Artigo
MAGNIFICA HUMANITAS A PRIMEIRA ENCÍCLICA DE LEÃO XIV
Autor: Juacy da Silva* –
“Cabe-nos agora enfrentar, com lucidez e responsabilidade, os desafios do nosso tempo. É necessário adotar instrumentos normativos adequados, capazes de salvaguardar a justiça e de conter os efeitos nocivos do poder tecnológico. Mas a questão não se esgota na regulamentação“.
Como alertou o Papa Francisco, devemos perguntar-nos com realismo quem detém hoje este poder e para que fins o orienta:
«Não podemos, porém, ignorar que a energia nuclear, a biotecnologia, a informática, o conhecimento do nosso próprio DNA e outras potencialidades que adquirimos […] dão, àqueles que detêm o conhecimento e sobretudo o poder económico para o desfrutar, um domínio impressionante sobre o conjunto do género humano e do mundo inteiro».
“Outrora, eram sobretudo os Estados a orientar e a dirigir a inovação. Hoje, pelo contrário, os principais motores do desenvolvimento são sujeitos privados, frequentemente transnacionais, dotados de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos Governos. O poder tecnológico assume, destarte, uma identidade inédita, predominantemente “privada” e, portanto, ainda mais difícil de discernir, gerir e orientar para o bem comum“. Papa Leão XIV, Encíclica Magnífica Humanitas, Vaticano 15/05/2026
Nesta Segunda feira, 25 de Maio de 2026, o Papa Leão XIV acaba de apresentar aos católicos, aos cristãos, aos fiéis das demais religiões e, enfim, ao mundo sua primeira Encíclica denominada MAGNIFICA HUMANITAS.
Esta Encíclica está a disposição do público em geral, em diversas línguas, inclusive em português e pode ser “baixada” gratuitamente acessando o site https://www.vaticannews.va/en.html
Vale a pena acessar, ler e refletir sobre seu conteúdo, que deve ser mais uma bússola, juntamente com outras Encíclicas e Exortações apostólicas, principalmente as de seu antecessor Papa Francisco, para a nossa caminhada diante dos desafios contemporâneos e a urgente necessidade de ações sociotransformadoras em nossas pastorais, movimentos e organizações.
A nossa fé precisa ser transformada em ações visando o BEM COMUM, a JUSTIÇA (SOCIAL, CLIMÁTICA, DE GÊNERO E INTER GERACIONAL), enfim, uma FÉ ENGAJADA pela paz e pelo Diálogo.
Nunca a presença e as ações sociotransformadoras por parte da Igreja, entendida como o Corpo de Cristo Ressuscitado (fiéis e Clero) foi tão necessária, uma Igreja Sinodal, em saída, rumo `as periferias materiais e existenciais, profética, que realmente faz a opção preferencial pelos pobres, é desafiada a lutar por uma ecologia integral, a cuidar de nossa Casa Comum, pela “paz desarmada” e a criar raízes para que a Economia da Morte seja substituída pela Economia da Vida, a Economia de Francisco e Clara e promova uma CULTURA DA PAZ, fundada no diálogo!
É neste contexto que Leão XIV publica sua primeira Encíclica dando um “novo” ruma `a Igreja no mundo todo.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Artigos
A crise que abala a República
Autor: André Naves* –
Desde que nasci, já sobrevivi a diversas crises. No entanto, a que hoje atravessa o Supremo Tribunal Federal, apresenta ingredientes de ineditismo. É importante frisar que nenhum poder está acima da lei, acima da Constituição Democrática brasileira, e que toda crítica aos ministros do STF não se confunde com críticas ao STF, instância democrática, de fundamental importância.
Em 8 de setembro de 2026, o Ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do Diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
A decisão decorreu de pedido formulado pelo Partido Novo em 2 de setembro, no sentido de que fossem adotadas providências para preservar a independência, a integridade e a efetividade das investigações em curso, inclusive com a avaliação do afastamento cautelar do Diretor-Geral.
O ministro André Mendonça registrou que foi submetido a monitoramento sistemático pela inteligência da Polícia Federal, materializado em ao menos seis relatórios de inteligência produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026 e encaminhados, segundo a imprensa, ao Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News.
Se confirmados, estamos diante da máquina de inteligência do Estado posta a serviço da perseguição, não da investigação, para proteger alvos de denúncias de corrupção. A “arapongagem institucional” que Mendonça denunciou, se verdadeira, é incompatível com o Estado Democrático de Direito, ainda mais pelo motivo de buscar deslegitimar uma investigação prévia. O que estamos vivendo é grave e, lamentavelmente, tem a potencialidade de deslegitimar o órgão maior do Poder Judiciário.
Entretanto, a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são competência privativa do Presidente da República. Ao afastar a autoridade, o Judiciário praticou, na substância, um ato de gestão executiva. E Mendonça era o alvo do monitoramento. Ninguém deveria julgar a própria causa. A decisão de juiz-vítima não pode ser admitida.
Não é possível, em resumo, aplaudir essa arbitrariedade formal, mesmo que usando como justificativas as mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vamos lembrar? “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei?“, perguntou o banqueiro ao ministro Alexandre de Moraes, em diálogos que revelam tentativas de interferência junto ao procurador-geral e ao diretor da PF. Um investigado tentando manobrar a PGR e a Polícia Federal.
Ou seja, não há mocinho nessa história. Há um sistema em que o poder econômico, o tribunal e a cúpula policial se tornaram instrumentos autoritários e antidemocráticos. Exatamente por isso, a carta dos treze ex-ministros e ex-presidentes do STF – de Eros Grau a Rosa Weber, passando por Celso de Melo – é uma das manifestações mais importantes sobre esta crise. Eles não pedem defesa de ninguém. Pedem o que a República precisa: “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos” que mergulharam a Corte na “mais aguda crise de sua história”, em sessão pública do Pleno.
A crise não se resolve escolhendo um lado para condenar, nem outro para absolver. Resolve-se de acordo com o devido processo constitucional e legal.
*André Naves é Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social. Mestre em Economia Política. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
Saiba mais em www.andrenaves.com e em suas redes sociais: @andrenaves.def
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