Artigo
Saneamento, muito além do básico
Autor: Leonardo Menna* –
Ação ou efeito de sanear; tornar uma área limpa e sadia, oferecendo condições adequadas de vida para uma população, o significado de saneamento básico no dicionário nos apresenta um leque de possibilidades. Na prática, é um pouco mais complexo. Do rio até as torneiras ou mesmo o caminho inverso, o saneamento é feito por tubulações, estruturas, processos e pessoas. Em Cuiabá, esse caminho tem sido constantemente aprimorado, com investimentos que refletem o compromisso em garantir qualidade de vida para seus mais de 650 mil habitantes.
De 2017 pra cá, R$ 1,34 bilhão investidos e revertidos em resultados reais. Investimentos esses, que perpassam as estruturas robustas das grandes estações de tratamento de água e esgoto e os milhares de quilômetros de redes implantados, resultando em qualidade de vida e preservação ambiental. O valor real que o povo cuiabano merece, comprovado também pelo reconhecimento de Cuiabá como uma das cidades que mais investem em saneamento por habitante, segundo o Instituto Trata Brasil.
Essas infraestruturas são a espinha dorsal do saneamento e fazem com que cada casa, bairro e família cuiabana receba água de qualidade na torneira e que o seu esgoto seja tratado adequadamente antes de ser devolvido ao meio ambiente. No entanto, por trás de todo aço e estrutura que compõe esse organismo vivo que é o saneamento, existe um time de pessoas dedicadas a fazer a diferença todos os dias.
Cuiabanos de “chapa e cruz” ou mesmo “pau rodados” como eu, são homens e mulheres que acordam cedo, vão dormir tarde ou, muitas vezes, nem dormem, trabalhando incansavelmente para garantir que o sistema esteja sempre em operação. São esses profissionais que enfrentam os desafios diários e fazem o saneamento cuiabano acontecer.
Aliás, é essa dedicação que contribui para o fato de Cuiabá ser reconhecida como uma das melhores capitais do Brasil em saneamento, e por três anos consecutivos figurar entre os destaques nacionais pelo ranking do Trata Brasil. Esse é um resultado que nos enche de orgulho, pois demonstra que o trabalho contínuo e os investimentos feitos ao longo dos anos estão refletindo diretamente na qualidade de vida da população.
Como diretor geral da Águas Cuiabá, tenho a honra de fazer parte desse processo de transformação. A cada avanço, a cada nova obra, e a cada melhoria, vejo o reflexo do nosso compromisso com o futuro de Cuiabá. A evolução do saneamento, que vai muito além do básico, é parte fundamental para o desenvolvimento sustentável da cidade e para a construção de uma sociedade mais sustentável.
Ao celebrarmos os 306 anos de Cuiabá, é fundamental lembrarmos que o saneamento tem um papel central na história da cidade. Ele é um dos pilares que sustentam a saúde pública, a educação, o turismo e a economia. Cada investimento feito, cada estrutura construída e cada esforço dedicado ao saneamento cuiabano são passos fundamentais para garantir um futuro mais próspero e digno, não apenas para o presente, mas por pelo menos mais trezentos anos.
*Leonardo Menna é diretor geral da Águas Cuiabá
Artigos
O que pode estar por trás dos bloqueios emocionais
Autora: Adriana Braz de Oliveira* –
Você já sentiu uma tristeza que não sabia explicar? Uma angústia que parecia não ter origem? Ou talvez um padrão que se repete na sua vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas, e que, por mais que você tente mudar, insiste em aparecer? Pois bem, pode ser que essa história tenha começado muito antes de você.
Partimos de uma premissa simples, mas profunda: não somos ilhas. Somos o resultado de tudo aquilo que vivemos, sim, mas também do que as gerações antes de nós viveram e não conseguiram elaborar completamente. Lutos que não foram chorados, segredos que ficaram guardados, pessoas que foram excluídas da família, traumas que ficaram sem amparo. Tudo isso não desaparece com o tempo, mas circula, de forma silenciosa, dentro do sistema familiar — e pode aparecer na vida dos descendentes como ansiedade sem nome, bloqueios inexplicáveis ou relacionamentos que nunca fluem.
Não se trata de culpar os nossos ancestrais. Muito pelo contrário. Trata-se de compreender que o que sentimos nem sempre começou em nós. E que ao trazer luz para essas dinâmicas, deixamos de repetir automaticamente e passamos a ter escolha.
Podemos pensar, por exemplo, no impacto da ausência paterna na vida de uma pessoa. E aqui é importante entender que ausência não significa apenas não estar presente fisicamente. Um pai pode estar em casa todos os dias e, ainda assim, ser emocionalmente distante, indisponível, desconectado.
Quando a paternidade não vem acompanhada de vínculo real, isso deixa marcas. O filho pode crescer com dificuldade de se sentir pertencente ao mundo, de confiar em si mesmo, de se realizar profissionalmente ou de construir relacionamentos saudáveis. Muitas vezes, passa a vida tentando preencher esse vazio em outros lugares: em parceiros, em conquistas, na busca por aprovação.
No entanto, a ideia não é forçar uma reconciliação artificial com esse pai. Mas algo ainda mais transformador: dar um lugar interno a essa figura, com todas as suas limitações humanas, para que o filho possa, finalmente, seguir em frente sem carregar esse peso. E é justamente aqui que surge um dos maiores equívocos sobre o processo de transformação: a crença de que, para se libertar, é preciso cortar os vínculos com o passado. Que para ser livre, é necessário esquecer, romper, rejeitar.
Quando tentamos fugir da nossa história com raiva ou repúdio, continuamos presos a ela, só que de outro jeito. A rejeição também é uma forma de emaranhamento. E a repetição continua, muitas vezes com polaridade invertida. A verdadeira liberdade começa quando paramos de fugir e passamos a olhar. Quando nos permitimos ver nossa origem como ela realmente foi, sem idealizações e sem condenações. Quando conseguimos dizer internamente: “você é meu pai, você é minha mãe, e eu recebo a vida que vocês me deram.” Não porque o passado foi perfeito, mas porque ele foi real. E porque, ao aceitá-lo, abrimos espaço para que a vida possa, finalmente, fluir.
Diferenciar-se não é apagar de onde viemos. É honrar as raízes com consciência, deixar com cada um o peso que lhe pertence, e assumir com coragem e leveza o próprio lugar no mundo. Esse é o caminho proposto: não o de quem foge, mas o de quem integra, escolhe e segue.
*Adriana Braz de Oliveira é psicóloga, doutora em Psicologia da Saúde, especialista em Psicologia Transpessoal e autora do livro PsiConstelação.
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