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Gabriel Novis Neves : “Corte na folha”

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"Estado demite 1.5 mil servidores e deve economizar R$ 50 milhões em salários" – é a manchete de um famoso site de Cuiabá. 

gabrielnovisnevesAliás, esses títulos já se tornaram rotinas, e é o maior programa de governo que temos atualmente. 

Conceito de economia é descobrir alternativas tecnológicas e científicas para aumentar as nossas fontes de rendas com mais eficiência e produtividade. 

Ampliar postos de trabalhos, arrecadar mais impostos e fiscalizar corretamente a sua utilização. 

Executar programas de desenvolvimento do Estado baseado na demissão temporária de alguns servidores comissionados é perda tempo ou demonstração de falta de rumo por carência de recursos financeiros. 

Sabemos que aos poucos esses comissionados dispensados voltarão, e aí é que a porca torce o rabo. 

Sem financiamento próprio para as obras essenciais, e que não podem mais esperar, a tendência é o agravamento da nossa já difícil situação. 

A nossa saúde pública está totalmente desmantelada sem perspectiva imediata de melhora, já que dependemos de repasses do governo federal que, por sua vez, não anda bem nesse quesito (recursos). 

Educação, fator essencial ao nosso desenvolvimento, está sucateada, colocando nosso país distante das nações desenvolvidas e emergentes. 

As estradas, quase intransitáveis, dificultam a saída das nossas riquezas, tornando-as pouco competitivas nos mercados nacional e internacional. 

A violência está em patamares insuportáveis com a nova modalidade da "bala perdida" apavorando os turistas, principalmente. 

A corrupção está infiltrada, tal metástase cancerosa, em todos os órgãos públicos e sem remédio até o momento. 

E a briosa população trabalhadora a tudo assiste, pagando impostos exorbitantes e recebendo em serviços públicos pequenas migalhas. 

O populismo ora implantado como modelo político é o marketing da ilusão, prática essa condenada em todos os países civilizados. 

Humildade, trabalho e discrição são peças obsoletas atualmente. 

Frases de efeito sem nenhuma sustentação prática mantém o governo nas mídias. Dificuldades sempre existiram nas administrações públicas. 

Administrar com recursos um bom programa de computador resolve. 

O importante é construir algo do caos. 

Gabriel Novis Neves é Médico 

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Qual o sentido da vida?

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Autora: Soraya Medeiros*

Assisti recentemente a uma palestra que trouxe uma pergunta antiga, aparentemente simples, mas capaz de atravessar gerações, religiões e filosofias: afinal, qual é o sentido da vida?

Saí de lá pensando sobre as diferentes respostas que damos a essa pergunta. Para alguns, viver é conquistar uma casa bonita, um carro novo, viajar, ganhar dinheiro e ter conforto. Para outros, é alcançar sucesso profissional, reconhecimento e prestígio. Há quem encontre sentido na família, no amor, na fé, nos amigos ou no cuidado com o próximo. E há também quem ainda esteja tentando descobrir por que está aqui.

Talvez esse seja um dos grandes dilemas do nosso tempo. Somos ensinados desde cedo a conquistar, produzir, acumular e vencer, mas pouco estimulados a perguntar por que queremos tudo isso.

Vivemos em uma sociedade que frequentemente mede felicidade pelo que pode ser mostrado. O sucesso ganhou endereço, marca, preço e até número de seguidores. Parece que precisamos provar o tempo inteiro que estamos felizes, realizados e vivendo uma vida extraordinária.

Nada há de errado em desejar conforto, crescer profissionalmente ou realizar sonhos. O problema surge quando acreditamos que essas conquistas serão suficientes para preencher todos os nossos vazios.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, criador da Logoterapia e autor de Em Busca de Sentido, dedicou parte de sua obra à necessidade humana de encontrar significado para a existência. Para ele, esse sentido não é uma fórmula pronta. Pode ser encontrado no trabalho, no amor, nas relações e até na maneira como enfrentamos situações que não podemos mudar.

E foi justamente aí que a palestra me provocou uma pergunta diferente: passamos tanto tempo pensando “o que eu quero ter?”, mas quantas vezes paramos para perguntar “que vida eu quero viver?”

Porque ter não significa ser.

Podemos conquistar dinheiro e continuar pobres de afeto. Podemos estar cercados de pessoas e nos sentir sozinhos. Podemos receber aplausos e, quando o silêncio chega, não reconhecer quem somos. Podemos acumular bens e descobrir que algumas das coisas mais importantes da vida simplesmente não podem ser compradas.

Talvez estejamos procurando longe demais aquilo que sempre esteve perto.

O sentido pode estar em sentar-se à mesa com quem amamos, abraçar nossos pais enquanto podemos, rir com os amigos, cuidar de um animal, ajudar alguém sem esperar reconhecimento, contemplar um pôr do sol ou simplesmente agradecer por mais um dia.

O problema é que frequentemente adiamos a vida. Quando eu tiver dinheiro.” “Quando conseguir aquele emprego.” “Quando comprar minha casa.” “Quando encontrar alguém.” “Quando puder viajar.” “Quando as coisas melhorarem.

E, de tanto esperar pelo momento ideal, corremos o risco de transformar a existência em uma grande sala de espera.

Mas a vida não espera.

Também acredito que não exista um único sentido para toda a nossa trajetória. Aquilo que parecia essencial aos 20 anos talvez já não seja aos 40 ou aos 60. Nós mudamos. Perdemos pessoas, encontramos outras, acertamos, erramos, amadurecemos e recomeçamos. E cada experiência reorganiza nossas prioridades.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “qual é o sentido da vida?“, mas “qual sentido estou dando à vida que tenho hoje?

A vida não começa quando conquistarmos tudo aquilo que desejamos. Ela já está acontecendo enquanto trabalhamos, fazemos planos, amamos, choramos, sorrimos, perdoamos, perdemos e encontramos forças para começar novamente.

Talvez não seja necessário descobrir um propósito grandioso para justificar nossa existência. Talvez o verdadeiro sentido esteja nas pequenas coisas que fazemos, nos afetos que construímos e nas marcas que deixamos nas pessoas que passam pelo nosso caminho.

E, no final das contas, talvez baste poder olhar para a própria história e sentir que, apesar de tudo, valeu a pena estar aqui.

*Soraya Medeiros é jornalista.

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