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Entenda o porquê do número de casos de câncer de mama em mulheres jovens está aumentando

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Autor: Dr. Rafael Sodré*

O câncer de mama é uma preocupação crescente entre mulheres jovens, como evidenciado por um aumento significativo nas taxas de incidência. Este fenômeno complexo é influenciado por uma interação multifacetada de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

Geneticamente, a predisposição para o câncer de mama está associada a mutações em genes como BRCA1 e BRCA2. Portadores dessas mutações têm um risco significativamente aumentado de desenvolver câncer de mama ao longo da vida. Outros genes e variantes genéticas também estão sendo investigados por seu potencial papel na susceptibilidade ao câncer de mama em mulheres jovens.

Ambientalmente, a exposição a agentes carcinogênicos, como produtos químicos industriais e poluentes ambientais, desempenha um papel na carcinogênese mamária. Estudos também sugerem uma ligação entre dieta inadequada, com alto consumo de gorduras saturadas e baixa ingestão de frutas e vegetais, e um maior risco de desenvolver câncer de mama.

Fatores comportamentais, como o consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo e obesidade, também estão implicados no aumento da incidência de câncer de mama em mulheres jovens. Esses comportamentos podem modular a expressão gênica e influenciar processos biológicos que contribuem para o desenvolvimento do câncer de mama.

Dados epidemiológicos destacam a magnitude desse problema de saúde pública. O câncer de mama é o tipo mais comum de câncer entre as mulheres, representando cerca de 25% dos casos de câncer em todo o mundo. No Brasil, são estimados mais de 66 mil novos casos a cada ano, com uma tendência de aumento devido ao envelhecimento da população e mudanças nos estilos de vida.

A prevenção e detecção precoce são fundamentais para mitigar o impacto do câncer de mama em mulheres jovens. A conscientização sobre fatores de risco e a importância do autoexame e da mamografia são essenciais. Além disso, a pesquisa contínua é crucial para compreender melhor os mecanismos subjacentes ao aumento da incidência e desenvolver estratégias eficazes de prevenção e tratamento do câncer de mama em mulheres jovens.

*Dr. Rafael Sodré, Diretor Técnico e Cirurgião Oncológico do Hospital de Câncer de MT

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Artigos

O que pode estar por trás dos bloqueios emocionais

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Autora: Adriana Braz de Oliveira*

Você já sentiu uma tristeza que não sabia explicar? Uma angústia que parecia não ter origem? Ou talvez um padrão que se repete na sua vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas, e que, por mais que você tente mudar, insiste em aparecer? Pois bem, pode ser que essa história tenha começado muito antes de você.

Partimos de uma premissa simples, mas profunda: não somos ilhas. Somos o resultado de tudo aquilo que vivemos, sim, mas também do que as gerações antes de nós viveram e não conseguiram elaborar completamente. Lutos que não foram chorados, segredos que ficaram guardados, pessoas que foram excluídas da família, traumas que ficaram sem amparo. Tudo isso não desaparece com o tempo, mas circula, de forma silenciosa, dentro do sistema familiar — e pode aparecer na vida dos descendentes como ansiedade sem nome, bloqueios inexplicáveis ou relacionamentos que nunca fluem.

Não se trata de culpar os nossos ancestrais. Muito pelo contrário. Trata-se de compreender que o que sentimos nem sempre começou em nós. E que ao trazer luz para essas dinâmicas, deixamos de repetir automaticamente e passamos a ter escolha.

Podemos pensar, por exemplo, no impacto da ausência paterna na vida de uma pessoa. E aqui é importante entender que ausência não significa apenas não estar presente fisicamente. Um pai pode estar em casa todos os dias e, ainda assim, ser emocionalmente distante, indisponível, desconectado.

Quando a paternidade não vem acompanhada de vínculo real, isso deixa marcas. O filho pode crescer com dificuldade de se sentir pertencente ao mundo, de confiar em si mesmo, de se realizar profissionalmente ou de construir relacionamentos saudáveis. Muitas vezes, passa a vida tentando preencher esse vazio em outros lugares: em parceiros, em conquistas, na busca por aprovação.

No entanto, a ideia não é forçar uma reconciliação artificial com esse pai. Mas algo ainda mais transformador: dar um lugar interno a essa figura, com todas as suas limitações humanas, para que o filho possa, finalmente, seguir em frente sem carregar esse peso. E é justamente aqui que surge um dos maiores equívocos sobre o processo de transformação: a crença de que, para se libertar, é preciso cortar os vínculos com o passado. Que para ser livre, é necessário esquecer, romper, rejeitar.

Quando tentamos fugir da nossa história com raiva ou repúdio, continuamos presos a ela, só que de outro jeito. A rejeição também é uma forma de emaranhamento. E a repetição continua, muitas vezes com polaridade invertida. A verdadeira liberdade começa quando paramos de fugir e passamos a olhar. Quando nos permitimos ver nossa origem como ela realmente foi, sem idealizações e sem condenações. Quando conseguimos dizer internamente: “você é meu pai, você é minha mãe, e eu recebo a vida que vocês me deram.” Não porque o passado foi perfeito, mas porque ele foi real. E porque, ao aceitá-lo, abrimos espaço para que a vida possa, finalmente, fluir.

Diferenciar-se não é apagar de onde viemos. É honrar as raízes com consciência, deixar com cada um o peso que lhe pertence, e assumir com coragem e leveza o próprio lugar no mundo. Esse é o caminho proposto: não o de quem foge, mas o de quem integra, escolhe e segue.

*Adriana Braz de Oliveira é psicóloga, doutora em Psicologia da Saúde, especialista em Psicologia Transpessoal e autora do livro PsiConstelação.

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