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HÁ 28 ANOS MORRIA LUIS FERREIRO E A ARTE DE FERRAR ANIMAIS

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Autor: Wilson Pires de Andrade*

Luis Pinto de Magalhães, nascido em 19 de agosto de 1906, na localidade de Capão Grande. Um varzeagrandense nato, que desde criança aprendeu uma profissão secular, a de ferrar (fabricar e colocar ferraduras – uma lâmina de ferro, presa por cravos na borda da parede do casco do animal) animais na terra de Couto Magalhães. Filho de uma família composta por dez irmãos, “seo” Luis fez parte do surgimento de Várzea Grande e teve uma participação ativa, nesse processo através de sua profissão.

Um varzea-grandense do Capão Grande, que residiu na Avenida Couto Magalhães (Praça Aquidaban), 1.304, com a família. Da profissão, além da recordação, a velha bigorna que era utilizada para moldar em ferro quente as ferraduras que eram usadas em animais (cavalos, burros e mulas), bem como para fazer marcas para gado.

Filho de lavradores, a profissão sempre foi levada a sério, “seo” Luis viveu a infância na localidade em que nasceu Capão Grande.

Pela manhã, a rotina diária era iniciada com ida à Escola. Após o almoço, tinha que ir para a roça. Ele recordava que tudo era feito com carinho e tranquilidade.

Nos ficávamos capinando, plantando e até colhendo, sempre ao som de modinhas do cururu e do siriri”.

O seu primeiro professor foi Luis Caetano Botelho, “que não admitia chacotas”. Qualquer contrariedade, o aluno sofria bolo (palmatória) nas mãos.

Após a conclusão do primário, a conselho dos pais, “seo” Luis mudou-se para o centro de Várzea Grande, onde residia um dos irmãos, que já trabalhava com oficina de ferradura. Dessa forma, 1915, iniciou as atividades, ajudando o irmão. Sobre a Várzea Grande dessa época, tinha muita recordação.

Aqui não se diferenciava o rico do pobre. Em primeiro lugar porque quase todos eram pobres”, comentava.

Para descontrair, tinha muitas reuniões no início das noites, entre os amigos, para jogar conversa fora e contar histórias, quase sempre, de medo.

Dos primeiros amigos, recordava de Salvador da Conceição, conhecido como João de Chiru, bem como do Zeferino de Paula.

Sobre sua profissão, lembrava que a movimentação era grande.

Tinham muitos ferradores por aqui. Nós éramos amigos”.

A profissão era reforçada com a ferração de roda de carroças e marcas para o gado.

Era só o dono procurar que sua marca saia rapidinho, sempre com as iniciais do nome”.

Ele dizia que com 8 a 10 mil réis o dono do animal pagava o serviço realizado.

“Muitos ainda brigavam por um preço mais acessível”.

FAMÍLIA

O contexto família era levado muito a sério por “seo” Luis Magalhães.

Foi em julho de 1930 que “seo” Luis casou-se com Leonidia Maria Magalhães.

Ela era como eu. Filha de gente boa e humilde de Capão Grande. Moça prendada e bonita, enfatizava.

Quando se casou, “seo” Luis tinha 24 anos, e a esposa, 21. Desse relacionamento, o casal teve cinco filhos: Moacir Pinto de Magalhães, Maria Isabel Magalhães da Silva, Nildes Magalhães Botelho, Lailze Maria de Magalhães e Irlene Maria de Magalhães. Tiveram muitos netos e bisnetos para alegria do casal, e todos moram em Várzea Grande.

Tronco de uma família tradicional e de boa índole, ele destacava que sempre procurou fazer como seus pais: dar aos filhos a oportunidade de aprender uma profissão.

No mundo em que vivemos hoje, o trabalho é fundamental e necessário para a sobrevivência de cada um”.

FESTAS TRADICIONAIS

Como todo varzea-grandense de nascimento, Luis Pinto de Magalhães não perdia as grandes festas. Inclusive as mais famosas, como a da professora Adalgisa Gomes de Barros, onde o baile contava até mesmo com músicos do 16º BC e da Polícia Militar. Mas tinha um, porém, a noitada terminava cedo.

Ás 22:00 o baile ia esvaziando, pois os pais não permitiam que os filhos ficassem até tarde na rua”.

Mestre Inocêncio, indagou, era outro que gostava de dar festas.

Ele formou, inclusive, uma bandinha, que ficou muito famosa“.

VÁRZEA GRANDE

Apesar de todo o crescimento de Várzea Grande, intitulada inclusive de Cidade Industrial, seo Luis Pinto de Magalhães destaca, “tudo está igual”. Segundo ele, havia fartura de algumas coisas e faltavam outras.

Como antigamente.

Só para esclarecer, ele comentou no que diz a respeito à alimentação básica, tudo era mais barato quando mudou para Várzea Grande.

Corria pouco dinheiro, mas a gente não passava apuros como nos dias atuais. Hoje há dinheiro a mais no mercado, mas tudo está muito caro”.

De cidade pacata a grande pólo industrial e comercial do Estado de Mato Grosso. Dessa forma, “seo” Luis Pinto de Magalhães definia o fantástico crescimento assistido em Várzea Grande, nos últimos anos.

Tivemos bons prefeitos, e isso tem sido muito bom para o desenvolvimento de nossa cidade”.

Além do fato de ser uma cidade co-irmã da capital, “seo” Luis acreditava em Várzea Grande, que no futuro teria vida própria e seria uma importante cidade do Estado de Mato Grosso.

No contexto histórico de Várzea Grande, muitos personagens fizeram parte. Entre eles também está “seo” Luis Pinto de Magalhães, que morreu aos 88 anos no dia 14 de dezembro de 1994.

*Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso.

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Como a redução da jornada e escala de trabalho pode pesar no bolso do cidadão

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Autor: Jorge Gonçalves Filho*

Enquanto os debates em torno da PEC 221/2019, que propõe a redução da jornada e escala de trabalho, concentram-se fortemente nas reações do varejo, da indústria e de suas grandes associações patronais, um impacto profundo e silencioso ameaça o cotidiano da população. Para além das grandes linhas de montagem, há uma vasta cadeia de prestação de serviços essenciais que sentirá o golpe de forma imediata, transferindo o custo diretamente para o bolso do cidadão comum.

O setor condominial é um dos termômetros mais claros desse cenário. De acordo com dados do mais recente Censo Condominial 2025/2026, o Brasil conta com cerca de 327 mil condomínios, que servem de lar para, aproximadamente, 39 milhões de moradores. Dentro dessa estrutura, a mão de obra, composta por vigilantes, porteiros, profissionais de limpeza e zeladores, representa a maior fatia das despesas ordinárias, alcançando cerca de 70% dos custos totais de manutenção.

Estudos setoriais indicam que a adaptação da escala de trabalho às novas exigências da PEC gerará um incremento de 20% a 23% no custo da mão de obra. O reflexo dessa conta é matemático e inevitável: estima-se um aumento médio de 14% na taxa de condomínio.

O impacto social da medida é que para uma parcela significativa dos 39 milhões de residentes, muitos dos quais já enfrentam o endividamento e a perda do poder de compra, esse reajuste pode ser o gatilho para a inadimplência, inviabilizando o pagamento dos boletos mensais de condomínio e desestabilizando a saúde financeira das comunidades.

O governo não poderá dizer que não haverá aumento do custo de vida, incluindo os serviços públicos, os quais, quem paga, são os contribuintes. O texto da proposta deixa explícito o seu alcance sobre os serviços públicos. Conforme estabelece o artigo 9º da PEC: nos contratos celebrados pela administração pública direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, vigentes na data de publicação desta Emenda Constitucional e cuja execução envolva emprego direto de mão de obra, as disposições relativas à redução da duração do trabalho normal serão aplicadas após aditamento contratual para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro.

Na prática a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro significa uma única coisa: as empresas terceirizadas que prestam serviços públicos para condomínios, hospitais, escolas, segurança e órgãos públicos repassarão o custo do aumento da mão de obra. Quem pagará a conta?

Como o Estado não gera riqueza própria, o fechamento dessa conta se dará por duas vias conhecidas: a piora na qualidade dos serviços prestados ou o aumento da carga tributária. No fim, o contribuinte é quem pagará uma conta para a qual não foi consultado, evidenciando que a reforma, se aprovada sem amortecedores econômicos, cobrará um preço alto de toda a sociedade. E o povo precisa saber disto.

*Jorge Gonçalves FilhoPresidente do IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo

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