EM RISCO O DIREITO DE PROPRIEDADE
“Mauro reconsiderou o pedido de expropriação de propriedades com desmatamento ilegal”
O Governador do Estado de Mato Grosso, Mauro Mendes Ferreira (UB), protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando autorização para confiscar propriedades rurais flagradas com desmatamento ilegais. O pedido da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) de Mato Grosso tem como base a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 743, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como relator da ação, o ministro Flávio Dino .
A argumentação do ministro Flávio Dino, é que essa interpretação estaria alinhada ao artigo 243 da Constituição Federal, que já prevê essa penalidade para terras usadas para cultivo ilegal de drogas e trabalho análogo à escravidão.
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 743, proposta pelos partidos Rede Sustentabilidade e PSOL, questiona a atuação do Governo Federal e de Estados na fiscalização do desmatamento ilegal na Amazônia Legal.
Durante Audiência de Conciliação realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2024, discutiu-se a possibilidade de aplicar sanções mais rígidas contra crimes ambientais, incluindo a expropriação de terras onde ocorrem queimadas criminosas e destruição de vegetação nativa.

Em sua resposta ao Supremo Tribunal Federal (STF), o governador Mauro Mendes (UB), afirmou que o Estado de Mato Grosso reconhece a gravidade do problema e defende o endurecimento das punições contra grandes desmatadores ilegais. No documento cita que as sanções aplicadas atualmente, como multas e embargos, não têm sido suficientes para frear a devastação ambiental, e que a possibilidade de perda da terra poderia ser um mecanismo mais eficaz para coibir práticas predatórias.
Base constitucional para a expropriação
O Governo de Mato Grosso sustentava que o artigo 243 da Constituição Federal já prevê a expropriação de propriedades utilizadas para cultivo de plantas psicotrópicas ou exploração de trabalho análogo à escravidão, destinando-as à reforma agrária ou a programas de habitação popular. A proposta apresentada ao STF sugere que essa mesma regra seja aplicada para punir proprietários que promovem desmatamento ilegal, uma vez que a destruição ambiental também constitui uma grave violação ao interesse público.
O pedido também repercutiu na Assembleia Legislativa Mato-grossense
Os deputados estaduais Gilberto Cattani (PL) e Janaina Riva (MDB), afirmaram que o chefe do Executivo Estadual estaria agindo de forma arbitrária, sem dialogar com os produtores.
A deputada emedebista usou as redes sociais para se posicionar, mais uma vez, contra ação do governo Mauro Mendes em acionar o Supremo Tribunal de Federal (STF) para confiscar terras desmatadas em Mato Grosso. No vídeo, a parlamentar ainda se mostrou preocupada com o perfil de Mauro Mendes, que, segundo ela, não aceita bem críticas e opiniões.
“Imagina você dando carta branca para se tomar terra no Brasil?”.
“É muito perigoso quando uma pessoa só se acha autossuficiente para tomar uma decisão dessa proporção em nome do nosso Estado e de todos nós“.
O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) fez duras críticas ao Governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (UB), por ingressar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode permitir a expropriação de propriedades rurais onde for constatado desmatamento ilegal.
Ele alertou que, caso a proposta seja acatada, produtores poderão perder suas propriedades sem indenização caso sejam autuados por desmatamento irregular.
“Se um fiscal for lá e entender que isso é um desmatamento ilegal, como tem acontecido, você pode perder a sua propriedade. O governador entrou no STF e entregou ao ministro Flávio Dino uma petição para fazer exatamente isso”.
MT recua de ação sobre confisco de terras desmatadas ilegalmente
Nesta terça-feira (15) e atendendo a um pedido da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT) e outras entidades ligadas ao setor produtivo. O governador Mauro Mendes (UB) recuou da ação judicial protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) que pedia a expropriação de terras onde haja desmatamento ilegal ou queimadas criminosas.
“A Aprosoja MT reafirma que é possível combater o desmatamento ilegal com base na lei, no devido processo legal e em instrumentos eficazes de fiscalização, regularização fundiária e incentivo à produção sustentável, sem adoção de medidas extremas capazes de colocar em risco a segurança jurídica e o direito de propriedade da coletividade”.
Na medida defendida pelo Governo do Estado de Mato Grosso previa a aplicação do artigo 243 da Constituição Federal para punir com a perda da propriedade aqueles que cometerem crimes ambientais graves, Mauro Mendes justificou que menos de 2% dos produtores rurais praticam esse tipo de crime, mas que o impacto dessas ações acaba afetando toda a imagem do agronegócio mato-grossense.
Mauro Mendes ainda chegou a argumentar que as sanções atuais contra crimes ambientais são ineficazes e defende que a expropriação de terras seja usada como uma punição severa.
“Seria absurdo imaginar que a Constituição admita confisco de propriedade para quem planta alguns hectares de cannabis, mas vedaria tal sanção a quem devasta milhares de hectares de floresta nativa em franca ilegalidade”, justifica o documento.
Nota da Aprosoja
O Governador de Mato Grosso, Mauro Mendes cumpriu a palavra dada aos produtores durante a Assembleia da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e, em manifestação oficial ao Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou o pedido de expropriação de propriedades com desmatamento ilegal, retirando o pleito anterior de aplicação do art. 243 da Constituição.
Essa importante decisão é fruto da atuação firme da Aprosoja MT, da participação ativa das entidades do setor produtivo e, sobretudo, da postura exemplar dos produtores presentes, que mostraram que sabem fazer uma crítica respeitosa, mas incisiva e coerente, capaz de promover reflexão e mudança de rumo.
A Aprosoja MT reafirma que é possível combater o desmatamento ilegal com base na lei, no devido processo legal e em instrumentos eficazes de fiscalização, regularização fundiária e incentivo à produção sustentável, sem adoção de medidas extremas capazes de colocar em risco a segurança jurídica e o direito de propriedade da coletividade.
Nosso agradecimento ao governador Mauro Mendes, pela sensibilidade, pela escuta ativa e por manter o compromisso com o diálogo democrático e com a construção de soluções que respeitem quem produz com responsabilidade. Seguimos juntos, em defesa dos produtores de soja e milho de Mato Grosso.
Destaques
O desafio à saúde do “Cacique Raoni” no “Coração da Amazônia”
O líder indígena Raoni Metuktire, de 93 anos, permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no município de Sinop, localizado na região norte de Mato Grosso. A internação da maior liderança caiapó do país ocorreu após um agravamento severo de seu quadro respiratório crônico, gerando imediata mobilização da comunidade médica e de organizações socioambientais. O boletim emitido pela equipe de saúde confirma que o paciente encontra-se sob monitoramento contínuo, recebendo suporte multidisciplinar em uma ala de alta complexidade.
O internamento na UTI do Hospital Dois Pinheiros tornou-se necessário após a constatação de uma crise aguda de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), enfermidade que progressivamente compromete a capacidade respiratória do líder indígena. Diante da severidade dos sintomas apresentados no ambiente domiciliar e do risco iminente de insuficiência respiratória, os profissionais decidiram que o isolamento em ambiente de terapia intensiva seria a medida mais segura para garantir a estabilização hemodinâmica do paciente.
A internação hospitalar de Raoni Metuktire teve início formal na última terça-feira, dia 12, quando os primeiros sinais de debilitação física se manifestaram em sua residência. Após uma primeira transferência interestadual provisória na quinta-feira, dia 14, a internação definitiva na unidade intensiva foi consolidada no sábado, dia 16. O monitoramento rigoroso estende-se ao longo deste domingo, período no qual a equipe médica divulgou novas informações oficiais detalhando a evolução clínica do “Histórico Defensor da Amazônia”.

O atendimento emergencial foi concentrado inicialmente no município de Peixoto de Azevedo, localidade mais próxima à base territorial do líder caiapó, e posteriormente transferido para a estrutura de alta complexidade do Hospital Dois Pinheiros, situado em Sinop, polo de saúde do norte mato-grossense. Essa transferência estratégica atendeu a um pedido expresso dos familiares de Raoni, que buscaram garantir acesso imediato a recursos tecnológicos avançados e a especialistas capazes de lidar com as severas especificidades do quadro clínico apresentado.
O agravamento da saúde do cacique decorre diretamente de uma severa crise provocada pela Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), associada a fatores preexistentes que elevam a vulnerabilidade do paciente.
O quadro clínico atual é complexo: Raoni possui uma hérnia diafragmática traumática crônica, sequela de um acidente automobilístico sofrido há duas décadas, e faz uso regular de marcapasso cardíaco.
A conjunção dessas enfermidades crônicas com a idade avançada do líder reduziu significativamente sua reserva funcional, exigindo intervenção médica imediata.
O plano de contingência médica foi executado por meio de uma operação logística terrestre e hospitalar cuidadosamente coordenada, que envolveu a remoção assistida do paciente entre diferentes unidades de saúde da região amazônica. A transferência inicial da residência para o Hospital Regional de Peixoto de Azevedo e a subsequente remoção para a UTI em Sinop seguiram protocolos rígidos de segurança climática e biológica, com o objetivo de evitar o desgaste físico do paciente e prevenir infecções secundárias.
A responsabilidade direta pelo tratamento de Raoni Metuktire está a cargo de um corpo médico especializado, composto pelo diretor clínico Túlio Emanuel Orathes Ponte e pelo diretor executivo Douglas Yanai. O plano terapêutico é desenvolvido de forma integrada com o médico Douglas Antônio Rodrigues, profissional vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que acompanha o histórico de saúde da liderança indígena há três décadas, garantindo um valioso alinhamento histórico e científico nas decisões.

De acordo com o último Boletim Oficial divulgado pela equipe assistencial, o paciente apresenta um quadro clínico considerado estável, sem o registro de intercorrências graves ou instabilidades hemodinâmicas nas últimas horas de observação.
A manutenção dessa estabilidade em um paciente de 93 anos é interpretada pelos especialistas como um sinal encorajador, embora o prognóstico permaneça reservado e demande a continuidade rigorosa do suporte ventilatório e medicamentoso na unidade de terapia intensiva.
A repercussão do internamento de Raoni estende-se globalmente devido à sua importância histórica como a principal liderança geopolítica da causa indígena no Brasil e defensor internacional da preservação da bacia do Rio Xingu. Ele reside formalmente na Terra Indígena Capoto/Jarina, uma área protegida essencial para a conservação ambiental brasileira. A oscilação na saúde do cacique gera comoção e acende alertas em instituições de direitos humanos, que enxergam na figura do veterano um pilar fundamental da diplomacia socioambiental.
Os custos financeiros e a estrutura logística demandados pelo tratamento de alta complexidade do líder indígena estão sendo geridos por meio de uma articulação que envolve o suporte institucional da Unifesp e o monitoramento de órgãos indigenistas associados.
Esse esforço conjunto visa assegurar que todos os insumos tecnológicos e farmacêuticos necessários estejam plenamente disponíveis, garantindo que o tratamento do cacique atenda aos mais elevados padrões da medicina intensiva contemporânea sem restrições operacionais.
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