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Vicente Vuolo : Política medíocre

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                                                                Política medíocre

Por Vicente Vuolo 


A política brasileira está doente, capenga, sem pernas, rastejando como uma cobra sem saber para onde ir. Deveríamos ser os semeadores deste país. Cultivá-lo como ele é e pelo que é. E encontrar a nossa vida saudável, feliz, o nosso lugar de verdade. 

vicente Vuolo-artigoInfelizmente, por falta de lideranças e estadistas, isto está muito longe da imaginação dos atuais políticos. O imaginário deles remete à busca insaciável pelo poder, a expansão ilimitada que destrói o meio ambiente e a propaganda escancarada pelo incentivo de produtos de consumo. É nesse imaginário que o sistema se apoia. 

Não se trata de políticas, mas de políticos, poucos se salvam. Na maioria, são pessoas que pedem o voto de toda e qualquer maneira. Sem propostas, sem programa algum. Nem que seja necessário mentir. O seu objetivo é permanecer no poder ou voltar ao poder e, para isso, são capazes de tudo. 

Para o pensador Augusto Cury, “um ser humano inteligente discute ideias. Um ser humano mediano discute comportamentos, como fatos, estilos e conceitos. Um ser humano superficial discute pessoas, quer dizer, suas roupas, projeção, imagem. Onde vocês se encontram?” 

De acordo com a romancista, poetisa e tradutora Lya Luft, “Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina assustadora, implacável e persistente. Autoridades, altos cargos, líderes, em boa parte desinformada, desinteressada, inculta, lamentável. 

Alunos que saem do ensino médio semianalfabetos e assim entram nas universidades, que aos poucos – refiro-me às públicas – vão se tornando reduto de pobreza intelectual”. 

Acredita-se que o potencial criativo humano tenha início na infância. Por isso, o fortalecimento da educação básica é essencial, ainda bem distante do ideal. Criar só é possível quando o cérebro detém uma grandiosa e alargada variedade de conhecimentos e informações, fazendo com que as associações de ideias, ocorram de uma forma mais fluida e direcionada. 

Na Inglaterra, desde a década de 1950, as crianças, em seus primeiros momentos na escola, começam a receber ensinamentos sobre comportamento, ética e filosofia. Isso vai orientá-las pelo resto da vida. 

No Brasil, há alguns anos, isso também tem sido prática em algumas escolas de educação infantil e ensino fundamental. Mas é uma experiência que precisa ser expandida. 

Mas, além disso, em um país que vivencia uma forte crise moral, que se reflete e se amplifica nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional, ética, valores, respeito e responsabilidade, deveriam ser temas cotidianos, nas televisões, nas casas, nas igrejas, nos sindicatos, nas empresas. 

O Brasil sempre foi visto como o “país do futuro”. Na verdade, de um país subdesenvolvido, com índices de miséria alarmantes, nós conseguimos avançar muito nessas últimas décadas. Mas não podemos ficar achando que tudo se resolve pela inércia. 

O que conquistamos do ponto de vista da economia, da tecnologia e da infraestrutura, pode se perder se não tivermos a capacidade de construir uma sociedade forte, com ética, integridade, responsabilidade e compromisso como próximo. 

E, para fazer isso, precisamos mudar a política. Mais que uma reforminha cosmética, precisamos de uma reforma política séria e profunda. 

Precisamos de uma reforma política que estabeleça regras republicanas e que motive a juventude a participar da vida política, na busca de ideais e não de dinheiro e poder. 

VICENTE VUOLO é economista, cientista político e analista legislativo do Senado Federal. 
[email protected]

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A crise que abala a República

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Autor: André Naves*

Desde que nasci, já sobrevivi a diversas crises. No entanto, a que hoje atravessa o Supremo Tribunal Federal, apresenta ingredientes de ineditismo. É importante frisar que nenhum poder está acima da lei, acima da Constituição Democrática brasileira, e que toda crítica aos ministros do STF não se confunde com críticas ao STF, instância democrática, de fundamental importância.

Em 8 de setembro de 2026, o Ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do Diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.

A decisão decorreu de pedido formulado pelo Partido Novo em 2 de setembro, no sentido de que fossem adotadas providências para preservar a independência, a integridade e a efetividade das investigações em curso, inclusive com a avaliação do afastamento cautelar do Diretor-Geral.

O ministro André Mendonça registrou que foi submetido a monitoramento sistemático pela inteligência da Polícia Federal, materializado em ao menos seis relatórios de inteligência produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026 e encaminhados, segundo a imprensa, ao Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News.

Se confirmados, estamos diante da máquina de inteligência do Estado posta a serviço da perseguição, não da investigação, para proteger alvos de denúncias de corrupção. A “arapongagem institucional” que Mendonça denunciou, se verdadeira, é incompatível com o Estado Democrático de Direito, ainda mais pelo motivo de buscar deslegitimar uma investigação prévia. O que estamos vivendo é grave e, lamentavelmente, tem a potencialidade de deslegitimar o órgão maior do Poder Judiciário.

Entretanto, a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são competência privativa do Presidente da República. Ao afastar a autoridade, o Judiciário praticou, na substância, um ato de gestão executiva. E Mendonça era o alvo do monitoramento. Ninguém deveria julgar a própria causa. A decisão de juiz-vítima não pode ser admitida.

Não é possível, em resumo, aplaudir essa arbitrariedade formal, mesmo que usando como justificativas as mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vamos lembrar? “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei?, perguntou o banqueiro ao ministro Alexandre de Moraes, em diálogos que revelam tentativas de interferência junto ao procurador-geral e ao diretor da PF. Um investigado tentando manobrar a PGR e a Polícia Federal.

Ou seja, não há mocinho nessa história. Há um sistema em que o poder econômico, o tribunal e a cúpula policial se tornaram instrumentos autoritários e antidemocráticos. Exatamente por isso, a carta dos treze ex-ministros e ex-presidentes do STF – de Eros Grau a Rosa Weber, passando por Celso de Melo – é uma das manifestações mais importantes sobre esta crise. Eles não pedem defesa de ninguém. Pedem o que a República precisa: “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos” que mergulharam a Corte na “mais aguda crise de sua história”, em sessão pública do Pleno.

A crise não se resolve escolhendo um lado para condenar, nem outro para absolver. Resolve-se de acordo com o devido processo constitucional e legal.

*André Naves é Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social. Mestre em Economia Política. Comendador Cultural. Escritor e Professor.

Saiba mais em www.andrenaves.com e em suas redes sociais: @andrenaves.def

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