Artigo
Importância do engenheiro mecânico na manutenção de equipamentos hospitalares
Autora: Priscila Bernardi Rockenbach –
Segundo dados do Ministério da Saúde, voltamos a crescer com relação ao número de mortes devido ao CoronaVírus (Covid-19). Chegando a 1 mil vidas ceifadas por dia no país. Isso é um fato que deve ser analisado com bastante cuidado para que não evolua ainda mais e não se mantenha e nem repita ao longo dos anos. As equipes de saúde junto com a imunização em massa estão fazendo progresso, e a engenharia pode contribuir muito com isso também. Os hospitais compõem uma grande união de profissionais da saúde que trabalham para salvar vidas e, durante a pandemia, tem sido um lugar de inestimável ajuda.
Porém, será que todos os equipamentos e atividades relacionadas aos cuidados prediais estão tendo manutenção correta de acordo com as normas e executando sua máxima capacidade com total eficiência? Para verificar isso, os fiscais do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MT) de todos os estados estão realizando vistorias nos hospitais para garantir a qualidade das ações relacionadas a Engenharia através da verificação dos engenheiros responsáveis pela realização de obras e reformas e pela conservação de elevadores, sistemas de ar condicionado, caldeiras e autoclaves, compressores, centrais de Gases Liquefeitos de Petróleo (GLP), geradores, instalações elétricas, sistemas de proteção contra descargas atmosféricas, como para-raios, instalações de internet e câmeras de vigilância, plano de gerenciamento do lixo, controle de pragas urbanas, instalações hidrossanitárias, sistemas de prevenção de combate a incêndio, equipamentos usados nos pacientes como o raio X, de tomografia e de ressonância magnética.
Os fiscais também analisam se todas essas manutenções estão sendo realizadas de acordo com o planejado por esses profissionais responsáveis.
Em Mato Grosso, 153 hospitais, caracterizados como de médio e grande porte, foram escolhidos para receber a visita dos fiscais. Até o final de janeiro, 99 hospitais tinham sido fiscalizados, os da cidade de Poconé, sendo os últimos. Já os demais serão até julho de 2022.
Uma das irregularidades encontradas é a falta de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que comprova o acompanhamento do profissional da Engenharia responsável e capacitado. Já os sistemas de ar condicionado dentro das UTI’s devem receber manutenção constante e esse serviço deve ser planejado por um profissional da Engenharia Mecânica, então, assim que ele for fazer o serviço, deve ser emitida a ART no site do Crea-MT para que o Conselho fique ciente da intervenção de um engenheiro específico, garantindo que que esse trabalho seja feito com a máxima competência e da forma correta.
Outra irregularidade encontrada é com relação à falta de um profissional cadastrado no Crea-MT nas cidades próximas da divisa com outros estados, como Tocantins, Goiás e Pará. Essa determinação do Crea é muito importante para que haja uma procura por profissionais de Mato Grosso ao invés de estados vizinhos, valorizando ainda mais os engenheiros de estado Mato-grossense.
O que foi constatado pelos fiscais é que os municípios mais distantes do centro do estado, como Apiacás, no extremo norte, apresentam uma dificuldade na realização de manutenções dos equipamentos de unidades hospitalares públicos porque estão estragados há algum tempo. Então, por não funcionarem, acabam não recebendo multa. O procedimento para esses casos é informar ao Ministério Público o problema que está ocorrendo no local.
Outro dado interessante é que todos os hospitais do nosso estado que foram fiscalizados constataram irregularidade, mas os hospitais privados estão nitidamente com mais itens regulares do que os públicos.
Os hospitais têm alguns dias para regularizar cada situação fora das normas, data informada no auto de infração.
Todas essas ações buscam fazer com que os hospitais sejam um local seguro para os pacientes e para os funcionários, tornando nossa sociedade mais confiante de que o procedimento realizado pela equipe de saúde seja com eficácia em unidades hospitalares prontas para ajudar quem precisar.
– Priscila Bernardi Rockenbach – Conselheira do Crea-MT e engenheira mecânica e de Segurança do Trabalho.
Artigos
Como a redução da jornada e escala de trabalho pode pesar no bolso do cidadão
Autor: Jorge Gonçalves Filho* –
Enquanto os debates em torno da PEC 221/2019, que propõe a redução da jornada e escala de trabalho, concentram-se fortemente nas reações do varejo, da indústria e de suas grandes associações patronais, um impacto profundo e silencioso ameaça o cotidiano da população. Para além das grandes linhas de montagem, há uma vasta cadeia de prestação de serviços essenciais que sentirá o golpe de forma imediata, transferindo o custo diretamente para o bolso do cidadão comum.
O setor condominial é um dos termômetros mais claros desse cenário. De acordo com dados do mais recente Censo Condominial 2025/2026, o Brasil conta com cerca de 327 mil condomínios, que servem de lar para, aproximadamente, 39 milhões de moradores. Dentro dessa estrutura, a mão de obra, composta por vigilantes, porteiros, profissionais de limpeza e zeladores, representa a maior fatia das despesas ordinárias, alcançando cerca de 70% dos custos totais de manutenção.
Estudos setoriais indicam que a adaptação da escala de trabalho às novas exigências da PEC gerará um incremento de 20% a 23% no custo da mão de obra. O reflexo dessa conta é matemático e inevitável: estima-se um aumento médio de 14% na taxa de condomínio.
O impacto social da medida é que para uma parcela significativa dos 39 milhões de residentes, muitos dos quais já enfrentam o endividamento e a perda do poder de compra, esse reajuste pode ser o gatilho para a inadimplência, inviabilizando o pagamento dos boletos mensais de condomínio e desestabilizando a saúde financeira das comunidades.
O governo não poderá dizer que não haverá aumento do custo de vida, incluindo os serviços públicos, os quais, quem paga, são os contribuintes. O texto da proposta deixa explícito o seu alcance sobre os serviços públicos. Conforme estabelece o artigo 9º da PEC: nos contratos celebrados pela administração pública direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, vigentes na data de publicação desta Emenda Constitucional e cuja execução envolva emprego direto de mão de obra, as disposições relativas à redução da duração do trabalho normal serão aplicadas após aditamento contratual para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro.
Na prática a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro significa uma única coisa: as empresas terceirizadas que prestam serviços públicos para condomínios, hospitais, escolas, segurança e órgãos públicos repassarão o custo do aumento da mão de obra. Quem pagará a conta?
Como o Estado não gera riqueza própria, o fechamento dessa conta se dará por duas vias conhecidas: a piora na qualidade dos serviços prestados ou o aumento da carga tributária. No fim, o contribuinte é quem pagará uma conta para a qual não foi consultado, evidenciando que a reforma, se aprovada sem amortecedores econômicos, cobrará um preço alto de toda a sociedade. E o povo precisa saber disto.
*Jorge Gonçalves Filho – Presidente do IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo
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