. Essa transferência estratégica atendeu a um pedido expresso dos familiares de Raoni, que buscaram garantir acesso imediato a recursos tecnológicos avançados e a especialistas capazes de lidar com as severas especificidades do quadro clínico apresentado.
O agravamento da saúde do cacique decorre diretamente de uma severa crise provocada pela Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), associada a fatores preexistentes que elevam a vulnerabilidade do paciente.
O quadro clínico atual é complexo: Raoni possui uma hérnia diafragmática traumática crônica, sequela de um acidente automobilístico sofrido há duas décadas, e faz uso regular de marcapasso cardíaco.
A conjunção dessas enfermidades crônicas com a idade avançada do líder reduziu significativamente sua reserva funcional, exigindo intervenção médica imediata.
O plano de contingência médica foi executado por meio de uma operação logística terrestre e hospitalar cuidadosamente coordenada, que envolveu a remoção assistida do paciente entre diferentes unidades de saúde da região amazônica. A transferência inicial da residência para o Hospital Regional de Peixoto de Azevedo e a subsequente remoção para a UTI em Sinop seguiram protocolos rígidos de segurança climática e biológica, com o objetivo de evitar o desgaste físico do paciente e prevenir infecções secundárias.
A responsabilidade direta pelo tratamento de Raoni Metuktire está a cargo de um corpo médico especializado, composto pelo diretor clínico Túlio Emanuel Orathes Ponte e pelo diretor executivo Douglas Yanai. O plano terapêutico é desenvolvido de forma integrada com o médico Douglas Antônio Rodrigues, profissional vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que acompanha o histórico de saúde da liderança indígena há três décadas, garantindo um valioso alinhamento histórico e científico nas decisões.

De acordo com o último Boletim Oficial divulgado pela equipe assistencial, o paciente apresenta um quadro clínico considerado estável, sem o registro de intercorrências graves ou instabilidades hemodinâmicas nas últimas horas de observação.
A manutenção dessa estabilidade em um paciente de 93 anos é interpretada pelos especialistas como um sinal encorajador, embora o prognóstico permaneça reservado e demande a continuidade rigorosa do suporte ventilatório e medicamentoso na unidade de terapia intensiva.
A repercussão do internamento de Raoni estende-se globalmente devido à sua importância histórica como a principal liderança geopolítica da causa indígena no Brasil e defensor internacional da preservação da bacia do Rio Xingu. Ele reside formalmente na Terra Indígena Capoto/Jarina, uma área protegida essencial para a conservação ambiental brasileira. A oscilação na saúde do cacique gera comoção e acende alertas em instituições de direitos humanos, que enxergam na figura do veterano um pilar fundamental da diplomacia socioambiental.
Os custos financeiros e a estrutura logística demandados pelo tratamento de alta complexidade do líder indígena estão sendo geridos por meio de uma articulação que envolve o suporte institucional da Unifesp e o monitoramento de órgãos indigenistas associados.
Esse esforço conjunto visa assegurar que todos os insumos tecnológicos e farmacêuticos necessários estejam plenamente disponíveis, garantindo que o tratamento do cacique atenda aos mais elevados padrões da medicina intensiva contemporânea sem restrições operacionais.
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