Artigo
Relação das mamas femininas com a atividade física, exercício e esporte
Autor: João Lombardi* –
A prática regular de atividade física é amplamente reconhecida pelos seus benefícios para a saúde geral para o corpo humano. Quando falamos da saúde feminina, esse impacto positivo não é diferente, o que inclui as mamas. O exercício físico influencia diretamente na prevenção e tratamento de doenças, sendo cientificamente comprovado o papel contra o câncer de mama. No entanto, é fundamental que as mulheres conheçam os cuidados necessários para manter a saúde das mamas ao longo da prática esportiva.
O tecido mamário é composto por glândulas e gordura, sendo sustentadas por tecido conjuntivo e não por músculos. Portanto, a falta de um tecido de sustentação robusto faz com que a movimentação das mamas durante o exercício possa ter uma movimentação tridimensional. Em algumas mulheres, esses movimentos podem gerar incômodos ou dores, acredita-se por estiramento dos tecidos envolvidos.
A solução está em proporcionar sustentação durante a prática esportiva com os sutiãs esportivos, reduzindo ou atenuando a movimentação excessiva das mamas. Infelizmente, os desafios ainda nos dias de hoje estão na dificuldade em achar sutiãs esportivos adequados e que se encaixem de acordo com cada mulher e cada modalidade praticada.
Alguns outros detalhes merecem cuidados. Com a projeção anterior das mamas no tórax, elas ficam mais sujeitas a traumas diretos e indiretos. Cada episódio de trauma contra as mamas é conduzido de acordo com a magnitude da apresentação, e deve sempre ser relatada a ginecologista/mastologista. Os mamilos também ficam sujeitos a fricção, podendo ter lesões, principalmente em esportes com uniformes e esportes de Endurance, não sendo indicado ficar sem cobertura das mamas pelo sutiã.
O período da amamentação traz inúmeras dúvidas quanto à prática esportiva. Já está mais que comprovado que o exercício físico NÃO altera a qualidade nem a quantidade do leite, podendo a mãe ser fisicamente ativa durante a amamentação. Devido ao ganho de volume das mamas nesse período, é orientado a esvaziar as mamas antes de iniciar esforço físico.
Por fim, pelo fato de as mamas serem caracteristicamente femininas, algumas crenças em relação ao tamanho das mamas com a prática de exercício físico e esportes podem ser decisivas na tomada de decisão de iniciar ou continuá-los. Mais uma vez, a ciência é categórica em afirmar que nenhum esporte ou exercício físico causa a queda das mamas ou a elevação delas. O que acontece é variação de composição corporal por déficit calórico que diminui a quantidade de gordura no corpo o qual também acontece com as mamas.
Em todas as fases da vida da mulher, desde a adolescência até a menopausa, o exercício físico traz inúmeros benefícios para a saúde das mamas. A escolha da atividade mais adequada deve considerar fatores como idade, nível de condicionamento, presença de condições médicas e objetivos individuais. Independentemente da modalidade escolhida, a prática regular de exercícios é uma aliada poderosa na promoção da saúde feminina, prevenindo doenças e proporcionando mais qualidade de vida.
*Dr. João Lombardi é médico do exercício e do esporte pela Unifesp, Pós em fisiologia do exercício e metabolismo pela USP de Ribeirão Preto, mestrando pela UFMT, médico do Brasil nas Paralimpíadas de Tóquio e Paris, médico assistente do Comitê Paralímpico Brasileiro e diretor do Instituto Lombardi, em Cuiabá (MT).
Artigos
A vida nos impõe dureza
Autora: Maria de Lourdes Rabelo Cruz* –
Como observadora atenta da alma humana, percebi que a vida, muitas vezes, nos impõe uma arquitetura de sobrevivência muito similar a de uma noz. Existe uma rigidez necessária, uma carapaça que desenvolvemos para suportar as pressões externas, os silenciamentos e as intempéries de uma realidade que, historicamente, exige das mulheres uma força desproporcional.
No cenário atual, onde os índices de violência contra a mulher ainda nos estarrecem, essa proteção emocional não é uma escolha estética; é um mecanismo de defesa vital contra o desamparo e a agressão.
Precisamos falar abertamente sobre esse “endurecimento”. Ele nasce dos enfrentamentos diários, das pequenas e grandes lutas que moldam quem somos. Em um mundo que ainda tenta ditar nossos passos e limitar nossos desejos, a resiliência torna-se nossa pele mais dura.
Muitas vezes, essa proteção é vista como frieza ou distanciamento, mas, na verdade, é o resultado de uma sensibilidade que precisou se transmutar em coragem para não ser estilhaçada. O endurecimento é a resposta instintiva ao medo e à necessidade de preservação da própria identidade.
Entretanto, o que a analogia da noz nos ensina de mais valioso é que a casca, por mais resistente que seja, não define o fruto; ela apenas o guarda. Existe um perigo real em nos confundirmos com a nossa armadura, esquecendo que o propósito da proteção é permitir que a semente interna permaneça intacta, viva e potente.
A violência e o medo tentam nos esvaziar, mas a nossa natureza é feita de algo muito mais profundo: uma capacidade inesgotável de regeneração e recomeço. A esperança reside justamente no gesto de compreender quando essa proteção cumpriu seu papel e permitir-se, então, romper as limitações.
Mesmo em tempos áridos, onde as notícias parecem sufocar nossa liberdade, vejo mulheres transformando dor em autonomia e luto em luta. A beleza da existência feminina está nessa dialética entre a resistência da casca e a delicadeza do miolo. Somos capazes de endurecer para sobreviver, mas guardamos a doçura e a força necessárias para florescer novamente assim que encontramos solo seguro.
Não estamos sozinhas nessa jornada de “quebrar cascas”. A união e o reconhecimento mútuo dessas batalhas silenciosas são o que fortalece nossa estrutura. Que possamos honrar nossa resiliência sem nunca perder de vista a liberdade que existe do outro lado da barreira.
A vida pode ser dura, mas a capacidade de criar formas de existir, a partir de cada desafio superado, é a prova definitiva de que a luz sempre encontrará uma fresta para atravessar o que quer que tente nos fechar.
*Maria de Lourdes Rabelo Cruz, escritora, psicanalista, autora do livro Noz Mulheres (LC Books).
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