PARTICIPAR DA VOTAÇÃO DO GOVERNO
Exonerado, Favaro volta ao Congresso para apresentar emendas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exonerou nesta terça-feira (3) os ministros Carlos Henrique Baqueta Fávaro (PSD), da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); André Fufuca, dos Esportes; e Celso Sabino, do Turismo. A informação foi publicada do Diário Oficial da União (DOU). Eles retornarão ao cargo de ministro assim que finalizadas as atividades que desejam fazer como congressistas.
O Senador Carlos Favaro, que pediu a exoneração, deverá retornar ao Senado para reassumir a vaga que estava ocupada pela sua suplente, Margareth Buzetti. Fávaro, filiado ao Partido Social Democrático (PSD), já havia sido nomeado em 2022 pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSDB), para o cargo de coordenador do Grupo Técnico de Trabalho da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) durante a transição de governo e, em dezembro daquele ano, assumiu a pasta do Ministério da Agricultura.
Essa é a segunda vez que Carlos Fávaro solicita sua exoneração para retornar ao Senado Federal.
A demissão também permite que os ministros fiquem liberados para votar medidas de relevância para o governo no Congresso Federal, em especial, a PEC do Corte de Gastos.

Por serem parlamentares (Fávaro, senador, e Fufuca e Sabino, deputados), ao serem exonerados, voltam a exercer essa função e a participar das votações. A PEC do Corte de Gastos foi enviada ao Congresso na segunda-feira (2).
O Legislativo pretende finalizar as votações antes do recesso parlamentar, que começa oficialmente em 23 de dezembro.
As PECs têm uma tramitação específica no Congresso. Na Câmara, precisam ser votadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, se aprovadas, são analisadas por uma comissão especial antes de ir ao plenário, onde precisam passar por duas rodadas de votação, por exemplo. Também precisam passar pelo Senado.
Uma das possibilidades analisadas pelo governo e líderes partidários era juntar a PEC enviada nesta segunda a uma outra que já esteja com a tramitação mais avançada. A ideia seria ganhar tempo.
Além da PEC dos Gastos, pode ser votado antes do recesso o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025 e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025.
Política
Clima tenso e ainda de forte disputa interna pelo Palácio Paiaguás
O presidente do Diretório Estadual do União Brasil em Mato Grosso, o governador Mauro Mendes, oficializou a convocação da Convenção Estadual da agremiação para o dia 4 de agosto de 2026. A escolha da data, que ocorre estrategicamente na véspera do prazo limite estabelecido pela Justiça Eleitoral para a realização dos eventos partidários, reflete o cálculo político da cúpula da legenda diante do cenário de extrema polarização interna e da necessidade de costuras de última hora na região.
A definição do calendário eleitoral pelo comando do partido ocorreu na capital do Estado de Mato Grosso, por meio de publicação oficial editada no Diário Eleitoral. O anúncio formal da data consolidou a realização do encontro decisivo na sede da própria agremiação política, estabelecendo o epicentro das deliberações em um espaço controlado pela direção, o que intensificou as articulações nos bastidores entre as principais lideranças locais.
A deliberação tardia atende à imperiosa necessidade de gerenciar uma intensa crise que cinde a legenda entre o apoio a um projeto governamental continuísta ou a consolidação de uma candidatura própria ao Poder Executivo Estadual. O arranjo cronológico imposto pela presidência adia o desfecho da disputa, evitando um racha prematuro e forçando o amadurecimento das negociações antes que os prazos legais de registro inviabilizem as composições majoritárias.
O evento partidário em Mato Grosso destina-se formalmente a homologar as candidaturas majoritárias de: governador, vice-governador e senador, além de definir a composição das chapas proporcionais para deputados federais e estaduais e o sorteio dos números eleitorais.

Contudo, o objetivo político subjacente e primordial da reunião é pacificar a séria dissidência ideológica e estratégica que ameaça a unidade do partido no principal colégio eleitoral do Centro-Oeste.
A convocação oficial foi formalizada por meio de um edital de convocação rigorosamente publicado na imprensa oficial do estado e nos canais de comunicação partidária, conferindo plena segurança jurídica ao ato. A publicidade institucional cumpre as exigências estatutárias e os ritos estipulados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), blindando as futuras decisões de eventuais questionamentos judiciais que poderiam ser propostos por alas descontentes.
O cronograma estabelecido pela Executiva prevê que os trabalhos deliberativos terão início pontualmente às 17h, estendendo-se por apenas uma hora, com encerramento programado para as 18h do mesmo dia. Essa curta janela de tempo demonstra que o grupo político governante pretende submeter à plenária uma proposta pré-formatada e amplamente negociada, minimizando o espaço para debates improvisados ou tumultos durante a votação.
O acirramento dos ânimos decorre da insistência do senador Jayme Campos em pleitear sua indicação ao Palácio Paiaguás, enquanto a ala liderada pelo cacique numero 1 do União Brasil (UB), Mauro Mendes, preconiza o alinhamento e o apoio irrestrito à reeleição do atual governador, Otaviano Pivetta, do Republicanos.
Essa divergência programática expõe visões distintas sobre a hegemonia política no estado, contrapondo o desejo de protagonismo partidário tradicional à manutenção de uma aliança técnica e pragmática de poder.
O Senador Jayme Campos fundamenta sua contestação na premissa de que as bases partidárias e a militância histórica devem ser consultadas, argumentando enfaticamente que a legenda não possui proprietários e deve respeitar quem a construiu. O parlamentar atua de maneira incisiva nos bastidores, valendo-se de declarações públicas contundentes para constranger a Executiva a adotar mecanismos mais democráticos e transparentes na escolha dos nomes que disputarão o pleito.
As tratativas ganharam contornos de drama político devido à pressão exercida pelos Progressistas (PP), partido que integra a federação partidária e que já declarou apoio formal e público à postulação de reeleição de Otaviano Pivetta. A movimentação do aliado estreitou a margem de manobra do União Brasil, uma vez que a dissidência de Jayme Campos ameaça desestabilizar o bloco governista e fragmentar as forças de centro-direita no estado.
A pacificação definitiva ou a consumação da ruptura partidária ocorrerão somente no fechamento das urnas internas da Convenção Estadual, cujo resultado ditará os rumos das coligações majoritárias em Mato Grosso.
Até que o último voto seja contabilizado no início da noite de 4 de agosto, o cenário político mato-grossense permanecerá em compasso de espera, sob a sombra de um embate que medirá as forças reais das maiores lideranças do estado.
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