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Prof. Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso e Dr. Luiz Augusto Filizzola D’Urso: – “NUDES” NA INTERNET – UM BECO SEM SAÍDA

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        “NUDES” NA INTERNET – UM BECO SEM SAÍDA

                                        
Por:
Prof. Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso e
Dr. Luiz Augusto Filizzola D’Urso

A internet é, sem dúvida, uma importante ferramenta do mundo moderno, mas é preciso muita cautela, quando se faz uso dela.

Não é por acaso que, a cada dia, aumenta a ocorrência de crimes praticados neste espaço da web, são os chamados cibercrimes, que, de certa forma, aparentam proteger o criminoso, todavia, ilusoriamente.

O anonimato na internet é uma falsa sensação, pois, com o avanço da tecnologia, investigações podem detectar a autoria destes crimes. Estas investigações, geralmente, são realizadas pelas Delegacias de Combate a Crimes Digitais, com policiais habilitados para novas modalidades de investigação. 

Existem situações, nas quais, embora a investigação tenha sucesso, detectando a autoria do crime, por vezes, esse autor é um menor de idade, o que resulta em profunda frustração quanto à punição.

Atualmente, tem se constatado uma verdadeira onda entre os menores de idade, que se retratam nus e enviam estas fotos a terceiros, por aplicativos de envio de imagens ou mensagens. Estas fotos denominam-se “nudes”. Infelizmente, em alguns casos, aquele que recebe as imagens, salva as fotos e as repassa para grupos e nas redes sociais, podendo até criar perfis no Facebook e no Instragam, objetivando divulgar estas fotos de nudez, tudo realizado, muitas vezes, somente por menores de idade.

Nestes casos, entra-se num beco sem saída, pois, embora a primeira postagem da imagem de “nudes” devesse ficar no âmbito privado, as postagens seguintes ganham domínio público e perde-se totalmente o controle sobre estas fotos. 

Caso o autor, que compartilha ou divulga estes “nudes” de menores de idade seja um indivíduo maior de 18 anos, responderá pelo crime previsto no artigo 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê uma pena de reclusão de 3 a 6 anos para quem oferece, troca, disponibiliza, transmite, publica ou divulga esse tipo de foto, podendo também responder pelo crime de difamação.

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Por mais competente que seja a investigação e a respectiva reação, na prática, o que se consegue remover da internet são apenas algumas publicações indevidas dos “nudes”, identificando quem as postou, mas, muitas outras fotos permanecerão espalhadas pela web e armazenadas nos dispositivos de diversas pessoas que as receberam. Aliás, é bom advertir que, o simples fato de um maior, armazenar, sem compartilhar tais fotos de menores, também comete crime, que é previsto no artigo 241-B do ECA, com pena de reclusão de 1 a 4 anos.

A lei estabelece tratamento diferente quando o autor do armazenamento ou do compartilhamento dos “nudes” seja menor de idade. Neste caso, o máximo de consequências que suportará pelas publicações ou armazenamento será uma medida sócio-educativa pelo cometimento de um ato infracional, tudo à luz das previsões também do ECA, que afasta o crime e a pena, justamente por tratar-se de menor. Portanto, existem consequências, embora sejam elas muito brandas.

Apesar de toda essa reação, o problema não estará resolvido, pois estas fotos já em domínio público, é comum a reiteração de seu envio e compartilhamento entre os menores, geralmente conhecidos entre si, integrantes do mesmo colégio, do clube, do bairro, etc.

Novas publicações e novas páginas nas redes sociais com estes “nudes” podem ser criadas com facilidade, reclamando a vigilância permanente da vítima que, a cada nova investida criminosa, terá de tomar providências para diminuir os danos, especialmente psicológicos que suportará.

Pode-se comparar à situação daquele que enxuga gelo, pois, por mais trabalho que tenha, jamais conseguirá seu intento de secar totalmente aquele gelo. 

Assim, após o primeiro envio de “nudes” (o que jamais deveria ocorrer), não se controla mais o alcance destas fotos, que poderão ser reproduzidas infinitamente.

As consequências são imprevisíveis. Já se viu notícias de adolescentes, que após a circulação de seus “nudes”, diante do sofrimento suportado em razão do bullying e da vergonha, chegam até ao suicídio.

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É por isso que a Internet pode ser um beco sem saída para quem está nessa situação, todavia é um beco cuja entrada pode ser evitada.

Considerando que estamos falando de jovens adolescentes, frágeis e vulneráveis, que precisam da aceitação do seu grupo, e que são criaturas ainda em formação, há que se reclamar a responsabilidade dos adultos, especialmente dos pais e das autoridades, em preparar estes adolescentes para resistir a tais apelos e modismos.

Por tudo isso, nossa sociedade precisa, urgentemente, de um programa de Educação Digital, não para os adolescentes aprenderem a trabalhar com computadores, pois isso eles já dominam desde tenra idade, mas para alertá-los dos riscos e dos perigos que rondam a internet, reiterando a inexistência do anonimato na web, revelando a eles sobre a falta de controle do que é postado e todos os riscos desta exposição virtual que ganha domínio público. 

Quanto aos cibercriminosos adultos, estes se encontram sempre um passo à frente do avanço das investigações, que permanecem em seus “calcanhares”, identificando-os e punindo-os, pois existem ferramentas tecnológicas e legislativas para tanto, sempre em desenvolvimento.

Portanto, o velho ditado “melhor prevenir que remediar”, se aplica também para a Internet, especialmente nestes casos de “nudes”, por adentrar em um universo incontrolável, tanto para o bem, quanto para o mal.

*Prof. Luiz Flávio Borges D’Urso, Advogado Criminalista, Mestre e Doutor em Direito Penal pela USP, Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção de São Paulo por três gestões (2004/2006 – 2007/2009 – 2010/2012), Conselheiro Federal da OAB.

*Dr. Luiz Augusto Filizzola D’Urso, Advogado Criminalista, Pós-Graduado pela Universidade de Castilla-La Mancha (Espanha), Membro do Grupo de Estudos de Direito Digital e Compliance da FIESP, Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito Digital e Compliance da OAB/SP e integra o escritório D’Urso e Borges Advogados Associados.

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A mulher perfeita não existe, e talvez seja a hora de parar de persegui-la

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Autora: Isolda Risso*

Há uma mulher perfeita por aí. Ela acorda cedo, trabalha, cuida da casa, dos filhos, do relacionamento, mantém uma vida social ativa, pratica exercícios, alimenta-se bem, está sempre bonita, responde às mensagens, acompanha as tendências, é emocionalmente madura, financeiramente organizada e ainda encontra tempo para cuidar de si.

Quando está no trabalho, ela não pode deixar que a vida pessoal atrapalhe, e quando está em casa, não pode deixar que o trabalho ocupe espaço demais. Quando é mãe, precisa estar presente, mas quando não é mãe, precisa justificar a escolha. Quando está solteira, deveria estar aberta ao amor, só que quando está em um relacionamento, é ela que precisa fazê-lo funcionar.

E, em algum momento do dia, ela deve descansar, tirar um breve cochilo da tarde, ou ter um tempo para desenvolver um desejo pessoal. O que, em retrospecto, parece irreal, certo? Porque é. Essa mulher é uma invenção, mas a cobrança para que sejamos como ela é bastante real.

Talvez uma das maiores armadilhas impostas às mulheres nas últimas décadas tenha sido transformar a ideia de independência em uma obrigação de autossuficiência. Conquistamos o direito de ocupar espaços, construir carreiras, escolher se queremos ou não uma família, administrar nosso próprio dinheiro e tomar decisões sobre nossas vidas, e tudo isso é visto e comemorado como conquista.

O problema começa quando a possibilidade de fazer escolhas se transforma na expectativa de fazer todas elas simultaneamente e com excelência. Para além de trabalhar, se deve construir uma carreira, e, junto disso, prosperar. Mas prosperar não é o suficiente, porque não podemos focar apenas em nós mesmas, então devemos conciliar, e é preciso parecer feliz enquanto fazemos isso.

Essa lógica é perversa porque transforma qualquer limite em fracasso pessoal. Se estamos cansadas, administramos mal o tempo. Se não conseguimos avançar profissionalmente, talvez não estejamos nos esforçando o suficiente. Se não temos tempo para os amigos, precisamos nos organizar melhor. Se não conseguimos cuidar do corpo, falta disciplina.

Quase nunca nos perguntamos se o problema está na quantidade absurda de coisas que esperamos que uma única pessoa consiga sustentar. E, nesse sentido, é bastante curioso como a sociedade passou a falar tanto sobre autocuidado enquanto continua produzindo condições que dificultam o próprio cuidado. Vendemos velas aromáticas, aplicativos de meditação, academias, retiros e rotinas matinais como soluções para uma exaustão que, muitas vezes, não é individual.

Há cansaços que não se resolvem com uma boa noite de sono, que são produzidos por excesso de responsabilidade, pela divisão desigual do trabalho doméstico, pela pressão profissional, pela necessidade de estar constantemente disponível e pela sensação de que sempre existe alguma área da vida que estamos negligenciando.

E existe ainda nesse problema uma camada particularmente cruel, que é a culpa. A mulher cansada frequentemente não pensa apenas “estou cansada”, ela pensa: “nossa, eu deveria estar conseguindo”, e essa pequena frase diz muito sobre o problema.

Porque isso indica que aprendemos a interpretar nossos limites como defeitos de caráter. Como se precisar de ajuda fosse sinal de incompetência, ou como se descansar fosse desperdício, só que ninguém consegue viver permanentemente no limite sem pagar algum preço.

A questão, portanto, não deveria ser como fazer para dar conta de tudo. Precisamos começar a perguntar: o que realmente precisa ser feito? O que pode esperar? O que pode ser delegado? O que não precisa ser perfeito? E, principalmente, o que estamos sacrificando para manter a aparência de que está tudo sob controle?

E a melhor parte disso, talvez, seja o fato de que a resposta nunca será a mesma. Há mulheres que irão escolher a maternidade, e outras jamais serão mães. Algumas vão colocar a carreira no centro da vida, e outras irão preferir uma rotina menos competitiva. Algumas vão querer construir uma família, outras encontrarão realização em projetos completamente diferentes.

Nenhuma dessas escolhas deveria precisar ser acompanhada de uma performance de excelência permanente, porque, no fim, a vida não é uma planilha de produtividade. Haverá períodos em que seremos profissionais melhores do que companheiras e, em outros, a família exigirá mais de nós. Haverá momentos em que nosso corpo será prioridade e outros em que simplesmente não teremos energia para cuidar dele como gostaríamos.

Isso não significa que estamos falhando, só que estamos vivendo. A mulher possível é muito menos glamourosa do que a mulher ideal. Ela chega atrasada, cancela compromissos, muda de ideia, não responde todas as mensagens, nem sempre está bonita, às vezes precisa de ajuda, comete erros, tem dias improdutivos e faz escolhas que não agradam a todo mundo.

E continua sendo uma mulher inteira.

*Isolda RissoÉ empresária, mãe de um lindo casal de filhos, cronista, coach de vida, mulher aos 60+, terapeuta, entusiasta da arteterapia, gastrônoma; um dos seus hobbies é a fotografia e criar arranjos florais, curiosa de nascença, aprendiz da vida e um Ser a caminho da evolução.

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