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OPINIÃO

Até quando seguiremos nos reinventando? Sempre!

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Autor: Matthias Schupp –

A palavra que regeu 2020 e que ainda irá prevalecer em 2021 é a reinvenção. Quem não ouviu, seja em casa, no trabalho, na televisão ou no grupo de amigos, que determinada pessoa precisou se reinventar na pandemia, que os comerciantes reinventaram seus negócios ou que o próprio mercado precisou reinventar suas atividades?

Porém, para se reinventar é necessário seguir valores e esses, independente do desafio ou pandemia, mantêm-se os mesmos. Para quem busca o sucesso, os pilares e caminhos já são conhecidos: são a criação de oportunidade, paixão, agilidade, humildade, disciplina e colaboração. Basta saber aplicar cada um deles na sua área, serviço e rotina e a excelência será uma consequência.

E eu, em uma breve palestra do multicampeão Bernardinho, pude compreender ainda mais a importância dos princípios. Com muita didática e exemplos de uma carreira brilhante, ele mostrou que, com valores básicos, o sucesso se torna parte da jornada. Seja no esporte, como o voleibol, ou em qualquer setor do mercado, a relevância de mantermos a mente aberta ao aprendizado e sermos guiados pela paixão pelo trabalho é a mesma.

E, nesse processo, a cobrança está diretamente ligada ao resultado. Me surpreendeu quando Bernardinho contou que grandes líderes podem ser comparados aos pais rígidos, que cobram e, ao mesmo tempo, cuidam. A cobrança só vem para aqueles que são capazes, mas talvez ainda não saibam disso. Para quem sabe a importância da disciplina, que nada mais é do que saber dizer não. Dizer não para aquilo que é fácil e cômodo e buscar superar-se a cada dia.

Dentro de uma empresa não há medalha de ouro, prata ou bronze, mas sim retorno e resultados que levam a equipe a excelência, assim como em um pódio olímpico. Uma venda, um novo produto, uma tecnologia desenvolvida ou meta batida podem trazer para o ambiente corporativo a mesma emoção de um atleta em quadra, que após muitos desafios, erros, acertos, aprendizados e, principalmente, perseverança, chegou ao topo.

E quando chegamos lá? Esse sim é o grande desafio da trajetória. Para explicar esse cenário, Bernardinho usou o exemplo de uma montanha: em sua base há espaço para muita gente, mas no topo não. Lá o ar é rarefeito, é frio e tem muita gente abaixo querendo alcançar o mesmo posto. Como lá em cima os desafios se multiplicam então, é sim preciso voltar ao reinventar.

Reinventar a forma de fazer, principalmente. Mas foi feito sempre assim! Pois é, mas o que nos trouxe até aqui, não será o que nos levará para o futuro. E, novamente, os valores e o propósito não podem mudar. O que muda são os formatos, ideias, atitudes, ações e, consequentemente, os resultados. A necessidade move uma ação. Quando necessário, todos sabem que é hora de buscar o novo e o diferente, de reinventar.

E 2021 é sim uma oportunidade de reinventar. Mas nunca será momento de esquecer aquilo que sustenta os grandes negócios, as grandes ideias. Uma equipe motivada, disposta a aprender sempre, com líderes atentos e cuidadosos, um time unido e muita sede por fazer acontecer, por criar o novo e manter a excelência, será sempre medalha de ouro no jogo da vida real.

Matthias Schupp é CEO da Neodent e EVP do Grupo Straumann da América Latina

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Artigos

O Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia

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Autor: Ives Gandra da Silva Martins*

Ciência, ética e fé: a encíclica Magnifica humanitas como um guia para o bem comum

A Encíclica Magnifica humanitas (em português: Magnífica humanidade), primeiro documento papal de Leão XIV, publicada em maio deste ano, deve ser lida não só por nós, católicos, mas por todos aqueles que realmente se interessam pela evolução do gênero humano.

O documento pontifício mostra, em primeiro lugar, que para a Igreja não há incompatibilidade entre a ciência e a religião. O texto faz uma menção direta e profunda à Encíclica Rerum Novarum (“Das Coisas Novas”), de Leão XIII, publicada em 1891, que debateu a grave situação dos trabalhadores gerada pela Revolução Industrial, propondo uma via que rejeitava tanto os excessos do capitalismo quanto as propostas do socialismo. Considero que o primeiro grande documento a apresentar soluções de convivência entre a liberdade econômica e a justiça social foi a referida encíclica e não os livros daqueles autores do século XIX que propugnavam a luta de classes.

As diversas encíclicas escritas a partir da Rerum Novarum revelam como a Igreja tem demonstrado compatibilidade e preocupação não só com o ser humano em sua relação com Deus, mas também com o papel de cada indivíduo na convivência com seus semelhantes.

G. K. Chesterton (1874–1936), escritor inglês e defensor da fé e da tradição católica, dizia que nós não vemos o plano de Deus porque estamos do lado de trás de uma tapeçaria, vendo apenas a cordoalha (o avesso da tapeçaria) que lá existe. Mas Deus está vendo o desenho que fez para cada um de nós, a beleza da tapeçaria que está à frente d’Ele.

O que a Encíclica Magnifica humanitas procura mostrar sintetiza-se em três pontos: os desafios contemporâneos da sociedade; a plena compatibilidade entre a ciência e a religião; e, finalmente — sendo este o aspecto mais relevante —, os dilemas trazidos pela inteligência artificial.

O documento pondera tanto os seus benefícios quanto o risco de sua exploração negativa contra a humanidade, alertando especificamente para o perigo de a tecnologia anular o discernimento moral e desumanizar as relações de trabalho, assim como a Revolução Industrial ameaçou o operariado na época da Rerum Novarum. Mostra, enfim, que devemos aprender a utilizar essa poderosa ferramenta tecnológica para o bem comum, protegendo o gênero humano de seus efeitos nocivos.

Ao traçar esse paralelo histórico, o Sumo Pontífice nos recorda que o progresso técnico, isolado de uma sólida moldura ética, tende a converter o ser humano em mero insumo produtivo. Se no século XIX a máquina a vapor ameaçava subjugar a força física do operário, no alvorecer deste milênio os algoritmos e os sistemas autônomos colocam em xeque a própria singularidade do intelecto e do livre-arbítrio.

A mensagem de Leão XIV, portanto, não se reveste de um teor de oposição à tecnologia; ao contrário, ela nos convoca a resgatar a primazia da pessoa humana sobre a técnica, assegurando que a inteligência artificial sirva como instrumento de emancipação e de justiça distributiva, e nunca como vetor de novas e mais profundas desigualdades sociais.

Desse modo, a leitura desta encíclica transcende o debate estritamente teológico para fixar-se como um autêntico tratado de Direito Natural e de preservação da dignidade humana. Diante de uma realidade cada vez mais fragmentada pelo relativismo e pela velocidade das transformações digitais, o documento papal surge como um guia de lucidez e de esperança.

Tenho a impressão de que é uma encíclica que todos devemos ler, crentes ou não, católicos ou de outras convicções, pois ela apresenta os grandes problemas da atualidade, de toda a humanidade, trazendo sugestões muito interessantes para a convivência pacífica e harmoniosa, inclusive na busca de que o bem triunfe sobre o mal.

Vale, pois, a pena ler esse importante documento, que é a Encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

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