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Férias com mais terra e menos telas!

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Autora: Paula Mazzola*

O período de férias simboliza liberdade, alegria e leveza. É acordar com o nosso relógio biológico, sem compromissos agendados, sair da rotina e se aventurar no desconhecido. É comer fora de hora, escolher o que fazer com o “nosso dia” e incluir o não fazer nada! É viajar com a família, conhecer novos lugares e mergulhar na leitura de livros que nos levam até onde a nossa imaginação alcança. É acampar na sala com a barraca feita de lençol preso com barbante, brincar na rua, desenhar, pintar e bordar! É andar com os pés descalços, pisar na lama, tomar banho de chuva e se reunir em volta da fogueira… É viver o momento presente com presença, sabendo que esse tempo respeita um ciclo, e logo as aulas irão retomar.

Porém, muitas crianças ainda passam grande parte do seu tempo livre presas às telas, distantes da terra, do vento, do sol e do movimento. Essa hiperexposição digital desconecta vínculos, afasta a criatividade e todos os benefícios que o brincar carrega consigo.

As férias traduzem um tempo de transformação, um convite para que crianças e famílias abram espaço para o encantamento, para a pausa e para o brincar. Assim como a borboleta, que passa pela metamorfose em diferentes fases de seu ciclo, também podemos nos conectar com o que pulsa ao nosso redor com curiosidade, aprendizado, imaginação e ação.

E como transformar essa ideia da metamorfose em atividades práticas com as crianças?

Ofereça às crianças pequenas experiências que fortaleçam vínculos com a natureza de forma lúdica, educativa e regenerativa ao mesmo tempo. Promova momentos: o “ovo”, que simboliza o início e a intenção pode se tornar o ato de plantar sementes; o “lagarta”, por ser um animal que come o tempo todo, pode ser cozinhar ou fazer uma caminhada observando as folhas na natureza. Momentos de pausa, recolhimento, introspecção e silêncio representam o “casulo ou crisálida”, como a leitura de algum livro, um intervalo e o descanso. Já a “borboleta” é tempo de liberdade, de agir coletivamente, com brincadeiras ao ar livre e muita criatividade!

Pequenas ações podem gerar grandes transformações. É nesse reencontro com a nossa natureza que fortalecemos vínculos e abrimos espaços para uma imensidão de novas possibilidades! Assim, como despertar para o famoso termo “Efeito Borboleta”, substituímos naturalmente o tempo nas telas para mais tempo na terra!

*Paula Mazzola é psicopedagoga pela PUC-SP, pós-graduada em Educação para a Sustentabilidade e Regeneração, especialista em Liderança ecossistêmica e autora da trilogia “Atequenfim

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Artigos

O Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia

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Autor: Ives Gandra da Silva Martins*

Ciência, ética e fé: a encíclica Magnifica humanitas como um guia para o bem comum

A Encíclica Magnifica humanitas (em português: Magnífica humanidade), primeiro documento papal de Leão XIV, publicada em maio deste ano, deve ser lida não só por nós, católicos, mas por todos aqueles que realmente se interessam pela evolução do gênero humano.

O documento pontifício mostra, em primeiro lugar, que para a Igreja não há incompatibilidade entre a ciência e a religião. O texto faz uma menção direta e profunda à Encíclica Rerum Novarum (“Das Coisas Novas”), de Leão XIII, publicada em 1891, que debateu a grave situação dos trabalhadores gerada pela Revolução Industrial, propondo uma via que rejeitava tanto os excessos do capitalismo quanto as propostas do socialismo. Considero que o primeiro grande documento a apresentar soluções de convivência entre a liberdade econômica e a justiça social foi a referida encíclica e não os livros daqueles autores do século XIX que propugnavam a luta de classes.

As diversas encíclicas escritas a partir da Rerum Novarum revelam como a Igreja tem demonstrado compatibilidade e preocupação não só com o ser humano em sua relação com Deus, mas também com o papel de cada indivíduo na convivência com seus semelhantes.

G. K. Chesterton (1874–1936), escritor inglês e defensor da fé e da tradição católica, dizia que nós não vemos o plano de Deus porque estamos do lado de trás de uma tapeçaria, vendo apenas a cordoalha (o avesso da tapeçaria) que lá existe. Mas Deus está vendo o desenho que fez para cada um de nós, a beleza da tapeçaria que está à frente d’Ele.

O que a Encíclica Magnifica humanitas procura mostrar sintetiza-se em três pontos: os desafios contemporâneos da sociedade; a plena compatibilidade entre a ciência e a religião; e, finalmente — sendo este o aspecto mais relevante —, os dilemas trazidos pela inteligência artificial.

O documento pondera tanto os seus benefícios quanto o risco de sua exploração negativa contra a humanidade, alertando especificamente para o perigo de a tecnologia anular o discernimento moral e desumanizar as relações de trabalho, assim como a Revolução Industrial ameaçou o operariado na época da Rerum Novarum. Mostra, enfim, que devemos aprender a utilizar essa poderosa ferramenta tecnológica para o bem comum, protegendo o gênero humano de seus efeitos nocivos.

Ao traçar esse paralelo histórico, o Sumo Pontífice nos recorda que o progresso técnico, isolado de uma sólida moldura ética, tende a converter o ser humano em mero insumo produtivo. Se no século XIX a máquina a vapor ameaçava subjugar a força física do operário, no alvorecer deste milênio os algoritmos e os sistemas autônomos colocam em xeque a própria singularidade do intelecto e do livre-arbítrio.

A mensagem de Leão XIV, portanto, não se reveste de um teor de oposição à tecnologia; ao contrário, ela nos convoca a resgatar a primazia da pessoa humana sobre a técnica, assegurando que a inteligência artificial sirva como instrumento de emancipação e de justiça distributiva, e nunca como vetor de novas e mais profundas desigualdades sociais.

Desse modo, a leitura desta encíclica transcende o debate estritamente teológico para fixar-se como um autêntico tratado de Direito Natural e de preservação da dignidade humana. Diante de uma realidade cada vez mais fragmentada pelo relativismo e pela velocidade das transformações digitais, o documento papal surge como um guia de lucidez e de esperança.

Tenho a impressão de que é uma encíclica que todos devemos ler, crentes ou não, católicos ou de outras convicções, pois ela apresenta os grandes problemas da atualidade, de toda a humanidade, trazendo sugestões muito interessantes para a convivência pacífica e harmoniosa, inclusive na busca de que o bem triunfe sobre o mal.

Vale, pois, a pena ler esse importante documento, que é a Encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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