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Mitolândia

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Autora: Valéria del Cueto

Querido Pluct Plact, amigo extraterrestre.

Antes de mais nada peço que não estranhe essa mudança de sentido em nossa correspondência pelo raio de luar que ilumina minha cela do outro lado do túnel. Pela primeira vez (que me lembre) inverto a mão desse vem e não vai de comunicação.

Até aqui me sentia tranquila com sua evolução no conhecimento e narrativa dos fatos e acontecimentos desse mundo novo para você. Ver pelos seus olhos dava um frescor às notícias. Não sentia a menor necessidade de interferir ou opinar sobre análises, descobertas que iam se descortinando nas suas cartas. Nosso sempre surpreendente cotidiano, a interlocução com os ilustres visitantes intergalácticos que circulam por aí… Tudo ia bem. Mas não vai mais.

Cabe a mim, quebrando a redoma de ouro do silêncio voluntário, alerta-lo de forma clara e contundente que algo está errado no sistema de codificação dos relatos dos últimos capítulos da saga brasileira.

Lamento que meu isolamento não permita uma abordagem 100% objetiva do problema. Algum defeito mecânico, orgânico, cibernético ou, quem sabe, biológico. Essa definição está fora do meu alcance com o pouco que sei da vida na Terra.

Só posso afirmar, de forma categórica, ter algo errado no front da sua narrativa épica sobre os últimos acontecimentos. Além de um toque alucinógeno, consigo sentir notas de descompasso neurológico e ausência prolongada de conexão com a realidade.

Senão vejamos, caro e desorientado simbiótico amigo das estrelas. Independência ou morte é o grito de D. Pedro de Alcântara que consolidou a separação do Brasil de Portugal. Ano que vem será o bicentenário da data, sabia? Motivo de comemorações. Não é justo que também seja o primeiro das comemorações de um monumental fiasco no Eixo, como você tenta descrever.

Não bastasse a pandemia, a delta, a inflação, as crises: energética e alimentar, desemprego? Só pode ser delírio a existência da inexistência de um pingo de juízo da massa que se reuniu sem seguir protocolos, como usar máscara e não aglomerar, em vários pontos do Brasil para se manifestar. O que esse povo (não) tem na cabeça?

Pluct Plact, acorda! Quem seria tolo a ponto de ir se grudar nas multidões e acampar na secura insuportável de setembro em Brasília fantasiado de Copa do Mundo?

Amigo, deu tilt na sua placa mãe. Zé Trovão é um peão, personagem de uma novela da extinta TV Manchete, interpretado por Almir Sater (que, se bem entendi, é o dono de um dos aviões levados na mão grande ali de Aquidauana/MS, onde vão rodar o remake de Pantanal). Coincidências existem, reconheço, mas esse outro Zé Trovão é Trojan, cavalo de Tróia que se insinuou na confusão mental dos slots da sua narrativa, só pode.

Quer a prova? Onde já se viu a interrupção de uma partida de futebol entre o Brasil e a Argentina? Um formulário da Anvisa concursado provocar um evento sísmico desse porte! Como essa estupidamente bela lua cheia, o feito esportivo argentino obscureceu, inclusive, as Paraolimpíadas.

A Covid-19 está passando uma rasteira tsumamica nos paradigmas do terceiro milênio. Quem viver verá as consequências, se acreditar nelas.

E aí está a prova definitiva da desorientação da sua última cartinha. Reproduzo:

Fuga! acampamento, caminhões, reza, verde e amarelo, impeachment, Zé Trovão, STF, caminhão de som, invasão, Esplanada, Hino Nacional, bandeira, bloqueio nas estradas, vídeos, áudio presida, fake, Tarcísio, verdadeiro, Otone, falso, tira caminhão, fica, estado de sítio, Barroso, Senado, Zambelli, cara na porta, presidente, ultimato, México, barreiras, flopou, nota, Moraes, live…

Cá entre nós, amigo das estrelas, elas estão dominando sua mente. Você precisa se realinhar. É muita informação para desenhar a lambança que pode se resumir numa simples hashtag #forabolsonaro

  • Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Fábulas Fabulosas” do SEM FIM…

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A primeira consulta ao ginecologista

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Autora: Giovana Fortunato –

Ir ao ginecologista regularmente é um dos cuidados essenciais para a saúde de mulheres de praticamente todas as idades, pois ajuda a detectar doenças e evitar problemas futuros. Mas você sabe com que idade uma menina deve ir na primeira consulta ao ginecologista?

O ideal é que a partir dos 9 aos 12 anos a menina já tenha uma consulta com o ginecologista ou com a ginecologista da mãe. Por quê? Porque logo ela vai menstruar. Então essa consulta serve como uma orientação sobre esse período que está para chegar com sua primeira menstruação.

A partir deste momento a menina se torna fértil, ou seja, torna-se capaz de engravidar e ter um bebê. Por isso deve aprender sobre o funcionamento de seu corpo, como é a ovulação, como são as cólicas menstruais, como se prevenir de uma gravidez indesejada e como se cuidar para não contrair doenças sexualmente transmissíveis, entre elas o HPV, HIV entre outras.

A ideia de que uma menina vá começar, em algum momento de sua história, a ter vida sexual ativa é algo que assusta muitos pais. Por isso, adiam a primeira visita ao ginecologista. Porém, mesmo sem uma vida sexual ativa, a menina deve ter um acompanhamento especializado com um médico ginecologista. É normal a adolescente sentir vergonha e pedir para ir ao especialista apenas quando está prestes a ter relações sexuais, mas o ideal é que a visita aconteça após a primeira menstruação.

Vale ressaltar que é muito importante que seja um médico de confiança. Sua filha precisa se sentir segura e confortável com o ginecologista.

A primeira consulta muitas vezes é apenas uma conversa para saber um pouco mais sobre a paciente: hábitos da rotina, problemas de saúde da infância, ciclo menstrual, se há histórico de doenças como câncer de mama na família, entre outras.

O exame preventivo ginecológico no primeiro encontro com o ginecologista é bem simples e vai depender do histórico de cada menina.

Quando a menina iniciou a sua vida sexual é importante que ela vá pelo menos uma vez ao ano ao seu ginecologista para fazer um exame preventivo, para ver como está sua saúde em geral.

O principal deles é o Papanicolau, que é um rastreamento de câncer de colo, além do exame das mamas. Também é importante avaliar fazer um ultrassom transvaginal, ou ultrassom pélvico para ver como é que está o útero, o ovário. Ou seja, para fazer um check-up ginecológico.

Endometriose

Quando surge na adolescência, a endometriose é de difícil diagnóstico, pois muitos dos sintomas como as cólicas frequentes, podem ser confundidos com problemas intestinais ou serem considerados normais da fase de vida da adolescente.

Muitas meninas que tem endometriose ainda não entraram na idade reprodutiva e não iniciaram sua vida sexual, portanto, não apresentam sintomas da doença que se manifestam nessa fase como dor durante as relações sexuais e dificuldade para engravidar, o que pode dificultar ainda mais o diagnóstico. Estudos comprovam que é importante realizar uma investigação adequada, já que entre o início dos sintomas e a confirmação da doença em adolescentes pode decorrer até 12 anos, tempo suficiente para comprometer a fertilidade da paciente.

Se a sua filha está na puberdade ou menstruou recentemente, marque uma consulta com o ginecologista, especialista indicado para orientar as adolescentes nessa fase de mudanças no copo e muitas dúvidas sobre a saúde da mulher.

  • Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, professora da UFMT, coordenadora de Residência no HUJM.
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