Artigo
INCÊNDIOS FLORESTAIS NO CANADÁ FUMAÇA CHEGA AOS EUA
Autor: Juacy da Silva* –
Este verão tem sido um dos piores das últimas décadas no hemisfério norte, incluindo a Europa, os EUA e Canadá, com temperaturas bem elevadas, as vezes, por dias seguidos acima de 38ºc, 40 graus centígrados ou até mais, em decorrência da crise climática (aquecimento global, incluindo o aumento da temperatura dos oceanos e a elevação no nível dos mesmos).
Em decorrência, o sistema meteorológico dos EUA e também do Canadá emitiram alertas para que a população, entre a noite de ontem (dia 16/07) até a noite de amanhã (18/07), para evitar atividades ao ar livre, coitado dos trabalhadores e trabalhadores que não podem “se dar a este luxo” por trabalharem ao ar livre, as vezes sem nenhuma proteção contra poluição do ar.
No Canadá, além de centenas de milhares de hectares destruídos, já,, pelo terceiro ano consecutivo, também dezenas de milhares de famílias estão sendo evacuadas por medida de segurança e, com certeza perderão suas casas e outros pertences.
Hoje, aqui na Região de Washington, DC incluindo a Capital dos EUA, a parte norte do Estado da Virgínia e do outro estado vizinho, Maryland, a gente sente o cheiro de fumaça bem intenso e a atmosfera está alaranjada, o sol um tanto encoberto e o calor bem intenso.
O índice da qualidade do ar está muito elevado, muito acima do “normal”, em diversas cidades, como Chicago, no Estado do Illinois com 247; a cidade de Nova York esta com 176 e aqui na área metropolitana de Washington, DC este índice é de 147, indicando ou sugerindo precaução e muito cuidado por parte da população.
Além da fumaça que impacta o sistema respiratório das pessoas em geral, mas de uma forma mais intensa pessoas idosas e crianças ou quem tem problemas respiratórios crônicos, a onda de calor que dura as vezes mais de uma semana ou dez dias, tem atingido mais de 35 graus centígrados, mas com a sensação térmica em redor dos 40 graus centígrados ou até mais, afetando profundamente a qualidade do ar.
A poluição do ar é uma das principais causas de mortalidade no mundo inteiro e também em diversos países. A poluição do ar causa a morte de cerca de 100.000 a 200.000 pessoas todos os anos nos Estados Unidos e no Canadá entre 15.000 e 17.000 mortes decorrem da poluição do ar anualmente. Esses óbitos ocorrem devido a doenças graves como infartos, derrames e problemas pulmonares desencadeados pelo ar tóxico.
No mundo, a poluição do ar tem sido a causa de cerca de 7 milhões a 8,1 milhões de mortes prematuras por ano no mundo. Isso significa que mais de 1 em cada 8 mortes globais está ligada a esse problema.
Todavia, apesar desses sinais que a natureza emite, como se estivesse nos exortando a parar de destruí-la, a grande maioria dos governantes, dos empresários e da população em geral dos países, principalmente do hemisfério norte não acredita em mudança climática e continua usando energia oriunda de fontes poluentes, como combustíveis fósseis (petróleo e derivados, gás natural e carvão) e poluindo o planeta.
Os EUA tem a maior frota de veículos per capita do planeta, 298 milhões, praticamente quase um veículo por habitante adulto, esta frota é movida majoritariamente por combustíveis fósseis. E o Canadá tem uma frota de veículos de 27 milhões de unidades, média de 0,7 veículo por habitante adulto.
Diante disso, a poluição urbana oriunda da queima de combustíveis fósseis por esta imensa frota de veículos é muito grande e se transforma em um desafio público quando acontece os incêndios florestais, como anualmente tem ocorrido tanto nos EUA quanto no Canadá e também na Europa, afetando, não apenas esses dois países mas diversos outros tanto no continente americano e ate na Europa e Norte da África e Ásia.
De forma semelhante, apesar dos cientistas e até líderes religiosos como o Papa Francisco, ao publicar a Encíclica Laudato Si, em maio de 2015 e posteriormente, por ocasião da COP 28 em 2023, ao enviar uma carta aos participantes daquele conclave, exortando-os sobre a gravidade da crise climática, posteriormente transformada em uma Exortação Apostólica, a Laudate Deum, sobre o fato de a humanidade viver em um mesmo planeta, onde, “tudo está interligado’, ou seja, mesmo diante de tantos alertas os países ricos, integrantes do G7 e outros, inclusive o Brasil, que integram o G20, continuam poluindo o planeta e aumentando a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera com suas terríveis consequência como o que no momento a população americana, mais de 80 milhões de pessoas, estão sendo afetadas por esses incêndios no Canadá.
Estamos nos aproximando de 2030, horizonte temporal estabelecido pela ONU para que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, os ODS e suas mais de 160 metas deveriam ser atingidas, para promovermos um melhor cuidado com o meio ambiente, em sua dimensão integral, global e revertermos o aquecimento global, conforme os termos do Acordo de Paris, firmado por mais de 190 países em 2015, antes que o planeta atinja o “ponto do não retorno”, ou seja, em que as temperaturas médias em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, na região Centro Oeste, possam atingir médias superiores a 45ºc, 50 graus centígrados ou até mais, inviabilizando os sistemas econômicos e todas as formas de vida, principalmente a vida humana.
Enquanto no hemisfério norte as temperaturas elevadas, a redução das chuvas, as ondas de calor e os incêndios aterrorizam a população, no hemisfério sul, principalmente na América do Sul, incluindo o Brasil, os alertas dos sistemas meteorológicos e dos cientistas são em relação aos impactos do “El Niño”, cujas consequências também serão catastróficas.
No Brasil estamos nos aproximando das eleições gerais, tanto no plano federal quanto nos estados, ou seja, os eleitores e eleitoras, enfim, o povo brasileiro terá a oportunidade de escolher seus dirigentes políticos para os próximos quatro anos.
Lamentavelmente, a mediocridade continua como base das discussões políticas, eleitorais e, apesar da gravidade das questões e desafios socioambientais, praticamente todos os candidatos, candidatas e partidos, com raras exceções, simplesmente ignoram essas questões e tantas outras de extrema importância para a vida nacional e também para a saúde do planeta em geral.
Cabe a nós, eleitores e eleitoras provocarmos esses postulantes a cargos eletivos federais ou estaduais quais as propostas e compromissos que eles/elas assumem e se comprometem em defender, transformando tais compromissos não em promessas vagas, demagógicas e vazias, mas em fundamentos para a definição e implementação de políticas públicas, que atendam, de forma transparente , ética/honesta e eficiente as necessidades, aspirações e direitos da população brasileira, principalmente mais da metade, ou seja, mais de 100 milhões de pessoas que sofrem na pele com a mediocridade e a corrupção, que continuam a caracterizar boa parte da chamada “classe política” e continuam `a margem da sociedade, excluídos e sofrendo as consequências da degradação ambiental.
Tanto o Papa Francisco quanto o Papa Leão XIV e diversos estudiosos, pesquisadores das questões socioambientais tem demonstrado que os pobres e marginalizados no mundo todo e no Brasil isto não tem sido diferente, sofrem muito mais com os chamados “desastres ambientais”, por isso sempre insistem que “o grito, o clamor da terra é também o grito, o gemido dos pobres, excluídos e injustiçados”.
Precisamos ficar atentos, alertas e darmos “cartão vermelho”, para políticos que ao serem eleitos só pensam e agem motivados por interesses pessoais, familiares ou de pequenos grupelhos de oportunistas e sanguessuga dos recursos públicos.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
E-mail [email protected]
WhatsApp 65 9 9272 0052
Instagram @profjuacy
Artigos
Sua empresa realmente faz marketing?
Autora: Dayane Nascimento* –
Nem tudo é marketing. E entender isso pode mudar os resultados da sua empresa. É comum ouvir empresários dizendo que precisam “contratar o marketing” quando, na realidade, procuram alguém para administrar as redes sociais, criar anúncios ou produzir conteúdo.
Embora essas atividades sejam importantes, elas representam apenas uma parte do marketing. Confundir essas funções pode parecer apenas um detalhe de nomenclatura, mas costuma gerar desperdício de investimentos e resultados abaixo do esperado.
Essa percepção é reforçada por um levantamento da consultoria Gartner, segundo o qual empresas com elevados níveis de desorganização estratégica são 36% menos propensas a alcançar alto desempenho em marketing e nos resultados do negócio. O estudo indica que, muitas vezes, o problema não está na execução das ações, mas na ausência de uma estratégia capaz de orientar todas elas.
O marketing não é uma ferramenta. É a estratégia que orienta todas as ferramentas. Essa distinção já era defendida por Philip Kotler, considerado um dos principais estudiosos da área. Em Administração de Marketing, ele define marketing como um processo de identificação e atendimento das necessidades humanas e sociais de forma lucrativa.
Em outras palavras, marketing não começa na publicação de um post ou no lançamento de uma campanha. Ele começa muito antes: entendendo o mercado, o comportamento do consumidor, a proposta de valor da empresa e os objetivos do negócio. Quando essa etapa estratégica é ignorada, a comunicação passa a funcionar de forma fragmentada.
A empresa que investe em redes sociais porque “todo mundo está fazendo“, compra mídia paga porque quer vender mais, contrata influenciadores porque virou tendência e reformula sua identidade visual porque acredita que a marca “precisa parecer mais moderna”. São decisões que, isoladamente, podem até ser bem executadas, mas dificilmente constroem um posicionamento consistente.
Não por acaso, Don Schultz, um dos criadores do conceito de Comunicação Integrada de Marketing (Integrated Marketing Communications – IMC), defende que todos os pontos de contato entre empresa e consumidor devem transmitir uma mensagem coerente e alinhada aos objetivos estratégicos da organização. A força da comunicação não está em cada ação individual, mas na capacidade de todas elas trabalharem em conjunto.
Uma analogia simples ajuda a compreender essa diferença. Imagine a construção de um edifício. O pedreiro, o eletricista, o encanador e o pintor exercem funções indispensáveis. No entanto, nenhum deles substitui o projeto arquitetônico. É o projeto que define como cada profissional irá atuar para que o resultado final seja seguro, funcional e coerente. No marketing acontece exatamente o mesmo. Social media, designer, gestor de tráfego, redator, videomaker e assessoria de imprensa são especialistas fundamentais, mas precisam estar conectados por uma estratégia comum.
Esse entendimento também aparece nas organizações que mais se destacam em desempenho. A consultoria Gartner define estratégia de marketing como a disciplina responsável por alinhar todas as atividades de marketing aos objetivos do negócio. A preocupação deixa de ser apenas “o que fazer” e passa a ser “por que fazer”, “para quem fazer” e “como medir o impacto de cada iniciativa”.
Na prática, muitas empresas enfrentam um cenário diferente. Cada fornecedor entrega bem a sua parte, mas ninguém coordena o conjunto. O designer cria peças visualmente atrativas, o social media publica com frequência, o gestor de tráfego otimiza campanhas e a equipe comercial busca novos clientes. Ainda assim, os resultados parecem não acompanhar o esforço.
O problema, muitas vezes, não está na qualidade dos profissionais, mas na ausência de uma direção estratégica que conecte todas essas ações. Essa realidade é especialmente comum em empresas que cresceram rapidamente. À medida que o negócio evolui, surgem novos canais de comunicação, diferentes fornecedores e diversas demandas simultâneas. Sem uma estratégia clara, cada decisão passa a ser tomada de forma reativa, seguindo tendências ou urgências do momento.
Talvez por isso Peter Drucker tenha afirmado que “o objetivo do marketing é tornar a venda supérflua”. A frase não significa que vender deixa de ser importante, mas que, quando o mercado é compreendido, a proposta de valor é clara e a comunicação é consistente, o cliente percebe naturalmente o valor da empresa. A venda passa a ser consequência de um trabalho estratégico bem executado.
As ferramentas continuarão evoluindo. Novas redes sociais surgirão, formatos de conteúdo serão substituídos e tecnologias baseadas em inteligência artificial transformarão novamente a forma de comunicar. Mas a essência do marketing permanecerá a mesma: compreender pessoas, gerar valor e orientar decisões que aproximem empresas e clientes.
No fim das contas, redes sociais, anúncios, vídeos, eventos e campanhas não são o marketing. São instrumentos. Marketing é a estratégia que faz todos esses instrumentos tocarem a mesma música.
*Dayane Nascimento, consultora marketing com formação na UFMT, especialista em economia comportamento pela ESPM/SP e empresária.
-
Artigos5 dias atrásO Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia
-
Política4 dias atrásPL mantém Wellington Fagundes e trava palanque único em Mato Grosso
-
Política4 dias atrásNegociações avançam para revisão da “Lei do Cota Zero” em Mato Grosso
-
Artigos2 dias atrásJulho Verde: um caroço no pescoço pode ser sinal de câncer de tireoide?
-
Artigos4 dias atrásCorpo: meu único lar
-
Política6 dias atrásPesquisa interna ditará rumo ao Palácio Paiaguás
-
Política3 dias atrásA ausência de respostas consolida crise na mobilidade metropolitana de Mato Grosso
-
Artigos6 dias atrásComo evitar que os fracassos definam nossa identidade?


