Artigos
Juacy da Silva: As filas do descaso e da incompetência
As filas do descaso e da incompetência
Por Juacy da Silva
Costuma-se dizer que se o tempo que os brasileiros perdem em diferentes tipos de filas fosse computado para aposentadoria, muita gente poderia aproveitar vários anos nesses cálculos previdenciários.
A existência de filas, longas e demoradas, representa a falência de qualquer Sistema, a falta de racionalidade, custos econômicos e financeiros, excesso de burocracia e também uma alta dose de incompetência tanto dos setores públicos quanto privados.
Segundo alguns especialistas, só as filas no SUS, por exemplo, podem representar um custo desnecessário, enfim, prejuízo para o setor público e também para as pessoas que perdem tanto tempo, algo em torno de 0,2% do PIB, ou seja, R$10,6 bilhões por ano.
Se forem consideradas as filas em todos os setores públicos e privados no Brasil, este custo pode chegar até 1,5% do PIB, isto seria algo como R$79,7 bilhões de reais, quantia superior ao que o governo federal destina a maioria dos ministérios e muito maior do que o orçamento de muitos estados e municípios.
Com a persistência da ação do mosquito Aedes aegipt, que transmite dengue, zika, febre chicungunha e também a febre amarela, parece que o nosso Sistema público de saúde entrou em colapso total, exigindo da Presidente Dilma, na qualidade de Comandante em Chefe das Forças Armadas, a declarar Guerra a este mosquito, quando deveria mesmo era declarar Guerra a incompetência e a corrupção que está destruindo seu governo e as instituições nacionais.
Enquanto chefes de Estado, também na qualidade de comandantes em chefe das forças armadas, treinam suas tropas para uma Guerra de verdade contra terroristas e outras ameaças a soberania, segurança nacional e independência de seus países, nossas forças armadas são convocadas para distribuição de panfletos de orientação a população e a retirada de lixo e entulhos de quintais e terrenos desocupados.
Há poucos meses o Brasil concluiu negociação com a Suécia para a aquisição de 36 jatos de Guerra gripen, a um custo total de USS$ 4,5 bilhões de dólares, ou seja, custo de cada jato US$ 125 milhões de dólares. Transformados em reais de fevereiro deste ano, cada jato custou R$ 512,5 milhões de reais e o total desta aquisição é de R$ 18,45 bilhões de reais.
Será que a comandante em chefe de nossas forças armadas vai usar esses modernos aviões no combate ao este mosquito que, segundo o ministro da saúde, está vencendo esta Guerra? Enquanto isso falta recursos para o saneamento básico ou até mesmo parcos recursos para adquirir produtos para o fumacê, repelentes ou outros produtos para combater esta e várias outras endemias que ainda estão presentes em nosso país.
Pior, conforme noticiado nesses últimos dias estão faltando vacinas para imunizar recém-nascidos, crianças, idosos, enfim, a população está correndo risco de vida devido a incúria de nossas autoridades, incluindo da área de saúde. De forma semelhante, enquanto a presidente alegremente distribui panfletos em favelas cortadas por valões e esgoto a céu aberto e ostenta camiseta com a foto deste mosquito que é o símbolo da incompetência e do descaso em que vive nossa saúde pública, milhões de brasileiros aguardam tanto nas filas de hospitais e unidades de saúde por um atendimento corriqueiro ou de urgência e outros milhões chegam a aguardar anos para conseguirem uma consulta com um medico especialista ou para cirurgias.
As filas, tanto as que podemos ver quanto essas invisíveis, que ficam apenas registradas em computadores e telefonemas, demonstram o sofrimento do povo e o descaso de governantes insensíveis e incompetentes, além de muitos outros corruptos que mesmo em meio a tamanho sofrimento das camadas mais pobres, teimam em roubar recursos públicos e usarem o tempo para arquitetarem planos e esquemas criminosos. O cinismo oficial e tão grande que o ministro da saúde chegou a dizer que estaria torcendo para que as mulheres pudessem contrair zica antes de ficarem grávidas, pois assim estariam imunizadas caso desejassem se engravidar.
Sorte desses governantes é que o povo brasileiro é muito paciente, alienado e aceita todas essas formas de desrespeito, de forma passiva, quando muito agridem porteiros e servidores de unidades de saúde! Mas um dia este povo pode acordar e ai a situação vai ficar bem complicada. Este filme já foi visto várias vezes em diferentes países e poderá acontecer também em nosso país.
JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. Email [email protected] Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
Artigos
Brincar é crescer: O papel do brincar no desenvolvimento da criança
Autora: Daniella Starfield* –
Brincar é uma atividade essencial na infância e vai muito além do simples entretenimento. É através da brincadeira que a criança aprende a compreender o mundo, a expressar as suas emoções e a relacionar-se com os outros. Brincar constitui um contexto privilegiado para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor.
No plano emocional, o brincar permite que a criança exteriorize sentimentos que ainda não sabe colocar em palavras. Medos, alegrias, inseguranças e desejos surgem naturalmente nas brincadeiras, ajudando-a a desenvolver a autorregulação e o equilíbrio emocional. A brincadeira simbólica, em particular, possibilita que a criança represente experiências, elabore conflitos internos e atribua significado às vivências do seu cotidiano.
No plano social, brincar com outras crianças ensina competências fundamentais como partilhar, cooperar, respeitar regras e lidar com frustrações. Promove ainda o desenvolvimento da empatia, da comunicação, da resolução de conflitos e da capacidade de negociação, competências essenciais para a construção de relações saudáveis e para uma adaptação positiva aos diferentes contextos sociais, como a família e a escola.
Num contexto cada vez mais digital, o tempo de brincar ao ar livre tem diminuído. No entanto, é precisamente neste tipo de brincadeira espontânea que a criança desenvolve criatividade, autonomia, competências sociais reais e competências motoras, através da exploração do ambiente e da interação com os seus pares. O principal desafio reside no equilíbrio entre o tempo de ecrã e as oportunidades de brincadeira livre, ativa e presencial.
O papel dos adultos é fundamental. Criar tempo e espaço para brincar, sem excesso de estruturas ou distrações, permite que a criança explore a sua imaginação e aprenda de forma natural. Quando o adulto participa de forma leve e presente, respeitando a iniciativa da criança e evitando dirigir constantemente a brincadeira, o vínculo emocional fortalece-se.
Brincar não é apenas uma atividade da infância; é um direito da criança e um dos principais pilares do seu desenvolvimento global. Através da brincadeira, desenvolvem-se competências emocionais, sociais, cognitivas, linguísticas e motoras que constituem uma base essencial para o bem-estar, a aprendizagem e a adaptação ao longo de toda a vida.
*Daniella Starfiel é escritora, letrista, empreendedora criativa e autora do livro infantil “O Grande Dia da Escolha”
-
Artigos6 dias atrásUm apelo ao STF
-
Política6 dias atrásCenário de “oposição” ganha força com disputa pela Mesa Diretora em Cuiabá
-
Artigos6 dias atrásNova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa
-
Artigos4 dias atrásO Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia
-
Destaques6 dias atrás“Tem deputado que xinga o Agro mas o dinheiro do Agronegócio banca sua família e suas amantes”
-
Política4 dias atrásPL mantém Wellington Fagundes e trava palanque único em Mato Grosso
-
Artigos1 dia atrásJulho Verde: um caroço no pescoço pode ser sinal de câncer de tireoide?
-
Política4 dias atrásNegociações avançam para revisão da “Lei do Cota Zero” em Mato Grosso



Você precisa estar logado para postar um comentário Login