Artigo
Por mais mulheres na política
Autora: Vilma Barros*
Pensar no papel social da mulher no mundo de hoje é lembrar que mais que esposa, mãe e dona de casa, a mulher é um ser de destaque em todas as áreas onde se coloca. Somos médicas, advogadas, juízas, desembargadoras, jornalistas, engenheiras, mestres de obra, motoristas de caminhão, secretárias do lar, etc… Estamos onde queremos porque, como se diz por aí, “lugar de mulher é onde ela quiser“.
Até na política estamos presentes, seja como eleitoras (desde a década de 1930), seja como candidatas a cargos públicos e ‘políticas’ eleitas. O problema é que, neste caso, nossa presença ainda é muito pequena. Embora sejamos maioria na população brasileira 51,8%, segundo dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), contra 48,2% de homens, somos a minoria nos Poderes Executivo e Legislativo.
Para se ter ideia, em toda a história da democracia brasileira apenas uma mulher chegou à presidência do país, em 2010; Dilma Rousseff. No Senado Federal, atualmente, existem apenas 13 senadoras num universo de 81 vagas. Na Câmara dos Deputados ocupamos apenas 77 das 513 vagas existentes.
Em Mato Grosso, a Assembleia Legislativa tem apenas 1 deputada estadual: Janaina Riva, em seu segundo mandato. Na Câmara Municipal de Cuiabá, apenas 3 vereadoras: Edna Sampaio, Michelly Alencar e eu, Vilma Barros (que sou suplente e estou no cargo – primeira assembleiana (mulher da Assembleia de Deus) na Câmara da Capital. Nossa bancada federal tem apenas uma deputada, a professora Rosa Neide. Não temos senadoras.
Vivemos numa sociedade construída sob a égide do machismo e do patriarcalismo, onde o homem sempre ocupou todos os espaços e ficamos relegadas às sobras, principalmente na política. Em outubro, temos a chance de mudar toda esta história. Precisamos de mais mulheres na política. Temos muito a acrescentar, colaborar e dizer; e precisamos ser ouvidas se quisermos mais espaço, respeito e voz. Quero contribuir com esta mudança e estou na chapa do Patriota como candidata a deputada estadual.
Sou mulher, mãe, avó, gestora pública por formação, palestrante, pregadora e membra da Assembleia de Deus em Cuiabá. Por 12 anos, contribuí como secretária geral da USADECRE (União de Senhoras das Assembleias de Deus de Cuiabá e Região). Sou voluntária em Casas de Recuperação, presídios da capital e no trabalho de assistência social às famílias carentes. Durante muito tempo, atuei como gerente da creche Renisea Guilhermetti Barua, em Cuiabá, e da Casa de Retaguarda Doutor Paulo Prado. Também estive como apresentadora da Rádio Nazareno FM e como assessora parlamentar estadual e municipal.
Tenho certeza que a força da mulher e sua capacidade de compreender as mazelas do nosso povo, propondo soluções e tratando a todos com o carinho e o respeito que merecem podem dar uma guinada na política estadual. Prezamos pela igualdade de direitos, de oportunidades e pelo respeito à família. Lembre-se: precisamos de mais mulheres na política!
*Vilma Barros é gestora pública por formação, palestrante, e, atualmente, vereadora por Cuiabá.
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Valores de casa: o verdadeiro endereço da vida
Autora: Soraya Medeiros* –
Há um endereço que permanece em nós muito depois da partida. Não é o CEP registrado em documentos, nem o bairro onde crescemos. É um endereço invisível — formado pelos valores que recebemos no lar. Quando sólidos, eles nos acompanham por toda a vida, orientando escolhas, moldando atitudes e sustentando quem nos tornamos.
Em tempos marcados pela pressa e pela busca de resultados imediatos, essa verdade parece esquecida: o verdadeiro endereço do ser humano não é geográfico, é ético. Mudamos de cidade, de país, de profissão e de relações. Vivemos o reconhecimento e também a rejeição. Ainda assim, nas diferentes fases da vida — nas conquistas ou nas dificuldades — são os valores aprendidos em casa que nos orientam. Honestidade, respeito, trabalho e empatia deixam de ser apenas palavras e se tornam referências internas.
Como destaca o psicólogo e educador Rossandro Klinjey, os valores não se herdam, mas se constroem pelo exemplo e pela convivência. O lar, portanto, é mais do que um espaço físico: é a primeira escola da alma. É ali que se formam as bases que, mais tarde, sustentarão decisões, relações e caminhos inteiros.
Por isso, os conselhos daqueles que vieram antes merecem atenção. Pais, avós, tios e mestres carregam experiências que ainda nem sabemos nomear. Suas trajetórias são tecidas de erros, acertos, quedas e recomeços. E, muitas vezes, na simplicidade de suas palavras, está a profundidade de quem já enfrentou a vida em sua forma mais real.
Ainda assim, vivemos uma época em que o conselho é frequentemente ignorado. O excesso de informações faz com que muitos confundam opinião com sabedoria. A pressa leva outros a tratar a experiência como algo ultrapassado. Esquecemos que a maturidade não surge por acaso — ela é construída ao longo do tempo, também por meio das dificuldades. Por isso, é essencial saber ouvir: não apenas quem nos agrada, mas principalmente quem nos orienta com verdade. É no silêncio dessa escuta que a nossa consistência se consolida.
E é nesse ponto que surge uma reflexão sobre a felicidade. Não a felicidade passageira das conquistas materiais ou do reconhecimento público, mas aquela que resiste ao tempo. A felicidade de quem, ao final do dia, consegue olhar para si e reconhecer alguém que permaneceu fiel aos próprios princípios.
Porque, no fim, o sucesso é instável. O fracasso é passageiro. Mas os valores que criam raízes na alma permanecem. São eles o único endereço que nunca deixamos.
*Soraya Medeiros é jornalista.
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