DOAR ÓRGÃOS É UM GESTO DE GRANDEZA
Jayme Campos: “Temos que conscientizar a população da importância da doação de órgãos”
Este mês comemoramos a campanha de Setembro Verde, criada especialmente para estimular a doação de órgãos, uma das ações mais benéficas que uma pessoa pode fazer para a saúde do próximo. Através dela, o doador consegue devolver o bem-estar e qualidade de vida para muitos outros pacientes.
Como ser um doador de órgãos
Para tornar-se um doador de órgãos, a pessoa interessada só precisa expressar à sua família ou tutores sua livre e espontânea vontade de doar, não sendo necessário fazer registro ou procedimento para oficializar a decisão. Esse passo é necessário porque, no Brasil, a doação de órgãos só é autorizada mediante a liberação da família que, após o falecimento do paciente, é informada quanto à possibilidade de doação de órgãos e tecidos.
Pacientes com diagnóstico de câncer, doença infecciosa grave aguda ou doenças infectocontagiosas (como a Covid-19, HIV, doença de Chagas e as hepatites B e C) não podem ser considerados como doadores de órgãos, assim como pacientes diagnosticados com insuficiência de múltiplos órgãos.
Por questões éticas, a família do doador não pode ser informada sobre o paciente que recebeu o órgão. Porém, o ato de doar torna-se uma demonstração altruísta de amor ao próximo sem julgamentos ou preconceitos, pensando apenas em salvar uma vida. Considere a possibilidade de tornar-se também um doador de órgãos e comunique a decisão à sua família.

Tipos de doação de órgãos
Os transplantes de doação de órgãos podem ser realizados de duas formas: entre vivos e após o falecimento do doador.
A realização de transplantes entre pessoas vivas exige que o doador seja maior de idade e capaz, juridicamente, de realizar a doação. Neste caso, pode ser doado um dos rins, parte do fígado, parte dos pulmões e medula, através da punção. Além disso, para doar o órgão em vida, o doador e o paciente serão submetidos a uma bateria de exames e testes responsáveis por avaliar a compatibilidade entre eles.
O Brasil superou pela 1ª vez a marca de 30.000 transplantes de órgãos e tecidos em um único ano. Por outro lado, o país ainda registra uma fila de espera com 78.000 pessoas. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde. Em 2024, foram realizados 30.300 transplantes no país, número superior ao recorde anterior, de 28.700 em 2023. Do total, 85% foram feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foram destinados R$ 1,47 bilhão à área no último ano, um aumento de 28% em relação a 2022.
A córnea foi o tecido mais transplantado, com 17.107 procedimentos, seguida por rim (6.320), medula óssea (3.743) e fígado (2.454). A fila para transplante de rim é a maior: 42.838 pacientes. A negativa familiar à doação segue como um dos principais entraves para a expansão do sistema, com taxa de recusa de 42% a 45%.

Com baixo número de doação de órgãos em MT, Jayme Campos propõe verba para campanhas de conscientização sobre a doação de órgãos
O Senador mato-grossense pelo União Brasil (UB), Jayme Campos (UB), em discurso da tribuna do Senado Federal, anunciou nesta quarta-feira, 23, a apresentação de um Projeto de Lei que destina 5% das verbas de propaganda institucional do Governo Federal para financiar campanhas permanentes de conscientização sobre a doação de órgãos. A proposta chega em um momento crítico para o Estado de Mato Grosso, que registra o mais alto índice de recusa familiar do país.
A proposta integra as atividades do “Setembro Verde“, mês de incentivo à doação de órgãos. Jayme Campos destacou a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) na área de transplantes, responsável por mais de 90% dos procedimentos no país, mas alertou para a disparidade entre o número de pacientes na fila e a quantidade de doações realizadas.
“Todos sabemos o quanto o SUS é uma referência internacional em transplante de órgãos e tecidos. É um orgulho para todos nós brasileiros. Porém, há um longo caminho para avançarmos”, ele afirmou, ao ressaltar que “educar deve ser, sim, um dos focos principais dos gastos da União com publicidade”.
Enquanto o Brasil registrou um recorde histórico de mais de 30 mil transplantes realizados em 2024, o número de doadores efetivos caiu em relação a 2023. Nacionalmente, 45% das famílias brasileiras recusaram a doação de órgãos de um ente querido potencialmente doador. No entanto, o Senador mato-grossense chamou a atenção para a situação específica de Mato Grosso, onde a taxa de recusa familiar chega a 70%, um patamar considerado “extremamente alto” pelo parlamentar.
“Em Mato Grosso, a taxa alcança 70% de recusa, uma cifra extremamente alta quando comparada a países como a Espanha, onde as negativas variam entre 8% e 10%”.
Jayme Campos atribuiu o problema, em grande medida, à falta de informação e de diálogo familiar. Segundo ele, pouca gente sabe, por exemplo, que um único doador pode beneficiar até 27 pessoas.
“Esse é um dado poderoso, que precisa chegar ao conhecimento de todos os brasileiros”, argumentou.
O Projeto de Lei, de acordo com o parlamentar mato-grossense, tem um “objetivo pedagógico”. A ideia é usar parte dos recursos já previstos para publicidade governamental em campanhas educativas que “desmistifiquem a doação de órgãos, esclareçam dúvidas, removam preconceitos e incentivem a conversa dentro das famílias”.
O parlamentar mato-grossense ressaltou ainda que a iniciativa não cria nova despesa para os cofres públicos, apenas redireciona uma parcela da verba existente para uma “aplicação mais responsável e socialmente justa”.
“Educar deve ser, sim, um dos focos principais dos gastos da União com publicidade. As campanhas públicas de saúde são instrumentos fundamentais para esclarecer dúvidas”, defendeu.
Na defesa da proposta, Jayme Campos convocou demais senadores a apoiarem a causa, classificando a doação de órgãos como “um gesto de grandeza, de generosidade e de humanidade”. A aprovação projeto, segundo ele, pode ser decisiva para “oferecer a milhares de brasileiros que hoje aguardam na fila a chance de uma nova vida”.
Política
Palanque de Wellington Fagundes “AVERMELHOU”
A articulação política com vistas ao pleito de 2026 no Estado de Mato Grosso deflagrou uma profunda reorganização nas bases partidárias locais, unindo lideranças historicamente opostas em um mesmo palanque. O movimento central orbita em torno da pré-candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado, cuja base de sustentação passou a abrigar, direta e indiretamente, figuras proeminentes do cenário político estadual e nacional. Entre os articulações de destaque, constam o apoio do senador Jayme Campos (UB) e a aproximação tática do senador Carlos Fávaro (PSD), e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando um arranjo político caracterizado pela pluralidade ideológica.
O epicentro do rearranjo partidário consolidou-se após o senador Jayme Campos romper estrategicamente com o grupo político de Mauro Mendes (UB). A cisão ocorreu após o parlamentar ser preterido por sua própria agremiação na disputa pela indicação ao governo estadual. Diante do impasse interno, a liderança de Várzea Grande declarou apoio formal à postulação de Wellington Fagundes, assumindo o papel de ponte interlocutora para atrair o grupo político de Carlos Fávaro para a mesma esfera de convergência eleitoral, alterando o equilíbrio das forças políticas regionais.
A reaproximação entre os grupos políticos ocorreu no âmbito do território mato-grossense, desdobrando-se em reuniões partidárias, articulações de bastidores e atos públicos nos principais colégios eleitorais do estado, com especial relevância para Cuiabá e Várzea Grande. O alinhamento progressivo ganhou visibilidade pública a partir das movimentações conjuntas e das declarações de lideranças estratégicas durante encontros institucionais de correligionários, definindo a geografia eleitoral que delimita os palanques das próximas eleições estaduais.
As motivações subjacentes a essa engenharia política fundamentam-se na busca por hegemonia eleitoral e na neutralização de adversários comuns dentro do próprio espectro partidário. A preservação da candidatura de Carlos Fávaro à reeleição pelo Senado, ainda que realizada de forma discreta por setores da coligação, visa enfraquecer concorrentes diretos, como o deputado federal José Medeiros (PL) e o próprio Mauro Mendes (UB), candidato a uma das vagas ao Senado Federal.
Paralelamente, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) também busca consolidar sua viabilidade ao Senado Federal construindo pontes transversais que transcendem as barreiras ideológicas tradicionais.
O desenrolar decisivo dessa convergência manifestou-se quando a deputada Janaína Riva declarou publicamente a intenção de compor uma chapa dobrada com o senador Carlos Fávaro rumo ao Congresso Nacional. A confirmação do alinhamento ocorreu durante uma reunião partidária promovida pelo deputado federal Emanuelzinho Pinheiro (PSD), vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados.
O respaldo público manifestado por Janaína Riva aos dois quadros do PSD formalizou a intersecção pragmática entre o MDB e setores alinhados à administração federal, expondo a complexidade das alianças regionais.
A reação do Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), expôs as fraturas internas provocadas pela composição heterogênea do palanque oposicionista. Por meio de manifestações públicas e redes sociais, o gestor municipal criticou enfaticamente a aliança do Partido Liberal (PL) com o MDB, argumentando que a proximidade com nomes ligados ao governo federal descaracteriza o projeto político da direita conservadora no estado.
Brunini reiterou que a presença de quadros governistas e o apoio explícito a vice-líderes do Executivo Nacional configuram uma contradição ideológica perante o eleitorado conservador mato-grossense.
As engrenagens dessa complexa aliança eleitoral funcionam por meio de concessões mútuas e composições proporcionais que visam maximizar o tempo de propaganda rádio e televisiva, além de capilaridade regional. Enquanto a candidatura majoritária ao governo busca unificar o eleitorado sob uma bandeira de oposição à atual gestão estadual, as candidaturas ao Senado operam de forma autônoma para captar votos em nichos diversos. Essa dinâmica permite coexistir, no mesmo espaço político, projetos de poder que divergem substancialmente quanto às diretrizes econômicas e sociais no plano federal.
E aí está a ironia do roteiro.
Wellington Fagundes, o “Lanterna Verde”, o “Homem da Camisa Verde”, também identificado por setores da direita como “Senador Melancia”, “Verde por fora e vermelho por dentro“, terá que administrar um palanque no qual o “VERMELHO“ já não parece estar escondido debaixo do palanque.
As consequências imediatas do arranjo refletem-se no tensionamento das instâncias partidárias locais e no silêncio seletivo do comando estadual do PL diante das composições regionais.
Enquanto a presidente estadual do partido, Ananias Filho, direciona severas críticas aos prefeitos liberais que declararam apoio à pré-candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), constata-se a ausência de penalizações ou manifestações oficiais a respeito da presença de lideranças alinhadas ao governo federal na base de Wellington Fagundes, sinalizando uma tolerância tática em prol da viabilidade eleitoral.
O cenário consolidado projeta desafios complexos para a gestão da imagem pública de Wellington Fagundes junto à sua base eleitoral de origem. Historicamente associado ao centro pragmático, o parlamentar enfrenta questionamentos de setores ortodoxos da direita, que utilizam a presença de elementos progressistas na coligação para contestar sua coerência doutrinária.
A necessidade de administrar um palanque de composição ideológica mista exigirá do candidato um contínuo exercício de equilíbrio político para reter o eleitorado conservador sem repelir os apoios estratégicos vindos do centro e da centro-esquerda.
Por fim, o panorama atual evidencia que o pragmatismo político em Mato Grosso sobrepôs-se às polarizações nacionais, redefinindo os contornos da disputa de 2026. A aliança que reúne sob o mesmo teto político o PL, o MDB, o PSD e alas do União Brasil (UB) demonstra que a busca pelo “Poder Estadual” suplantou divisões partidárias rígidas.
O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade dos articuladores em convencer o eleitorado de que a heterogeneidade da coligação representa amplitude governamental, e não incoerência ideológica, na construção do futuro político do estado.
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