Política
Rebatizado, PMDB volta a se chamar MDB
De olho em 2018, partido governista faz ‘rebranding‘ em consonância com outras siglas “O MDB era uma frente de oposição ao regime militar. Hoje é um partido clientelista“
O PMDB não quer mais ser o PMDB. Ao menos no nome. Com a imagem abalada pelos escândalos de corrupção, o fisiologismo escancarado e a adoção de medidas impopulares com a chegada de Michel Temer ao poder, o partido decidiu fazer o que os marqueteiros chamam de “rebranding“, uma mudança de nome para tentar assumir, aos olhos do público, uma nova identidade. Para isso, escolheu adotar a sua sigla original, Movimento Democrático Brasileiro (MDB), legenda que carrega um enorme peso histórico para a esquerda: o de ter sido a oposição à ditadura militar e de ter aglutinado os interesses dos movimentos sociais e sindicais que faziam resistência ao regime.
Na convenção que marcou a mudança de nome, o senador Romero Jucá (RR), presidente nacional do partido e denunciado pela Lava Jato, afirmou que a medida tinha o objetivo de recuperar o nome original e, com isso, ter causas claras para a sigla. Junto à nova nomenclatura, o PMDB também mudará seu programa partidário em março do ano quem vem, preparando o terreno para as eleições de 2018, em que pretende garantir a existência de um candidato governista que defenda o legado de Temer, seja por meio de uma sigla aliada ou até de uma candidatura própria, segundo Jucá em uma entrevista publicada pela Folha de S.Paulo na última segunda, o nome de Temer não está descartado, ainda que seja um cenário difícil de imaginar devido à baixa popularidade dele. O partido, que tem a maior bancada da Câmara dos Deputados, também tenta recuperar sua imagem de olho nas eleições legislativas, temendo que muitos de seus deputados não se elejam.
Para o cientista político Bolívar Lamounier, que já na década de 1980 fazia pesquisas sobre o MDB, a estratégia é “um truque eleitoral“. “Não vai alterar em nada a essência do partido, de um partido clientelista, fisiológico e totalmente corrupto. Ele não tem a menor condição de se tornar um partido progressista, social. É uma tentativa de ganhar terreno eleitoral, fazendo de conta que é a continuidade do velho MDB. Mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. O MDB era uma frente de oposição ao regime militar. Hoje o PMDB é um partido clientelista, não tem mais substância alguma“, destaca.
Após a convenção, Jucá foi questionado sobre a estratégia de mudança de nome e negou que ela tenha o intuito de fazer com que os eleitores não associem o partido aos problemas da legenda com a Justiça. “Nós não estamos mudando de nome. Estamos tirando apenas um ‘P’ que foi colocado pela ditadura e mantendo a mesma sigla da fundação. Portanto, não há nenhum tipo de ação para esconder qualquer coisa. Vamos responder a todas as ações na Justiça e cada um é responsável individualmente por aquilo que tenha feito de forma equivocada. O partido não tem nada a ver com isso e vai disputar as eleições de cabeça erguida“, ressaltou ele, que acrescentou esperar que os eleitores associem o MDB àquilo que o presidente Michel Temer tem feito na área econômica. “Nós pegamos um país quebrado, em recessão, e estamos entregando um país recuperado, gerando empregos, com a inflação controlada e a taxa de juros mais baixa da história“, destacou.
Política
Mato Grosso consolida liderança nacional em “Biometria Eleitoral” e alcança cobertura de 93,78% do eleitorado
O Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso (TRE/MT) concluiu o cadastramento biométrico dos eleitores aptos a participar das próximas eleições, consolidando o estado entre os mais avançados do país em identificação eleitoral. Dos 2.641.190 cidadãos habilitados para votar, 2.476.993 já possuem os dados biométricos registrados, alcançando uma cobertura de 93,78% do eleitorado mato-grossense.
O resultado posiciona Mato Grosso acima da média nacional, atualmente fixada em 89,01%, e reforça o compromisso da Justiça Eleitoral com a modernização dos mecanismos de identificação dos eleitores. Com a ampliação do cadastro biométrico, a maioria absoluta dos votantes poderá utilizar a identificação por impressões digitais durante o processo eleitoral, fortalecendo os sistemas de segurança e autenticação nas urnas eletrônicas.
Segundo o vice-presidente e Corregedor Regional Eleitoral, desembargador Marcos Machado, o avanço alcançado é resultado de uma ampla estratégia institucional desenvolvida ao longo dos últimos meses. A iniciativa envolveu mutirões itinerantes, campanhas de conscientização e ações presenciais realizadas tanto nos grandes centros urbanos quanto em localidades distantes do território mato-grossense, permitindo ampliar significativamente o alcance do cadastramento.
Para o magistrado, o elevado índice de cobertura biométrica representa um importante instrumento de fortalecimento democrático. Ele destaca que a utilização das impressões digitais reduz drasticamente os riscos de fraudes relacionadas à identidade do eleitor, assegurando maior confiabilidade ao processo de votação e ampliando as garantias de legitimidade do pleito.

No cenário regional, Mato Grosso também se destaca de forma expressiva. A região Centro-Oeste registra média de 92,38% de eleitores cadastrados biometricamente, percentual inferior ao alcançado pelo estado. O desempenho mato-grossense contribui diretamente para elevar os indicadores regionais e evidencia o elevado grau de mobilização da sociedade e de organização administrativa da Justiça Eleitoral local.
Entre os tribunais eleitorais da região, o TRE/MT ocupa a vice-liderança no ranking de cobertura biométrica, ficando muito próximo do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, que registra índice de 94,05%. A diferença reduzida entre os dois órgãos evidencia a eficiência das ações implementadas em Mato Grosso, especialmente diante das dimensões territoriais e dos desafios logísticos característicos do estado.
De acordo com o juiz auxiliar da Corregedoria Regional Eleitoral, Marcelo Sebastião Prado de Moraes, os resultados atuais contrastam com a realidade observada em junho de 2025. Naquele período, 30 municípios apresentavam índices inferiores a 75% de cadastramento biométrico, cenário que exigia atenção especial da Justiça Eleitoral para evitar que parte significativa da população permanecesse fora do processo de modernização cadastral.
Os desafios eram ainda mais evidentes quando analisados os indicadores municipais. Cinco cidades possuíam menos de 50% de adesão à biometria; seis registravam percentuais entre 50% e 65%; dez apresentavam índices entre 65% e 69,99%; enquanto outras nove permaneciam na faixa de 70% a 74,99%. A situação exigiu planejamento logístico, reforço operacional e intensificação das campanhas de mobilização em todas as regiões do estado.

O esforço institucional produziu resultados expressivos. Atualmente, não existe nenhum município mato-grossense com cobertura biométrica inferior a 75%. Além disso, 102 municípios já superam a marca de 90,25% de cadastramento, demonstrando que a modernização do sistema eleitoral alcançou não apenas as grandes cidades, mas também localidades de pequeno e médio porte distribuídas por todo o estado.
Entre os destaques municipais estão Reserva do Cabaçal, que evoluiu de 45,16% para 92,09% de cobertura biométrica, e Confresa, que avançou de 33,5% para 79,81%. No topo da lista aparece Araguainha, que atingiu 100% de seus 1.236 eleitores cadastrados. Também registraram índices excepcionais os municípios de Ponte Branca (99,9%), Planalto da Serra (99,71%), Indiavaí (99,66%) e Vale de São Domingos (99,63%), evidenciando elevado engajamento da população local.
O alcance dos resultados torna-se ainda mais significativo quando analisado sob a perspectiva regional. Conforme informou o responsável técnico pelo projeto Biometria no TRE/MT, analista judiciário Kelsen de Magalhães França, 38 municípios mato-grossenses ultrapassaram a marca de 98% de cobertura biométrica.
Em toda a região Centro-Oeste, apenas 40 municípios integram esse seleto grupo, sendo 38 pertencentes a Mato Grosso e apenas dois localizados em Mato Grosso do Sul, consolidando o protagonismo do estado como referência nacional em modernização e segurança eleitoral.
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