FALTA DE PLANEJAMENTO E GRANDES TRANSTORNOS
Lúdio critica falta de planejamento e secretário promete conclusão em obras do BRT
“Temos enfrentado desafios de ordem ambiental, técnica e até de mobilidade no transporte dos materiais. Há locais em que o concreto demora muito a chegar, o que compromete o cronograma”.
Esclareceu o secretário da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, durante a sua participação de uma nova Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), para prestar esclarecimentos sobre os atrasos nas obras do modal Bus Rapid Transit (BRT) que ligará as cidades de Cuiabá e Várzea Grande, e que o modal será concluído até o final de 2026.
Duro em suas críticas, o deputado estadual Ludio Cabral (PT), disse que a condução do projeto reflete falta de planejamento e sucessivos erros de gestão, o que tem gerado transtornos para a população no trânsito da região metropolitana.
“Os problemas que acontecem na execução da obra do BRT são um sinal de falta de planejamento. Não é nem mais uma novela, é uma série de várias temporadas. Era BRT, virou VLT, voltou a ser BRT, todos os prazos estourados, e eu, sinceramente, quero que o transtorno que a população sofre hoje acabe com a conclusão desse trecho. Qualquer debate sobre um novo modal revela novamente falta de planejamento. O principal agora é focar na conclusão daquilo que está sendo realizado para depois, eventualmente, se debater mudança de modal ou qualquer coisa nesse sentido“.
Esta foi a segunda Audiência Publica de convocação do secretário realizada por Lúdio Cabral neste ano. A primeira convocação foi em março, em meio à rescisão do contrato entre Sinfra e Consórcio Construtor BRT Cuiabá. O deputado indicou que deverá continuar monitorando a obra e realizando novas convocações, de acordo com o andamento do projeto.
“O que é importante, e eu concentrei os meus questionamentos nisso, são os prazos para conclusão das etapas da obra. Uma primeira etapa deveria ter sido concluída em agosto, foi concluída em outubro, que é o trecho do Hospital de Câncer até o Viaduto da Sefaz, e outras partes da Avenida do CPA. Há um novo contrato que teve início em julho, com previsão até o final de dezembro, mas o secretário já disse que vai se estender até o final de fevereiro, que são as obras que estão acontecendo agora: em frente ao Pantanal Shopping e todo o trecho da Avenida do CPA até o viaduto da Miguel Sutil, e na Prainha, que teve início na Praça Ipiranga até a Avenida XV de Novembro. Todo esse trecho, o secretário disse que estará concluído até fevereiro. Nós vamos monitorar e cobrar o andamento dessas obras. São mais R$ 150 milhões para esse trecho e ele precisa ser concluído“, apontou Lúdio.
O primeiro contrato, com o Consórcio Construtor BRT Cuiabá, formado pelas empresas Nova Engevix Engenharia e Projetos S/A, Heleno & Fonseca Construtecnica S/A e Pagmob Desenvolvimento em Tecnologia Ltda, consumiu R$ 132,3 milhões desde 2022 pela execução das obras de pavimentação e infraestrutura no trecho entre o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, e os trechos em Cuiabá, na Avenida do CPA.
O novo contrato para conclusão das obras nesse trecho, incluindo a parte da Avenida da Prainha, está estimado em R$ 155,1 milhões sob responsabilidade do Consórcio Integra BRT, formado pelas empresas Lotufo Engenharia Ltda, Guaxe Construtora Ltda e Encomind Engenharia Ltda.
Segundo o secretário Marcelo de Oliveira, a licitação para construção das estações nos trechos de Várzea Grande, na Avenida da FEB, e em Cuiabá no tramo da XV de Novembro e da Prainha está em andamento. O custo estimado é de R$ 68,8 milhões neste contrato. A conclusão das estações até o final de junho de 2026 permitiria o início das operações no corredor exclusivo de ônibus, mas o secretário da Sinfra disse não haver previsão para aquisição dos veículos.

O trecho da Avenida Fernando Corrêa da Costa deverá ter sua licitação lançada em até 45 dias, de acordo com o secretário Marcelo de Oliveira.
Não foi divulgado o valor desse trecho, que deve incluir no contrato o pavimento e infraestrutura, além de estações e outros itens.
“Na minha opinião, o trecho mais delicado vai da Praça Ipiranga até a Igreja do Rosário, e o secretário disse que a Águas Cuiabá já está executando as obras de drenagem para que não haja comprometimento nesse trecho da Prainha. Nós vamos monitorar e, eventualmente, chamar representantes do município e da Águas Cuiabá para tratar dessa questão específica, que não é responsabilidade da Sinfra“, pontuou Lúdio.
O deputado ressaltou que a Prefeitura de Cuiabá precisa adotar medidas para melhoria do trânsito durante as obras.
“É uma questão de planejamento. Há um esforço que deveria ser feito pela prefeitura, que é de mitigação dessa situação enquanto as obras estão acontecendo: a sinalização, a identificação de vias alternativas e a manutenção de um monitoramento com os agentes de trânsito ao longo desses trechos todos“, concluiu Lúdio.
Política
Republicanos questiona idoneidade do Instituto Percent
O partido Republicanos, legenda à qual é filiado o governador do Estado de Mato Grosso, Otaviano Olavo Pivetta, formalizou uma representação jurídica junto à Justiça Eleitoral para pleitear a impugnação da pesquisa de intenção de voto realizada pelo Instituto Percent. A peça processual, que contesta os dados divulgados na última semana por diversos veículos de imprensa locais, surge em um momento de ebulição das articulações políticas para a sucessão estadual. O partido alega que o levantamento apresenta inconsistências técnicas e metodológicas que comprometem a lisura do processo democrático, argumentando que a manutenção da divulgação de tais índices pode induzir o eleitorado a erro antes mesmo do início oficial do período de campanha.
A ofensiva jurídica é encabeçada pelo advogado Rodrigo Terra Cyrineu, que assina a petição fundamentada em supostas irregularidades eivadas de subjetivismo por parte do prestador de serviço. Segundo o Republicanos, o Instituto Percent, por intermédio de seu sócio-administrador, teria extrapolado a função técnica de aferição estatística para adentrar o campo da análise política parcial. O partido sustenta que as declarações públicas do empresário sobre os números apurados não possuem lastro científico, servindo apenas para chancelar interpretações pessoais que desfavorecem a imagem do atual chefe do Executivo estadual e beneficiam diretamente seus principais adversários na corrida pelo Palácio Paiaguás.
O conflito central reside nos dados que posicionam Otaviano Pivetta em terceiro lugar na preferência dos entrevistados, figurando atrás dos senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (Federação União Progressista). O Republicanos refuta veementemente essa hierarquia, apontando que a amostragem foi utilizada como ferramenta de propaganda política negativa. O cerne da discórdia é a suposta “profunda problemática” estrutural do levantamento, que, na visão da sigla governista, falha em refletir a realidade socioeconômica e a distribuição demográfica do estado, focando em narrativas que tentam consolidar uma percepção de enfraquecimento da gestão atual sem o devido rigor que a legislação eleitoral exige.

O cenário geográfico e político desta disputa é o Estado de Mato Grosso, um território onde o Agronegócio e as políticas de infraestrutura ditam o ritmo das intenções de voto. A representação tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT), instituição incumbida de zelar pela equidade entre os candidatos e pela fidedignidade dos institutos de pesquisa que operam na região.
A capital, Cuiabá, concentra o debate jurídico, mas os reflexos da possível impugnação estendem-se aos 141 municípios mato-grossenses, uma vez que a pesquisa em questão buscava traçar um diagnóstico abrangente da vontade popular em todo o extenso território do estado.
Cronologicamente, a crise institucional entre o partido Republicanos e o Instituto de Pesquisa Percent escalou rapidamente após a publicação do relatório na semana passada. Imediatamente após a divulgação dos índices, o Republicanos protocolou um pedido de acesso a informações detalhadas junto ao TRE/MT, buscando esmiuçar a base de dados do Instituto Percent. Diante das respostas obtidas e das declarações do dono do instituto à imprensa, a legenda optou por judicializar a questão de forma definitiva em 2026, buscando uma liminar que interrompa qualquer nova menção aos resultados questionados enquanto o mérito da questão técnica não for devidamente apreciado pela magistratura eleitoral.
As razões que levaram à representação jurídica baseiam-se na acusação de parcialidade manifesta. O partido argumenta que o sócio do instituto emitiu juízos de valor temerários ao afirmar que o governador Otaviano Pivetta enfrenta “forte resistência” entre o eleitorado feminino e o funcionalismo público. Para o corpo jurídico do Republicanos, tais afirmações são desprovidas de base estatística sólida e configuram uma tentativa deliberada de criar um estigma político contra o pré-candidato.

A petição destaca que o serviço de pesquisa é “inerentemente técnico” e que a “ausência de racionalidade” nas falas do empresário evidencia uma desconexão perigosa com a realidade dos dados coletados em campo.
O procedimento para a impugnação segue os ritos estabelecidos pelo Código Eleitoral e pelas resoluções vigentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A peça jurídica foi distribuída ao juiz Luis Otavio Pereira Marques, magistrado do TRE/MT, a quem caberá a análise de mérito. O processo de fiscalização envolve a conferência da metodologia aplicada, do plano amostral, do intervalo de confiança e da margem de erro declarada. Caso o magistrado identifique que houve, de fato, uma extrapolação interpretativa ou falhas no questionário aplicado, o Instituto de Pesquisa Percent poderá ser multado e a pesquisa declarada nula para fins de divulgação pública e oficial.
A finalidade principal desta ação é a preservação da integridade do pleito e a proteção do direito à informação correta. O Republicanos busca evitar o que chama de “enaltecimento seletivo” de certas forças políticas em detrimento de outras, baseado em interpretações que o partido classifica como carentes de fundamento científico. Para a legenda, a “clareza absoluta” de mudança defendida pelo dono do instituto seria uma afronta à neutralidade que se espera de uma empresa especializada.
O objetivo, portanto, é garantir que as pesquisas eleitorais sirvam como bússolas informativas e não como instrumentos de manipulação da opinião pública através de análises eivadas de viés ideológico.

As consequências imediatas desta batalha judicial refletem a tensão crescente entre o setor técnico de estatística e os grupos políticos em Mato Grosso. Se a impugnação for aceita, o Instituto Percent poderá ter sua credibilidade abalada e enfrentar sanções pecuniárias severas. Por outro lado, se a Justiça Eleitoral mantiver a validade do levantamento, o governador Otaviano Pivetta terá o desafio político de reverter os índices apresentados e enfrentar as críticas citadas na pesquisa.
De qualquer forma, o episódio serve como um importante precedente sobre os limites da liberdade de análise de diretores de institutos em relação aos dados brutos coletados por seus próprios recenseadores.
Atualmente, o processo aguarda uma decisão interlocutória do juiz Luis Otavio Pereira Marques. Não há, até o presente momento, uma sentença ou decisão liminar que suspenda os efeitos da pesquisa ou que condene o Instituto de Pesquisa Percent por irregularidades. Enquanto o Judiciário não se manifesta, o ambiente político em Mato Grosso permanece sob o impacto dos números divulgados, evidenciando que a estatística se tornou, definitivamente, uma das principais frentes de batalha das eleições de 2026.
A sociedade mato-grossense aguarda o desfecho desta controvérsia, que definirá os parâmetros de transparência e técnica que regerão os próximos levantamentos eleitorais no Estado de Mato Grosso.
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