ESTAMOS AINDA NA "REPÚBLICA VELHA"
Vereador eleito em Cuiabá, não estaria prevaricando no cargo de agente da PF?
Na imprensa cuiabana, não se fala em outra coisa: denúncias da atuação de facção ligada ao tráfico de drogas na campanha eleitoral de 2024 e na Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá.
Pois muito bem caros amigos e leitores do Blog do Valdemir, o Boteco da Alameda não pegou a visão: o vereador eleito, Rafael Ranalli (PL), vem dizendo algum tempo que há vereadores ligados a facções infiltrados na política “no próprio bastidor da campanha e os eleitores sabem quem são”.
Agora a pergunta: ele não policial federal? Qual o motivo que só vai denunciar quando tomar posse como vereador? Não estaria o vereador eleito pela população prevaricando no cargo de agente da Polícia Federal?
O Código Penal, Decreto Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940, diz no seu Artigo 319: Retardar ou deixar de praticar indevidamente, ato de ofício, ou pratica-lo contra disposição expressa de Lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: pena e detenção, de três meses a um ano, e multa.

Segundou e segue o fluxo!
Para além de coisas concretas, de cidades específicas em torno de atuação de facção ligada ao tráfico, expõem a face mais “sombria” da atividade política cuiabana.
Elas colocam, mais uma vez, a política no caderno de anotações da crônica policial.
Não que os outros escândalos já registrados, envolvendo o ‘toma lá dá cá’ e desvios diversos de recursos públicos na Saúde, por exemplo, sejam menos reprováveis.
É semelhante ao que vivemos no passado, ainda na “República Velha”, quando predominava o voto de cabresto. Eleitores iam as urnas monitorados pelos coronéis, inclusive, passou por adaptações ao longo das últimas décadas. A cooptação deu espaço às militâncias oxigenadas pela máquina pública, ao abuso de poder econômico e ao uso de Emendas Parlamentares para conquistar territórios.
Mas os indícios de possíveis interferências no processo eleitoral a partir de facções, contudo, conduzem a imagem da classe política para o fundo do poço.
Algo sem precedentes na história de Cuiabá. Relatos que envergonham e desmoralizam o Estado e suas instituições. Já há fragilizados diante do poderio dos grupos e de antigos costumes da política. Desde a Proclamação da República até hoje.

Por que as facções querem o “PODER”
A busca por “Poder Político” é uma forma de esses grupos manipularem recursos do estado para beneficiar às atividades ilícitas praticadas por eles.
Segundo o pesquisador Bruno Paes Manso da USP, “toda organização criminosa vai tentar se aproximar do estado para continuar operando. Durante muito tempo, isso, aconteceu a partir do suborno, do chamado arrego a policiais, fiscais etc. Agora, essas facções estão com muito dinheiro em caixa. Essa disponibilidade de recursos dá mais poder e permite que eles tentem ingressar na vida política para ter mais acesso ao estado“, avalia.
Para a pesquisadora Julieta Lemgruber da Universidade Cândido Mendes, uma coisa é você ter o acesso ao policial. Outra coisa é ter acesso ao mundo político.
“É uma outra instância de poder. Imagina o que é ter um miliciano político impondo a sua vontade sobre a polícia numa determinada área. É muito grave“, pontuou Julieta.
Ainda é cedo para dizer que Mato Grosso, especificamente Cuiabá, está no nível do que estudiosos chamam de “narco-estado”, com instituições gravemente afetados pelo poder do narcotráfico, mas, que o avanço da facção criminosa na vida política cuiabana, liga o sinal de alerta, sem dúvidas alguma.
É preciso repensar a forma como se dá o combate a essas facções.
Com a palavra Mauro Mendes
O cacique número 1 do União Brasil (UB), em Mato Grosso, o governador Mauro Mendes, nos últimos anos tem reiterado suas críticas a legislação brasileira, por considera-la “frouxa” no combate à criminalidade, especialmente quando se trata das organizações criminosas.
Com o avanço do crime organizado em mato grosso, Mauro Mendes tem defendido que haja uma mudança para que as Leis no país passem a ser mais rígidas com esse tipo de criminoso.
“Esses caras têm muita liberdade, daqui a pouco vai ter aí o partido do PCC oficialmente instituído no país, só falta isso. Só falta alguns defender a legalização política, porque interferir nos bastidores nós temos no Brasil inteiro que eles estão fazendo isso“, pontuou Mendes.
Durante uma Audiência Pública, a fala de Mauro Mendes foi proferida no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), onde se discutia um Projeto de Lei apresentado pelo Senador Jayme Campos (UB) no Senado Federal.
O Projeto de Lei 3786/21 tipifica o “narcocídio”, que é o homicídio ou lesão corporal relacionados à produção, distribuição e venda de drogas ilícitas. Além disso, o PL simplifica atos processuais e direciona bens apreendidos do tráfico a estados que mais enfrentam o problema.
“Quantas vidas, quantas famílias? Quantos roubos pequenos, médios e grandes, acontecem por causa desse tipo de crime? Nós temos que ter inteligência na nossa legislação para atacar de maneira a desestruturar aquilo que acontece e que são os desencadeadores de tantos outros crimes”, defendeu.
Mauro Mendes compartilhou o trecho do discurso em suas redes sociais, ainda acrescentou na legenda da publicação que o Congresso Nacional precisa ter coragem.
“É preciso mudar essas leis frouxas que permitem absurdos como esse. Enquanto isso não acontecer, por mais que façamos fortes investimentos, continuaremos enxugando gelo! ”.
Somente no Estado de Mato Grosso, entre 2019 e 2022, mais de R$ 1 bilhão foram apreendidos em drogas, veículos, moedas e aeronaves na faixa de fronteira.
O Boteco da Alameda registra o recado para o ministro da Justiça que convocou uma reunião para discutir a problemática.
“Pode ter certeza que vou rasgar o verbo e falar com dados e fatos daquilo que tenho dito sobre a segurança pública e alguns caminhos que acho que a gente tem que tomar para mudar essa trajetória“, finalizou Mauro Mendes.
PS: vereador eleito para a Câmara Municipal de Cuiabá, Rafael Ranalli, o Boteco da Alameda ainda não pegou a sua visão.
Segue o fluxo!
Política
Câmara de Várzea Grande articula CPI para investigar sucateamento e irregularidades no Transporte Coletivo
O sistema de transporte coletivo de Várzea Grande enfrenta uma iminente investigação legislativa após a consolidação do número necessário de assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal da Cidade Industrial. A iniciativa parlamentar visa apurar denúncias formais de descumprimento contratual e precarização dos serviços oferecidos à população.
A União Transporte, principal concessionária operadora do serviço no município, figura como o alvo central das investigações. A empresa, de propriedade do empresário Rômulo Botelho, irmão do deputado estadual José Eduardo Botelho (MDB), atua sob a gestão da Associação dos Transportadores Urbanos (MTU), entidade que congrega as cinco concessionárias do setor na Região Metropolitana.
A instauração do procedimento fiscalizatório ocorrerá formalmente na próxima terça-feira, dia 27 de maio, durante a Sessão Ordinária no Plenário da Casa de Leis. Nesta data, o requerimento será lido publicamente, ato que precede o sorteio técnico para a definição dos vereadores que assumirão as funções estratégicas de presidente e relator do bloco de inquérito.

O estopim para a mobilização do Poder Legislativo fundamenta-se em um robusto histórico de falhas operacionais graves, caracterizado pela circulação de uma frota visivelmente inferior à meta estipulada no contrato de concessão vigente.
Somam-se a isso relatórios técnicos que apontam para a obsolescência dos veículos, severas deficiências nos mecanismos de acessibilidade universal e descumprimento crônico dos itinerários estabelecidos.
A decisão de criar a comissão parlamentar foi chancelada por um grupo suprapartidário composto por dez vereadores: Adilsinho, Bruno Rios, Caio Cordeiro, Carlinhos Figueiredo, Charles da Educação, Cleyton Nassarden, Jânio Calistro, Joaquim Antunes, Lucas Chapéu do Sol e Rosy Prado.
A convergência desses parlamentares reflete o desgaste político e social gerado pela insatisfação generalizada da comunidade com a infraestrutura urbana local.
Os parlamentares recorreram à prerrogativa constitucional da CPI devido à insuficiência das medidas administrativas anteriores e à necessidade de detalhar o fluxo financeiro e operacional da concessão. A suspeita de favorecimento e a falta de transparência na fiscalização dos contratos anteriores motivaram os representantes a buscar instrumentos jurídicos de maior poder coercitivo e de auditoria profunda.
O cenário de degradação atinge de forma direta e severa a Cidade Industrial, o maior polo socioeconômico de Várzea Grande, e espalha-se pelas periferias conectadas à capital. Os usuários do sistema enfrentam rotineiramente veículos obsoletos desprovidos de climatização sob temperaturas extremas, infiltrações estruturais durante o período chuvoso e abrigos públicos depredados e desprotegidos contra as intempéries climáticas.

O agravamento da crise estrutural decorre, segundo analistas e lideranças comunitárias, do distanciamento geográfico e gerencial de parte dos grupos empresariais que controlam o setor, uma vez que diversas dessas organizações possuem matrizes fora do Estado de Mato Grosso.
Essa configuração societária dificulta o alinhamento das metas operacionais com as demandas reais e cotidianas da população várzea-grandense.
Os desdobramentos atuais conectam-se a fiscalizações prévias realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) e pelo Ministério Público Estadual (MPE). O órgão ministerial, inclusive, interveio recentemente por meio de uma mesa técnica, estabelecendo um cronograma emergencial de obrigações estruturais para permitir a continuidade temporária e condicionada da prestação dos serviços pela empresa concessionária.
A expectativa da sociedade civil e dos movimentos sociais concentra-se na democratização das decisões regulatórias, com a exigência de audiências públicas frequentes e auditoria cidadã nos custos tarifários. Até que os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) produzam efeitos práticos na gestão municipal, a rotina dos trabalhadores locais permanecerá sob o estigma dos atrasos crônicos, do desconforto térmico e do improviso logístico.
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