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Lesões na prática esportiva: como tratar?

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Autor: Vitor Corotti –

O trauma é um evento muito comum em nossas vidas. Quem nunca levou aquela canelada numa partida de futebol? Quem nunca torceu o tornozelo? Todos sabemos que as quinas das camas odeiam nossos dedinhos dos pés, não é mesmo? Brincadeiras à parte, infelizmente os traumas leves acontecem muito, e todos devemos saber lidar com esses eventos.

Por muitos anos utilizamos, no meio médico, para esses traumas leves, o acrónimo “PRICE”, que propõe como protocolo a proteção (P), repouso (R), ice/gelo (I), compressão (C) e elevação (E). Porém, nos últimos anos, outros conceitos vêm sendo estudados e um conceito moderno propõe a alteração do protocolo de lesão de partes moles e leves para o acrónimo chamado de “PEACE and LOVE”.

O que motivou essa mudança foi o entendimento da complexidade do tratamento das lesões de partes moles em etapas: agudas, subagudas e crônicas. Assim, começou-se a abranger todas essas etapas de forma individualizada, buscando melhorar a cicatrização tecidual e a reabilitação. Os colegas canadenses Blaise Dubois e Jean François, em 2019, descreveram no British Journal of Sport Medicine esse novo conceito, onde o acrónimo “PEACE” seria realizado no momento agudo e “LOVE” no momento subsequente.

Na fase aguda, o “PEACE” é explicado da seguinte forma. O “P” é de proteção. Orientamos nos primeiros dias (do 1º ao 3º dia) cuidados com descarga do peso e restrição do movimento, para minimizar a distensão das fibras lesadas e reduzir os riscos de agravar a lesão. Porém, o repouso é controlado e minimizado, uma vez que o prolongamento pode comprometer a qualidade do tecido em cicatrização. Baseamos essa orientação e cessação da proteção conforme evolução dos sintomas álgicos.

O “E” é de elevação, realizada para promover a melhora do fluxo de fluidos nos tecidos. Lembre-se que a elevação do membro deve ser realizada acima do nível do coração, para promover um efeito satisfatório. Já o “A” é anti-inflamatório. Sabemos que os anti-inflamatórios não esteroides e o gelo são importantes no controle da inflamação, porém o seu uso deve ser limitado à fase aguda, pois a inibição da inflamação prolongada pode afetar negativamente a cicatrização desses tecidos.

Por sua vez, o “C” significa compressão. A pressão mecânica com bandagens elásticas limitam o edema intra-articular e a hemorragia tecidual, o que favorece o controle da dor. Por fim, o “E” quer dizer educação. Educamos os pacientes nas abordagens com tratamentos ativos, gerenciamento de cargas e mobilização precoce.

Logo após a fase aguda inicial (3° ou 4° dia em diante), aplicamos o “LOVE”. Iniciando com o “L”, que vem de “load”, carga em português. Sugerimos, portanto, abordagens ativas com exercícios e cargas progressivas assim que os sintomas permitirem. Em seguida, o “O” é de otimismo. Expectativas otimistas estão associadas a melhores resultados comparando com pacientes com fatores psicológicos depressivos ou ansiosos, em que preponderam o medo e desconfiança. A boa relação médico-paciente é essencial, procure sempre um profissional que ofereça segurança e demonstre conhecimento em todas suas dúvidas.

“O V” é de vascularização. Atividades aeróbicas devem ser estimuladas, de maneira progressiva, assim que as dores permitirem. O aumento do fluxo sanguíneo nestes tecidos lesionados melhoram o progresso da cicatrização. Finalizando, o “E”, de exercício. Com a melhora das dores, o fortalecimento muscular ajuda a mobilidade, força, propriocepção e no retorno às atividades laborais e esporte.

Sempre que necessário procure seu médico ortopedista. Apesar da pandemia que passamos hoje, os traumas são eventos que devem ter atenção redobrada, pois infelizmente podem acarretar lesões ligamentares e fraturas que podem trazer consequências e sequelas importantes.

Vitor Corotti é médico ortopedista, especialista em medicina esportiva, e chefia a equipe de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Dona Helena, de Joinville (SC)

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Pedágio, investimentos e desenvolvimento: o que está por trás de uma concessão rodoviária

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Autor: Luiz Sette*

Transferência da gestão para a iniciativa privada não significa perda do patrimônio público, mas sim a garantia de investimentos contínuos

É preciso desmistificar algumas percepções já consolidadas quando o assunto são as concessões rodoviárias. Muitas pessoas acreditam que, ao conceder uma rodovia à iniciativa privada, o Estado está automaticamente “vendendo” aquele patrimônio público para uma empresa. Na prática, não é isso que acontece.

Quando uma rodovia é concedida, o poder público continua sendo o proprietário da infraestrutura. O que ocorre é a transferência da responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos para uma empresa privada durante um período determinado, seguindo regras, metas e obrigações previamente estabelecidas em contrato.

E é impossível falar sobre concessões sem abordar um tema que costuma gerar debates: o pedágio. É importante esclarecer que a tarifa não representa uma fonte automática de lucro para a concessionária. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção permanente da rodovia, recuperação do pavimento, conservação da sinalização, atendimento aos usuários, operação de ambulâncias e guinchos, monitoramento do tráfego, ampliação da capacidade da via e ao cumprimento de uma série de exigências ambientais e operacionais previstas contratualmente.

A experiência da MT-130 ajuda a ilustrar essa realidade. Desde o início da concessão, em 2021, a Rota dos Grãos já investiu mais de R$ 234,4 milhões em manutenção, recuperação e ampliação da capacidade da rodovia, além da implantação de sistemas operacionais e de gestão ambiental. São investimentos que contribuem diretamente para a segurança dos usuários, a eficiência logística e o desenvolvimento regional.

Também é importante lembrar que uma rodovia não funciona apenas quando há obras em andamento. Ela exige atenção permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa manter equipes de conservação em campo, equipamentos disponíveis para emergências, monitoramento constante, atendimento médico, guinchos e uma estrutura operacional preparada para responder rapidamente a qualquer ocorrência. Tudo isso demanda planejamento e investimentos contínuos.

No caso da MT-130, os resultados vão além da própria infraestrutura. Uma rodovia em melhores condições reduz custos de transporte, aumenta a segurança viária, melhora a mobilidade da população e fortalece a competitividade de setores fundamentais para a economia mato-grossense, como o agronegócio. Trata-se de um investimento que gera reflexos positivos para produtores, transportadores, empresas e comunidades inteiras.

Não poderia deixar de destacar ainda que a segurança viária é uma construção coletiva. A concessionária tem o papel de garantir uma infraestrutura adequada, sinalização eficiente, atendimento aos usuários e uma operação preparada para diferentes situações, mas cada pessoa que utiliza a rodovia também contribui diretamente para um trânsito mais seguro. Atitudes conscientes, respeito às normas de circulação e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para preservar vidas e garantir que os investimentos realizados na infraestrutura cumpram seu principal objetivo: tornar as viagens mais seguras para todos.

Por fim, o futuro da segurança viária também passa pela adoção de novas tecnologias que já estão transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Soluções baseadas em Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), telemetria e sistemas inteligentes de monitoramento têm ampliado a capacidade de prevenção de acidentes, permitindo identificar comportamentos de risco, acompanhar sinais de fadiga dos condutores, aprimorar a fiscalização e tornar a gestão do tráfego mais eficiente. Recursos como câmeras inteligentes, videotelemetria, sistemas de assistência ao motorista e tecnologias de pesagem em movimento representam uma nova geração de ferramentas que podem contribuir para rodovias mais seguras.

Esse debate precisa avançar também em Mato Grosso, um estado com dimensões continentais e uma das maiores movimentações logísticas do país, onde investimentos em inovação devem ser tratados como prioridade para preservar vidas e melhorar a eficiência do transporte.

O debate sobre concessões é legítimo, necessário e saudável. Mas ele precisa estar fundamentado em informações, dados e transparência. Quando a sociedade compreende como esse modelo funciona, torna-se mais fácil avaliar seus desafios, fiscalizar sua execução e reconhecer os benefícios que ele pode proporcionar para a infraestrutura e para o desenvolvimento das regiões atendidas.

Mais do que administrar uma rodovia, uma concessionária tem a responsabilidade de garantir que ela continue cumprindo sua função de conectar pessoas, impulsionar a economia e contribuir para o crescimento sustentável das cidades que dependem dela.

*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga

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