Artigos
Margareth Buzetti: – A política e o sistema
A política e o sistema
Por: Margareth Buzetti
Tomo a liberdade de dividir com vocês a experiência vivida nesses últimos dias, entre o período da minha pré-candidatura ao Senado e a opção pela desistência, quando pude constatar o verdadeiro sentido da palavra ‘sistema‘.
Sem fulanizar, sem apontar o dedo para qualquer pessoa ou partido, foi decepcionante ver que apesar de estarmos vivendo em um momento em que se espera profundas mudanças, essa ainda é tímida, quando ainda se encontra enraizado no sistema político a “arte” de lutar por interesses individuais em detrimento aos da sociedade.
Exatamente isso, por mais que possamos sonhar com uma nova realidade, ainda se empenha a procuração dada através das urnas para cuidar do interesse individuais.
Em todas as reuniões que participei, e foram quase uma centena, nunca me perguntaram sobre as minhas bandeiras, meus projetos ou minhas convicções. A tônica sempre foi: tempo de Rádio e TV, loteamento de cargos, estrutura política. Cada um preocupado exclusivamente com o seu espaço, querendo individualmente “acertar seu lado“, enquanto projetos e ideologias ficaram para vigésimo plano. Internamente, as coisas caminhavam assim, e por algumas vezes, quando tive a oportunidade de dialogar sobre minhas pretensas ações, como geração de emprego e renda, reforma tributária, previdenciária e política, esses momentos aconteceram em encontros com grupos e setores, que acreditam que essa é a pauta primeira de um candidato.
Contudo, ao retornar para as ‘negociações partidárias‘, o confronto com a realidade do sistema retrógrado que ainda vivemos, me decepcionava. Seja nas esferas estaduais, nacionais (e certamente municipais), arrisco dizer que: essa continua sendo a lógica das discussões políticas.
Assim, neste contexto, se apresentou essa ‘entidade transcendental’ que se chama sistema e, que nunca me permitirei seduzir, por mais inteligente, poderoso e tentador que seja. Tive ainda mais clareza dessa minha constatação quando sob meus olhos vi Pedro Taques se aliar com Riva (leia-se Rui Prado) e inacreditavelmente no mesmo palanque, a juíza Selma Arruda. Todos de mãos dadas, num ‘projeto‘ só, rezando a cartilha desse sistema onde o individual se sobrepõe ao coletivo.
E enquanto a maioria abraça os convites individuais, a política pública, o projeto nacional e os direitos da população ficam dentro da gaveta acumulando poeira, até que venha a próxima eleição e eles sejam oportuna e ardilosamente lembrados.
Enfim, para àqueles que sonham com outra realidade e são fiéis às suas convicções, é impossível varrer tudo para debaixo do tapete e enredar-se nas teias arrebatadoras do sistema. Prefiro continuar acreditando numa outra forma de fazer política.
Margareth Buzetti é empresária, presidente da AEDIC – Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá e diretora de mercado da ABR – Associação Brasileira de Reforma de Pneus.
Artigos
Toró eleitoral
Autora: Valéria del Cueto* –
Quem aguenta essas tormentas intermináveis?
Temos tempestades de todos os jeitos. Para todos os lados.
São borrascas de águas, enchentes de informação, enxurradas de corrupção…
Para pensar positivo considero que o sol apareceu!
Depois de semanas escondido pelas nuvens que, além de enchentes, granizo e tornados, trouxeram (essa é a parte boa) a subida dos níveis dos reservatórios. Andavam abaixo da linha do alerta da insuficiência hídrica.
Melhorar as reservas é essencial ao enfrentamento dos prometidos tempos de El Niño marombado que estão chegando.
Os poucos dias com tempo firme também permitiram que pelo menos as roupas finalmente sequem nos varais. É uma beleza vê-los cheios de adereços. As peças dançando alegremente.
Também fizeram que, mais uma vez, o caderninho entrasse em ação.
Sim, gosto de escrever ao ar livre, se possível ouvindo um barulho de água.
Pode ser na beira do mar esticada numa canga na praia. Ou, como agora, empoleirada nos degraus a caminho da ponte de madeira que une os dois lados do rio no meio do mundo.
Diante do estado de umidade do gramado, esse é o melhor ponto para deixar que o murmúrio do regato (no momento límpido, depois de crescer enlameado durante as últimas semanas) conduza as ideias que vou alinhavando no caderninho.
Foi isso que adiou a entrega do texto da vez.
Era tanta lama de informações atingindo minhas ideias que, mal formulava uma linha de pensamento cronical, já surgiam outras revelações, desatualizando as colocações cuidadosamente buriladas.
Virou um escreve-apaga interminável, com os textos perdendo a validade antes de conseguir fechar as duas laudas de praxe. Elas são definidas pelo espaço que me cabe no Diário de Cuiabá.
Cheguei a pensar em trocar o encadeamento costumeiro por notinhas, tipo uma coluna.
Não consegui dar adeus às crônicas e optei por atrasar o envio do material até ter a chance de encadear os assuntos como sempre fiz.
Mal comparando, se fosse nos tempos das máquinas de escrever, a lata de lixo do lado da escrivaninha estaria transbordando de bolinhas de papel amassadas de trechos inacabados.
A vida está assim, uma lixeira lotada de informações que chegam rápidas em grande quantidade e são descartadas ou absorvidas sem tempo de checagem, de aprofundamento.
Enquanto isso, o Brasil e o mundo não rolam, capotam descontrolados em meio a tiroteios de snipers invisíveis. Dispostos a transformar nossas vidas num inferno agem sempre em causa própria, sem pensar no coletivo.
Querido leitor, teremos eleições daqui a alguns dias!
Dizem os analistas que elas serão decididas, não pelo quesito das propostas, mas por quem tiver menos rejeição.
E dá-lhe tiro, porrada e bomba para desconstruir os adversários.
O povo estarrecido procura se defender das balas perdidas sem ter tempo de atinar, analisar. É hora de procurar os melhores quadros para o poder legislativo. Já escolheu seus representantes?
Se lembra em quem votou para deputado estadual, federal e senador nas últimas eleições?
Não sei você. Vou escolher aqueles que, realmente, pensam no bem comum e não apenas no próprio umbigo e seus interesses familiares e pessoais. BETs, emendas impositivas dirigidas aos apaniguados, entregar o país à tutela de terceiros. Como assim?
São eles, os parlamentares, que poderão fazer a diferença numa busca coletiva de melhorias reais para o povo brasileiro, seus eleitores.
Existem indecisos a serem convencidos, os que definirão os rumos do país nos próximos anos. Cabe a nós trazermos de volta a esperança de que o país deve seguir independente, soberano e altivo, sem se curvar às ingerências externas. É ela que fará os eleitores nortearem suas escolhas.
Sabemos que o céu voltará a ficar limpo, deixando espaço para o sol, a lua e as estrelas, nossas armas para convencer os indecisos de que o mau tempo vai passar. Com a ajuda deles, podemos fazer um toró de esperança, alegria e fé no Brasil chegar às urnas nessa eleição.
*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica das séries “Não sei onde enquadrar” e do SEM FIM…
delcueto.wordpress.com
-
Artigos6 dias atrásA vida das mulheres não cabe em uma única política
-
Política5 dias atrásReta final ganha novo componente; campanhas ficam à mercê do noticiário
-
Artigos5 dias atrásDia 1º de janeiro de 2027: seis mudanças tributárias que exigem atenção
-
Destaques4 dias atrásJustiça Federal valida avanço da demarcação da Terra Indígena Kayabi em território Mato-grossense e Paraense
-
Artigos3 dias atrásCom meus pais aprendi a não desperdiçar porta aberta, com Pivetta é que riqueza pode ser distribuída
-
Destaques7 dias atrásCacique Raoni é diagnosticado com câncer avançado
-
Destaques6 dias atrásA “Crise de Legitimidade” da Suprema Corte e o “Risco de Colapso Institucional” no Brasil
-
Artigos6 dias atrásO que ainda define a experiência humana?




Você precisa estar logado para postar um comentário Login